Roma: as piazzas e obeliscos mais fascinantes

Roma tem quatro ou cinco piazzas (praças) cuja visita é imprescindível quando estiver na capital italiana. As praças são importantes para o quotidiano dos romanos não fossem elas locais de encontro tão barulhentas e divertidas quanto sumptuosas e fascinantes. E todas elas, salvo raras exceções, têm os seus obeliscos, ora egípcios ora romanos.  Estes eram vistos como pontos de referência para os peregrinos que visitavam a cidade no passado.

Uma destas combinações mais interessantes é a que dá as boas-vindas ao visitante do Panteão: a Piazza della Rotonda. Desta já falei um pouco no post anterior. O ideal será parar um pouco nos restaurantes que estão a toda a sua volta, beber café e deliciar-se com aquele que é um dos cartões-postal da capital romana. E, bem, o obelisco egípcio é de tirar o fôlego: tem 6 metros e foi transportado para Roma por Domiciano.

Piazza della Rotonda

Obelisco

Ali, praticamente, ao lado, é possível contemplarmos a Piazza Navona, que eu achei uma obra-prima no meio das ruas estreitinhas de Roma. É considerada a mais bela praça da cidade. Oval, está cheia de cafés, atores e artistas de rua, turistas, crianças a brincar e fontes. O grande mestre, Bernini, desenhou a Fonte dos Quatro Rios, no centro da piazza, e acrescentou a figura do Mouro à fonte sul, que, tal como a terceira fonte, sofreu com as constantes alterações nos sécs. XVI e XIX. Como não podia deixa de ser, também esta piazza tem agarrada consigo um obelisco. Este tem mais de 16 metros de altura e, bem, encontra-se no local atual porque mais um papa, Inocencio X, se lembrou de que o efeito ficaria bem quando conjugada com o que a piazza apresentava.

Fonte dos Quatro Rios, P. Navona

Fonte dos Quatro Rios, P. Navona

Piazza Navona

Piazza Navona

Um pouco mais acima no mapa, o destaque vai para a piazza/scalinata di Spagna e para a Piazza del Popolo. A primeira impressiona pela quantidade de degraus que nos leva até à igreja de Trinità del Monti. Mas cá em baixo, bem próxima do começo da escadaria, está outra fonte desenhada por Bernini e seu filho, em 1629: a Barcaccia. No cimo da escadaria, paredes-meias com a igreja Trinità dei Monti, é possível ter uma das melhores vistas sobre a cidade de Roma. Na altura em que visitei a cidade, os telhados estavam ainda cobertos de neve. Melhor seria impossível. A meio desta escadaria, como não poderia deixar de ser, um outro obelisco:  este tem 30 metros e foi copiado pelos romanos de um original egípcio. Foi doado ao papa Clemente XII em 1733, mas só com Pio VI seria erguido em frente à igreja dei Trinità dei Monte.

Scalinata di Spagna

Trinità dei Monti com obelisco

Barcaccia, Bernini

Vista de Roma desde Trinità dei Monti

Mas, para mim, a piazza del Popolo consegue ser ainda mais fascinante que a piazza di Spagna. Mais boémia e cosmopolita, esta piazza ampliou em 1811-23 o espaço que a cidade tinha para as principais festas e execuções publicas. No centro da praça está um obelisco egípcio (Flaminio) transferido do Circus Maximus. Por trás estão duas igrejas semelhantes entre si que datam da segunda metade do séc. XVII. Na altura em que a conheci decorriam as comemorações do Carnaval. Uma outra igreja, a del Popolo (e que merece post à parte aqui no Desporto: Viajar), também tem o seu encanto. E foi um colorido a mais para os meus olhos. Dali, é possível chegar também ao Pincio, onde se obtém outra das mais belas vistas sobre a cidade-

Piazza del Popolo

Piazza del Popolo

Vista sobre Roma, Pincio

Há muito mais praças e obeliscos em toda a cidade. Passei por alguns, admirei outros com mais atenção e alguns nem sequer os vi. Não tive tempo. A piazza di Campo de’ Fiori e a de San Lorenzo são as mais emblemáticas. Há, claro, a piazza de San Pietro, no Vaticano, mas essa deixarei para quando falar do local, mais à frente. Já os obeliscos não citados anteriormente não têm conta: desde o obelisco Vaticano ao da villa Medici (que não vi), passando pelo de Montecitorio, del Quirinale, Esquilino, da Villa Celimontana e de Dogali, enfim, são muitos e não se contam pelos dedos.

Este cruzamento super interessante de piazzas com obeliscos dá um colorido a mais a Roma. Não tinha ficado desperto para o assunto no primeiro e segundo dia de visita, mas no terceiro, quando estava na piazza del Popolo, a conjugação tornou-se demasiado evidente. E, por motivos religiosos ou apenas por ganância e ostentação, tal como me explicaram, a verdade é que Roma tem aqui uma dualidade de grandes obras que evidencia bem a intervenção de grandes arquitetos e que transformou, para todo o sempre, o aspecto urbanístico da cidade.

Nota: Tentarei ser mais mais rápido a atualizar o blogue no futuro. Na verdade, tive imenso trabalho nas duas semanas passadas e desleixei-me, ausentando-me mais do que devia daqui. Obrigado.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “Roma: as piazzas e obeliscos mais fascinantes”

  1. Milena F. says :

    Adorei as piazzas de Roma, são belas e animadas, mas a minha preferida foi a Piazza della Rotonda à noite… As cores do Panteão à noite são sublimes!!! Inesquecível!!!

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    • Desporto: viajar says :

      Oi Milena. De facto, as piazzas romanas são fascinantes. Pelo menos são completamente diferentes das portuguesas: mais elegantes e sumptuosas. A do Popolo caiu nas minhas graças, mas a de Spagna também Já para não falar da de São Pedro, no Vaticano, que me fez ter quase um baque. Linda demais.

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