Egito: Dia 2 – Luxor, a Meca dos turistas no vale do Nilo

Luxor, ao amanhecer

Ainda mal tínhamos pegado no sono e já estávamos a ser, literalmente, “acordados”. Eram 04:30 da manhã e uma hora depois tínhamos de estar prontos para sair do navio e conhecer a fabulosa Luxor. No Egito os dias amanhecem muito cedo e é aconselhável visitar os monumentos e outros locais de interesse logo nas primeiras horas do sol sob pena de não apanhar temperaturas a rondar os 50 graus. E assim foi.

Cruzeiros atracados nas margens de Luxor, rio Nilo

A primeira sensação de que me recordo assim que saí do navio, e a caminho do autocarro que nos ia levar até ao primeiro templo, o de Karnak, foi de um cheiro a incêndio e a lixo no ar. Chegava a ser tão irritante e intenso que me provocou, também literalmente, coceira nos olhos e na garganta logo nos primeiros minutos do dia.

Luxor ganhou grande importância como Meca dos turistas do vale do Nilo, não tivesse sido ela construída no local da antiga Tebas, a capital do império Novo do Egito Antigo (1550 – 1609 a.C.). As escavações lideradas por arqueólogos europeus no séc. XIX e início do séc. XX, sobretudo a descoberta do túmulo de Tutankhamon, no Vale dos Reis, despertaram o interesse internacional pela cidade e, desde então, os visitantes vêm admirar a sua impressionante colecção de ruínas, de onde sobressaem os templos de Karnak e de Luxor. Hoje, aliás, a subsistência da população (quase meio milhão de pessoas) depende quase exclusivamente do turismo.

Localização de Luxor no Egito

Do navio até ao complexo de Karnak foi mais ou menos meia hora. Pelo caminho, passámos pela fabulosa corniche de Luxor e víamos, na outra margem de Luxor, balões de ar quente levantarem no ar, sobre as necrópoles de Tebas. Mas, apesar de a paisagem ser luxuriante de um lado, em torno do autocarro as ruas continuavam a ser sujas, com lixo amontoado em todos os cantos, pessoas descalças, casas inacabadas… E essa história de que as pessoas não constroem os telhados das casas devido ao maior número de impostos é balela. Os egípcios simplesmente não colocam um tecto nas suas casas porque não necessitam dele. Senão chove há anos em certas partes, então para quê terminar a casa?

Pelas ruas de Luxor

A caminho do templo de Karnak

A chegada ao complexo de Karnak foi feita ao amanhecer. O sol raiava por entre os inúmeros pátios, salas e colossos. O complexo de Karnak, que contém no seu interior o templo de Amon, o rei dos deuses, é verdadeiramente impressionante. Alvo de sucessivas ampliações desde o seu modesto início, na 11.ª Dinastia, o templo esteve soterrado pela areia por mais de um milénio, pelo que, até hoje, continua a tarefa hercúlea de o restaurar.

À entrada do templo de Karnak

Friso de esfinges em Karnak

Sol a irradiar no templo

Os colossos, em Karnak

Do complexo de Karnak e templo de Amon seguimos para o templo de Luxor. Com as suas impressionantes colunatas, este templo é um dos mais impressionantes do tempo do Antigo Egito. No centro da cidade moderna, o templo, que domina por completo o Nilo, foi construído para homenagear a tríade de Tebas: Amon, Mut e Khonsu. Apesar de este ter sido modificado sucessivas vezes, o seu design soube manter-se surpreendentemente coerente, em contraste com aquilo que sucedeu no templo de Karnak.

Entrada no templo de Luxor

Templo de Luxor

Depois da visita aos templos de Karnak e de Luxor, era altura para partir para a necrópole de Tebas. Já deviam fazer uns 35 graus às 10 horas da manhã. Um calor verdadeiramente insuportável. Como as pontes não abundam entre as duas margens do rio na cidade, a solução foi apanhar umas barquetas (contribuindo assim para ajudar a população local) e cruzar o Nilo. A solução permitiu-nos poupar cerca de 40 minutos de viagem até ao vale dos Reis. Este local, por ser onde se encontrou o túmulo de Tutankhamon, era aquele que eu mais aguardava em todo o dia.

Cruzando o Nilo para chegar a Tebas

A fertilidade do Nilo e as montanhas áridas do Vale dos Reis

Infelizmente, não é permitido fotografar e o bilhete permite entrar apenas em três dos 42 túmulos encontrados nesta necrópole dos faraós do Império Novo. Os faraós, a partir de Tutmósis I (1500 a.C.) mandaram escavar os seus túmulos nas montanhas de Tebas para impedir saques e roubos dos seus tesouros. De pouco ou nada lhes valeu.

Do Vale dos Reis seguimos depois para o templo de Hatshepsut, local do fatídico atentado terrorista que, em 1997, matou 70 pessoas e feriu mais 24. As medidas de segurança foram reforçadas em todos os monumentos no Egito depois deste terrível golpe na indústria do turismo do país. No caminho entre o vale dos Reis e este templo vimos inúmeros túmulos escavados nas montanhas desertas e áridas. Em alguns casos, as pessoas construíram as suas casas em cima dos túmulos dos familiares e recusam-se a dali sair por quererem saquear e roubar os inúmeros tesouros que por ali ainda se encontram escondidos.

Eu, no magnífico templo de Hatshepsut

Depois do templo de Hatshepsut, passámos rapidamente, sem sair do autocarro, pelo Rameseum, o templo funerário do faraó Ramsés II, rei do Egito durante 67 anos na 19.ª dinastia. Grande parte deste complexo está hoje em ruínas. Partes do colossos de Ramsés II, que tinha 18 metros de altura e mil toneladas, encontram-se espalhadas pelo complexo. Este incluía ainda um templo dedicado à mãe de Ramsés II, Tuya, e à sua mulher, Nefertari, além de um palácio real e salas de armazéns.

Passando pelo Rameseum

Ali perto estão situados os colossos de Mémnon, a nossa última paragem nessa manhã antes de rumarmos ao navio e prosseguir viagem para o sul do Egito. As duas estátuas de Amenthotep III, cada uma com 18 metros de altura, estão sentadas no trono e originalmente guardavam o seu templo funerário, que se suspeita ter sido o maior de sempre na história do Egito. O templo foi, à semelhança de todos os outros, saqueado pelos faraós posteriores, que pretendiam o material para construção, e destruído pelas cheias anuais. Os dois colossos, mesmo sem rosto, são uma visão impressionante. Durante o período romano, a estátua mais a norte tornou-se uma popular atracção turística, pois ouvia-se cantar ao nascer do sol. O imperador Adriano veio mesmo ver esse fenómeno. Os gregos já tinham atribuído o som à lendária figura de Mémnon a saudar a sua mãe Eos, deusa do amanhecer, com um suspiro todas as manhãs. Depois de ter sido restaurada pelo imperador Sétimo Severo, em 199 d.C., os sons deixaram-se de ouvir.

Os fabulosos colossos de Mémnon

Com o início da tarde a chegar e o sol a apertar, seguimos em direcção até ao navio, onde iniciámos nessa tarde a navegação pelo Nilo. O próximo destino, na manhã seguinte, seria a cidade de Edfur, depois de ultrapassada a comporta de Esna.

Locais de visita em luxor | D.R.

Locais de visita em luxor | D.R.

NOTA: Não vou entrar em detalhes quanto à navegação pelo Nilo porque prefiro fazer uma entrada específica destinada a esse tema mais à frente. Mais tarde se perceberá porquê.

NOTA 2: Optei por não me prender muito em detalhes com a descrição dos templos de Luxor, Karnak e Hatshepsut, bem como do Vale dos Reis, porque cada um deles vai merecer um post específico aqui no Desporto: Viajar. E são esses quatro convites que deixo para as próximas entradas aqui no blogue. Até lá.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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