Andaluzia: Greve com flamenco

A greve geral espanhola de 29 de Setembro de 2010, a primeira do género desde há muitos anos naquele país, não me apanhou desprevenido, mas impediu-me de ir a Cádiz. A ideia era repetir a experiência “Córdoba”. Geralmente, uma paralisação deste género tem efeitos nos transportes públicos e condiciona o turista, impedindo-o de se deslocar livremente e de visitar aquilo que pretende. Era arriscado ir à cidade e preferi jogar pelo seguro. Opção errada. Os efeitos da greve foram mínimos ou mesmo nulos, mas só viria a saber disso no dia seguinte.

Os efeitos da huelga general na capa do Diario de Sevilha de 30/09/2010

Tendo em conta os constrangimentos impostos pela greve, a opção foi “vaguear” por Sevilha e perder-me no Parque María Luisa e na Plaza de España, sítios onde o turista podia entrar livremente, sem ter medo da huelga general. Dito e feito. Depois de tomar o pequeno-almoço, segui o Paseo de las Delícias acima e não demorei muito a entrar no pulmão verde da cidade.

O parque é um verdadeiro encanto e cumpre bem o seu papel, alienando o turista e levando-o a divagar por entre os seus inúmeros caminhos rodeados de árvores, aves, fontes e edifícios representativos da Exposição Ibero-Americana de 1929. O pulmão verde foi cedido à cidade em 1893 pela infanta que lhe dá o nome, mas somente em 1911 começaram as remodelações que permitiram ao parque acolher a exposição de ’29, um dos acontecimentos da história sevilhana de maior importância.

Fachada do Museu Arqueológico

Com 37 locais de referência a visitar pelo mais paciente dos turistas, optei por voltar as minhas atenções para os pavilhões do parque. O Museu Arqueológico, que se encontra num edifício de estilo neorenascentista, foi o primeiro a receber a minha visita. O local tem uma vasta colecção de artefactos que vai desde os achados paleolíticos expostos na cave até aos esplendores da arte romana e mourisca nos pisos superiores, bem como a mais prestigiada colecção de esculturas romanas de Espanha. A entrada é gratuita para quem viva nos países da União Europeia.

Plaza de América

Bem à sua frente, está a Plaza de América e o Pabellón Mudéjar, com o seu Museu de Artes y Costumbres Populares. O museu tem uma grande colecção composta por bordados, cerâmica, vestimentas, utensílios de trabalhos, instrumentos musicais, entre outros. Como a entrada é gratuita para quem viva na União Europeia, vale a pena aprofundar um pouco mais os conhecimentos sobre a região da Andaluzia. E se este motivo não chegar, a entrada permite descortinar o interior do magnífico edifício, também ele construído propositadamente para a exposição de 1929.

Pabellón Mudéjar

Pormenor da Exposição Ibero-Americana de 1929

Pabellón Real

Depois de visto o Pabellón Real, outro edifício construído para a exposição, mas em estilo gótico, fui percorrendo os circuitos do parque até chegar à Plaza de España, criada por Aníbal González. Apesar da magnificência do conjunto, fiquei algo desencantado porque o tradicional canal de navegação com a água, os barcos e as pontes pedestres coloridas deram lugar a retroescavadoras, a poeira e a trabalhadores que cuidavam da manutenção do local. Esta praça semi-circular, um dos ex-líbris da cidade, foi o centro da Exposição Ibero-Americana de 1929 e está praticamente coberta por lindos azulejos que ilustram momentos históricos e os símbolos de todas as regiões do país.

Plaza de España

Pormenor I - Plaza de España

Pormenor II - Plaza de España

Terminado o almoço, a tarde foi dedicada ao Real Alcázar (considerado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1987), um extenso complexo de salas e espaços palacianos de vários estilos situados no Pátio de Banderas, próximo da catedral gótica da cidade. Fácil lá chegar, portanto. O Real Alcázar, a catedral gótica de Sevilha e a Giralda, no seu conjunto, são esmagadores. Os verdadeiros ex-líbris da cidade.

Entrada do Real Alcázar

O Real Alcázar tem parecenças com o Alcázar de los Reyes Cristianos que tinha visitado no dia anterior em Córdoba. O de Sevilha foi mandado construir também por Abd el-Rahman III, emir de Córdoba, muito provavelmente nas ruínas das casernas romanas. Os califas e os reis cristãos também deixaram a sua marca no edifício que viria a sofrer mais alterações profundas quando ficou danificado por um sismo no século XVIII. No interior do Alcázar os destaques vão para a Puerta del Léon, um portão de entrada para o primeiro pátio, a Sala de Justicia, onde se pode ver paredes de arte mudéjar, a casa de la Contratacion, onde os exploradores do Novo Mundo eram recebidos, os pátios, o palácio gótico e os inúmeros jardins. 8,50€ é o preço da entrada.

Jardins - Real Alcázar

Pormenor I - Real Alcázar

Pormenor II - Real Alcázar

Perder-me no Real Alcázar fez-me adiar a visita à catedral e à Giralda para a manhã do dia seguinte. E antes que pudesse rumar ao hotel, fui abordado com uma proposta tentadora: assistir a um espectáculo de flamenco no Auditório Alvarez Quintero. Tinha o objectivo de assistir a um recital do género, pelo que foi só juntar 2+2. Reservei um lugar na assistência do espectáculo para as 21 horas daquela mesma noite e adorei. É arrebatador. Infelizmente, não é possível gravar ou fotografar o show de flamenco, mas aqui fica um vídeo dos espectáculos do Auditório.

Para lá chegar, basta apanhar a calle Alvarez Quintero junto à catedral de Sevilha. 30 euros é o custo do bilhete de uma hora de espectáculo. Porque o flamenco não faz greve. Olé!

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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