Beja, a capital do Baixo Alentejo

Está a decorrer até amanhã em Beja, capital do Baixo Alentejo, a 29.ª edição da Ovibeja, o certame anual mais importante em todo o Portugal dedicado à agricultura, produção de gado e pastorícia. E esse é o mote para falar, aqui no blogue, na velha Pax Júlia (Beja), como era bem conhecida entre os romanos, na época em que aquele império comandado a ferros parecia não ter limites.

Pax Julia (Beja) na Península Ibérica, Império Romano | D.R.

A cidade de Beja está localizada em plena região do Alentejo e tem quase 24 mil habitantes. O caminho mais rápido para lá chegar, de quem vem de Lisboa, é seguir o IP 8, que dará em breve lugar a uma futura auto-estrada. O IP 2, para quem vem do sul ou do norte, é também uma boa via rápida para chegar à capital de todas as planícies alentejanas.

Localização de Beja em Portugal | D.R.

Beja é uma cidade carregada de história: foi rica sob o domínio romano, como provam os belos arcos das portas de Avis e de Évora, no apogeu do visigótico (Igreja de Santo Amaro) e em plena dominação árabe, cujos vestígios são ainda bem perceptíveis no núcleo museológico da Rua do Sembrano.  O centro histórico da cidade, que se vê bem em apenas um dia, pode ser feito a pé ou numa das bicicletas que a Câmara Municipal de Beja disponibiliza a quem queira conhecer a cidade. E a melhor forma de começar a conhecer a cidade é rumando ao seu ponto mais alto, a Torre de Menagem do Castelo de Beja.

Castelo e torre de menagem

Castelo e torre de menagem

Castelo e torre de menagem - interior

Castelo e torre de menagem - interior

O castelo, reconstruído no reinado de D. Dinis, é um dos mais belos exemplos da arquitectura militar da Idade Média em Portugal. Com cerca de 40 metros de altura e quase 200 degraus, a torre de menagem do castelo é tida como a mais alta da Península Ibérica e é o local ideal para disfrutar da bela paisagem alentejana, a perder de vista, enquanto uma brisa suave nos toca na cara. E saindo do castelo há várias possibilidades de continuarmos o caminho: ou perdermo-nos no núcleo museológico da igreja de Santo Amaro, bem ali ao pé, ou passar pelas romanas portas de Évora e rumar até à Sé Catedral.

Mais uma foto da torre

Vista do Castelo para a Sé Catedral e Largo

Vista do Castelo para a Sé Catedral e Largo

Sé Catedral

Igreja de Santo Amaro, Núcleo Visigótico de Beja

Portas romanas

Destaque, contudo, merece a igreja da Misericórdia, situada em plena Praça da República. A igreja é um exemplar ímpar da arquitectura renascentista, de forte influência italiana. Do conjunto, sobressai a sua colunata de planta quadrada. Na mesma praça, há ainda a destacar as arcadas dos monumentos que ladeiam o espaço, bem como o pelourinho, mandado construir por D. Manuel após a concessão do foral da Leitura Nova em 1521 e onde figuram a tradicional esfera armilar e a cruz de Cristo em Ferro.

Praça da República

Igreja da Misericórdia

Pelourinho

Pormenor do pelourinho com esfera armilar e cruz de Cristo

Seguindo pela rua Abel Viana, chegamos à igreja de Nossa Senhora dos Prazeres/Museu Episcopal, cuja modesta fachada esconde a riqueza artística do interior. Aqui encontra-se um dos mais importantes repositórios de arte sacra da cidade e um conjunto de azulejos de grande beleza, composto por painéis historiados de 1698 da autoria do pintor Gabriel del Barco. O corpo da igreja encontra-se revestido por talha barroca e azulejos do século XVIII.

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres

Capela-mor

Tecto da nave

Fuga para o Egito, Gabriel del Barco, 1968

Passando pela praça da República rumo à Casa das Artes Jorge Vieira, é possível observarmos um dos melhores exemplares da cidade do estilo Manuelino, a janela da rua Afonso Costa ou rua das Lojas. A janela originalmente pertenceu a um edifício nobre que foi destruído, sendo posteriormente colocada na actual casa.

Janela manuelina

Já o Museu Jorge Vieira ocupa um espaço fundamental na dinâmica da cidade e é o lugar da arte contemporânea bejense. A coleção permamente, legada em vida pelo escultor Jorge Vieira, garante ao público a fruição de um vasto acervo artístico que permite conhecer o seu imaginário, aqui representado pelo desenho e escultura em mármore e ferro. Abaixo algumas imagens do espólio.

Museu Jorge Vieira - espólio

Museu Jorge Vieira - espólio

Museu Jorge Vieira - espólio

Praticamente ao lado da Casa da Artes, está o teatro municipal Pax Julia, um belo exemplar do gótico alentejano, e o núcleo museológico da Rua do Sembrano. A escavação nesta rua pôs a descoberto vestígios que se estendem, cronologicamente, desde a Pré-História até à época contemporânea. O conjunto mais importante dos elementos recuperados data da Idade do Ferro e tem grande relevância porque desmontou a tese de que Beja só havia sido habitada desde a época do império romano. Deste período foi identificado um troço de uma robusta muralha de pedra, que delimitava o perímetro do povoado antigo. Em cima desta muralha, foram assentadas mais tarde pelos Romanos uma termas que, pela sua reduzida dimensão, não terão sido públicas. Não é descartar, contudo, a hipótese de que pudessem ser exploradas em regime de aluguer pelo seu proprietário.

Teatro Pax Julia - fachada

Entrada do núcleo museológico da Rua do Sembrano

As escavações no núcleo museológico decorreram entre os anos de 1987 e 1995, tendo sido concluídas no ano de 2000 quando Beja foi selecionada como uma das cidade a incluir no programa Polis, que lavou por completo as faces de várias cidades do país. À entrada do núcleo, o destaque vai para um painel de azulejos do artista plástico Rogério Ribeiro. Não muito longe dali, o museu regional Rainha Dona Leonor, instalado no Convento de Nossa Senhora da Conceição, merece igualmente atenção durante a vista a Beja. O museu possui um importante espólio de onde se destacam, uma vez mais, colecções de pintura, azulejaria, arte sacra e pintura. Também é monumento nacional.

Painel de azulejos do núcleo museológico da Rua do Sembrano

Convento Nossa Senhora da Conceição, fachada

Convento Nossa Senhora da Conceição, fachada

Percorrendo as apertadas e estreitas ruas do centro histórico de Beja, não se pode deixar de ver as igrejas do Salvador e de Santa Maria, bem como o Convento de São Francisco e a Casa da Cultura (Bedeteca). Infelizmente, durante a minha estadia curta na cidade, a maior parte destes monumentos estavam encerrados, pelo que só foi possível conhecê-los do exterior.

Centro histórico de Beja

Igreja de Santa Maria

Igreja do Salvador

Villa romana de Pisões:

Se ainda houver tempo, a villa romana de Pisões merece uma visita rápida. O local é de difícil acesso (por uma estrada de terra batida) e não está cuidado. Mete dó ver o abandono deste importante vestígio romano. A villa, descoberta acidentalmente em 1967, foi ocupada entre os séculos I e IV depois de Cristo e compreende um significativo número de divisões (mais de 40), dispostas em torno de um peristilo de quatro colunas, que dá acesso a outras salas, uma das quais com um pequeno lago central. Os mosaicos da villa são a componente mais preciosa do lugarejo, que tem ainda um edifício termal, que denota duas fases distintas de construção.

Pisões - entrada

Vista de Pisões, com destaque para o peristilo

Mosaicos

Imensa piscina de Pisões

Complexo termal

Para chegar ao lugar, basta apanhar a circular externa da cidade e sair em direcção a Aljustrel. Depois de mais ou menos 4 minutos de caminho, é necessário virar à direita e seguir por um caminho de terra batida até ao local.

Conselhos úteis:

  • Beja não é uma cidade cara. Oferece boas opções hoteleiras e uma farta gastronomia, que merece destaque. Aconselho os restaurantes do Frango à Guia, perto da maior superfície comercial da cidade, e d’O Alentejano, próximo do Convento de Nossa Senhora da Conceição.
  • A cidade é muito quente no Verão (Junho a Outubro), com temperaturas que passam frequentemente os 40ºC. É ideal levar calçado prático e muita água.
  • A melhor forma de a visita correr bem é rumar ao posto de turismo, situado no interior do castelo de Beja. As informações práticas e os folhetos informativos são de louvar.
  • Evitar conhecer a cidade num Domingo (como eu), porque a maioria dos monumentos está encerrado ao público. Uma pena, a meu ver.
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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