Andaluzia: os ex-libris de Sevilha

O penúltimo dia da viagem à Andaluzia começou com uma visita conjunta à catedral gótica da cidade de Sevilha e à Giralda, consideradas Património da Humanidade pela UNESCO, em 1987. O edifício gótico, o maior do género de Espanha e o terceiro maior em todo o mundo, não era uma novidade para mim, ao contrário da Giralda.

A catedral e a Giralda

A imensidão da catedral de Sevilha

Depois de enfrentar uma fila um pouco grande, os pormenores do interior da catedral de Sevilha foram reavivando as minhas memórias. A catedral é a maior igreja da Cristandade em todo o mundo, em termos de volume (não de pisos), e tem exposto um certificado do Livro de Recordes do Guiness para o provar. Mede 126 metros por 83 metros e tem uma nave de quase 45 metros de altura. No cimo da Giralda é que se pode contemplar bem a grandiosidade da catedral.

A catedral vista da Giralda - pormenor do Pátio das Laranjeiras

O telhado da catedral - vista desde a Giralda

Quando a cidade foi conquistada pelos cristãos, em 1248, os mouros queriam danificar os magníficos edifícios da cidade. Só com ameaças, as intenções não foram consumadas. No local da já enorme mesquita existente, os cristãos começaram a erguer no século XV um edifício tão grande que as gerações seguintes ainda ficam boquiabertas quando o vêem. A Giralda, o grande símbolo da cidade, foi construída antes, entre 1172 e 1195, e tem um enorme cata-vento no topo, o El Giraldillo.

Na visita ao complexo, é impossível deixar de ver a Puerta del Perdón (que é a principal entrada para a única secção sobrevivente da mesquita), o Pátio das Laranjeiras, a biblioteca Colombina (com um vasto arquivo de cartas de Cristóvão Colombo), a Capilla Mayor, as sacristias e a Sala Capitular. Para quem quer ver atentamente a catedral e a Giralda, uma manhã não deve chegar.

O interior da catedral

O interior da catedral II

O interior da catedral III

O interior da catedral III

Infelizmente, esta nova visita ao interior da catedral marcou-me de uma forma que nunca esquecerei. Quando recebo no telemóvel, uma chamada de Portugal, àquela hora da manhã, é porque a coisa não era boa. E a notícia seguinte confirmaria o pressentimento: tinha morrido um amigo, que eu considerava como sendo um avô emprestado. O funeral era no dia seguinte ao início da tarde, pelo que aquele seria o meu último dia por terras andaluzas. O regresso tinha sido antecipado.

Vista da cidade de Sevilha desde a Giralda I

Vista da cidade de Sevilha desde a Giralda II

Vista da cidade de Sevilha desde a Giralda III

Atordoado pelo choque, nem contemplei como queria o resto da Giralda. Só a subida ao cimo daquela grandiosa torre e as maravilhosas vistas da cidade aliviaram um pouco a minha dor.

Depois do almoço, o resto do dia foi passado a andar pela cidade e a ver mais alguns dos monumentos sevilhanos, os seus verdadeiros ex-líbris. Passei pela Torre del Oro, uma imponente construção de vigia com 12 lados, e segui a margem do Guadalquivir acima. A paragem na Puente de Triana foi, claro está, obrigatória.

Torre del Oro

Do cimo da Giralda, naquela manhã, tinha avistado uma imensa praça de touros que me tinha deixado desconcertado. Era a maior do género que alguma vez tinha visto na minha vida. E, foi por isso, que ao passar por ela naquela tarde decidi parar e comprar o bilhete que me permitiria vê-la melhor por dentro. Por acréscimo, o bilhete contemplava uma visita ao Museo Taurino de la Real Maestranza de Caballería de Sevilla. Para quem gosta de touradas como eu (não aquelas de morte, atenção), a visita “à catedral das touradas” é imperdível. Mais informações aqui.

Entrada Plaza de Toros Real Maestranza

Plaza de Toros Real Maestranza

A visita guiada não é muito demorada pelo que rumei rapidamente do Paseo de Cólon para a Plaza del Museo, onde está situado o Museo de Bellas Artes. Localizado num antigo convento do séc. XVII, a coleção deste museu, considerada uma das melhores em toda a Espanha, baseia-se na escola de Sevilha, onde pontuam nomes como Zurbarán, Cano, Murillo e Valdés Leal. A entrada, grátis para os cidadãos da União Europeia, incentiva à visita.

Cabeça de Cristo - Museo de Bellas Artes

Depois de sair do Museo de Bellas Artes, não tinha muito tempo mais para aproveitar em Sevilha. O dia estava a acabar, já não havia muita claridade nas ruas. Acabei por entrar no centro histórico da cidade, andando calle atrás de calle, até chegar ao edifício da câmara municipal: o Ayuntamiento de Sevilha. A construção renascentista surpreende. Visitar o seu interior é possível. As visitas são guiadas, mas sujeitas a marcação antecipada.

Pelo centro histórico sevilhano

Ayuntamiento - fachada

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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