Roma: uma tarde bem passada em torno da Via del Corso

Os posts sobre Roma não têm sido escritos de acordo com o itinerário que apresentei na primeira entrada sobre o tema. Na verdade, tenho o modo de contar como foi esta viagem bem arrumada na minha cabeça e julgo que essa arrumação obedece a uma lógica bem interessante. É por isso que hoje decidi dedicar o post às caminhadas que fiz em torno da Via del Corso e que, basicamente, obedeceram ao quarteto Piazza Navona (que deixarei para o post seguinte, que vou dedicar às piazzas mais famosas da capital romana), Panteão, obelisco e igreja de Santa Minerva e, naturalmente, à Fontana di Trevi.

Depois de ter visitado a Piazza Navona, o objectivo era chegar ao Panteão. Almoçar por aquela zona seria o mais adequado. A solução foi atravessar a Corso Rinascimento, passar pela Piazza Sant’Eustachio (onde o melhor café e cappuccino podem ser bebidos em Roma) para me deixar render pelos encantos do Panteão. E, quando o vi, acho que ia tendo um baque. Acho que foi o primeiro sinal que senti de que estava mesmo em Roma, a ver tudo aquilo que sonhei uma vida inteira ver.

Piazza della Rotonda, com Panteão

E o almoço foi comido mesmo ali: uma deliciosa Carbonara na própria Piazza della Rotonda (de que falarei também no post seguinte). Foi durante a visita ao Panteão que senti verdadeiramente na pele os graus negativos que assolavam a cidade na altura do ano em que a visitei: o interior do monumento parecia uma verdadeira arca frigorífica, com as vastas colunatas e paredes de pedra e sem nenhuma iluminação solar… Não desarmei, contudo, e ainda consegui explorar bem o edifício. Isto, claro, até o frio me vencer.

À entrada do Panteão

O Panteão é um templo pagão doado ao papa Bonifácio IV em 608 pelo imperador Focas que não suspeitava de que com este gesto estaria a preservar até aos dias actuais este que é considerado um dos prodígios da Roma Antiga e que permaneceu mesmo inalterado sob a sua nova aparência de igreja cristã de Santa Maria dos Martyres. A estrutura foi concebida alguns séculos antes pelo imperador Adriano tendo sido ao longo dos anos seguintes alvo de saques: Urbano VIII, pasme-se, mandou fundir os imensos painéis de bronze do pórtico para o canhão do Castel de Sant’Angelo.

A famosa cúpula

Perspectiva do Panteão

A maior atracção do Panteão é a sua cúpula, a maior do seu género na Europa, sendo tão alta quanto larga, com precisamente 43,3 metros. Mas o pórtico de entrada também surpreende, não fosse ele um imenso frontão triangular suportada por colunas de granito cor-de-rosa e cinza. As portas de bronze são tecnicamente originais, mas foram praticamente refundidas durante as obras de restauro levadas a cabo por Pio IV. As gélidas paredes têm mais de 6 metros de espessura e incorporam arcos de tijolo que suportam o peso da estrutura. Mármores antigos adornam o interior, que tem no túmulo de Rafael a sua maior atracção. Está aberto das 08:30 às 19:30, sendo o horário ligeiramente reduzido aos fins-de-semana.

Túmulo de Rafael

Nas traseiras do Panteão está a igreja Santa Maria sopra Minerva, erguida por volta de 1280 sobre um antigo templo dedicado a Minerva. É a única igreja romana de estilo gótico florentino. Mesmo à sua frente, está o Obelisco do Elefante, de Bernini, um exemplo da sua faceta mais divertida. Foi esculpido em 1667 seguindo ordens do próprio Bernini, sendo uma referência irónica aos elefantes de guerra do líder cartaginês Aníbal.

Interior Santa Maria sopra Minerva

Obelisco do Elefante, Bernini

A melhor gelataria de Roma, a Giolitti, está situada na Via degli Uffici del Vicario, muito próxima da Piazza della Rotonda. Os gelados deste estabelecimento, café desde  século XIX, são considerados os melhores da capital italiana. Bem, eu não tenho muito do que me queixar, dado que mesmo com temperaturas próximos dos 0 graus consegui a façanha de comer um cone com três bolas de gelado. Uma delas, tinha a stracciatella de que tanto gosto.

Prestes a chegar à Giolitti

Ainda a pingar gelado por todo o lado, cheguei, por acaso, ao Parlamento italiano, onde uma parafernália imensa de Carabinieri parecia proteger Mário Monti, o primeiro-ministro italiano, da impopularidade das medidas de austeridade que estavam a ser decididas ali mesmo. Modéstia à parte, o nosso parlamento em Portugal é bem mais elegante.

Carabinieri e Parlamento italiano

Depois de passar a Piazza Colonna e a Via del Corso, já só tinha um destino: a Fontana di Trevi. Dei com ela muito facilmente, mas não teve o impacto que pensei que fosse ter. A chegada é feita por ruas laterais e um mar de gente (sobretudo asiáticos) tira o “tesão” por assim dizer à coisa. Era muita gente, mesmo com as temperaturas gélidas do fim de Fevereiro. Mas quando consegui ver o efeito que a Fontana provoca, de frente, parei no tempo. Fiquei ali por muito, mas muito tempo.

Fontana di Trevi (a foto possível)

Diz a tradição que quem atira moedas a esta fonte garante o seu regresso a Roma. Acho que devo voltar à capital romana pelo menos mais quatro vezes, dadas as vezes que atirei moedas para o local. Originalmente, a tradição passava por beber água directamente da fonte. A fontana, criada por Nicola Salvi em 1732, está engenhosamente enxertada nas traseiras de um palazzo e assinala o fim do aqueduto de Acqua Vergine, construído por Agrippa no século XIX a.C., a partir de uma nascente milagrosamente descoberta por uma virgem. Graças ao cinema, a fontana é hoje dos monumentos mais conhecidos e associados a Roma.

Jogando a tradicional moedinha

Com a noite já a cair, a solução foi rumar ao hotel para um duche revigorante e uma troca de roupa. O jantar seria comido paredes-meias com a Fontana di Trevi. A pizza doce com molho de Nutella estava divinal.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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