Cidade do Vaticano: o museu Pio-Clementino

De entre o conjunto de museus do Vaticano, o museu Pio-Clementino foi aquele que considerei mais interessante. Além de ser o mais antigo e de ter no seu acervo algumas das principais obras de arte de que sempre fomos ouvindo falar, geralmente é o primeiro a ser visitado e aquele que, forçosamente, acaba por receber maior atenção de quase todos os turistas. Há menos cansaço à mistura e mais paciência e predisposição para a arte. Comigo não foi diferente.

Museo Pio-Clementino

O museu Pio-Clementino deve o seu nome a dois pontífices: a Clemente XIV, que foi o seu fundador, em 1771, e a Pio VI, que o concluiu. O primeiro amadureceu e realizou a ideia de um novo museu situado no palácio de Belvedere de Inocêncio VIII, tendo-o transformado para este propósito. Já o segundo completou e concluiu o projecto, sempre com a ajuda do arquitecto Michelangelo Simonetti. Viria a ser o responsável pela fusão de obras gregas e romanas com as da antiguidade.

A antiga colecção de esculturas do século XVI, de que já havia falado anteriormente aqui no Desporto: Viajar, transformou-se num grande museu, embora o espólio não se apresente segundo uma determinada ordem cronológica. O museu tem três grandes núcleos de obras: as estátuas e retratos, as obras relacionadas com os rituais funerários (sarcófagos e afins) e os mosaicos. Jardins e pátios completam o ambiente. O objectivo passa por fazer mergulhar o visitante-turista na mais completa Antiguidade ao longo das suas 54 salas de exposição.

Uma das mais interessantes é a do Gabinete de Apoxiomenos, que tem na sequência a famosa escadaria de Bramante, considerada uma jóia da arquitectura barroca. A estátua de Apoxiomenos data do século I d.C. e é uma cópia fiel romana de um atleta de Lisipo no momento em que realiza a higiene depois de uma intensa competição.

Estátua de Apoxiomenos

Escadaria de Bramante | D.R.

Voltando um pouco atrás no museu, é possível chegar ao Pátio Octogonal, o coração do primeiro núcleo histórico dos museus vaticanos. Originalmente, o pátio era um jardim quadrado adornado com alguma estatuaria que Julio II quisera monumentalizar com um desenho de Bramante. Aqui primam os célebres gabinetes de Apolo, com a estátua de Apolo “del Belvedere”, e de Laocoonte, onde domina a estátua com o mesmo nome. Há ainda a destacar, no pórtico sul, a estátua “Rio Tigri”, uma cópia romana do séc. II d.C. de um protótipo helenístico, a estátua de Hermes del Belvedere, a de Perseo, de Canova, e a da Vénus Felix, no pórtico norte.

Apolo del Belvedere

Rio Tigri

Laocoonte

Perseo | D.R.

Hermes de Belvedere D.R.

Venus Felix | D.R.

Outro destaque do museu Pio-Clementino é a sala dos Animais, um autêntico zoo de mármore, cuja estatuaria seria restaurada por inteiro no séc. XVIII. A galeria das Estátuas, a sala dos Bustos e das Musas também merecem a atenção detalhada do visitante. Destaco ainda, pela belíssima cúpula de cobertura, obra de Michelangelo Simonetti, a sala Redonda, com a sua estátua colossal de Cláudio como Júpiter, e a sala da Cruz Grega, onde um grande mosaico instalado no centro acaba por sobressair do conjunto.

Zoo de mármore, sala dos Animais

Animais, zoo de mármore

Herma de Pericles, sala das Musas

Torso de Belvedere, sala das Musas

Sala Redonda

Heracles

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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