Egito: A imponência de Karnak e o templo de Amon

O complexo de Karnak, situado na antiga Tebas, foi durante vários séculos o centro religioso mais importante e influente do Egito. Dedicado ao deus Amon, na 11.ª Dinastia, o complexo é na verdade constituído por um conjunto de templos onde se veneravam também vários outros deuses. Mais de três dezenas de faraós acabaram por contribuir com as suas construções para converter este complexo no local mais antigo (pelo menos até ao momento) da história de toda a Humanidade. Na 19.ª Dinastia, estima-se que mais de 80 mil homens trabalhavam no local desempenhando múltiplas funções, desde operários e servos a guardas e sacerdotes. Tal como referi no posto anterior do Desporto: Viajar, o complexo esteve soterrado por areia durante um milénio, pelo que até hoje continua a enorme tarefa de restauro. É considerado, inclusive, património mundial pela UNESCO desde 1979.

Planta do complexo de Karnak, à entrada

Planta do complexo de Karnak, à entrada

No centro do complexo fica o templo de Amon, dedicado ao rei dos deuses. Na entrada, um conjunto de esfinges com cabeça de carneiro e corpo de leão, representando o deus Amon, dá as boas-vindas ao visitante. Nas patas de cada uma delas, o destaque recai sobre as estátuas em forma de Osiris, carregando, cada uma nas suas mãos, a cruz da vinda (Ank).

Entrada do templo de Amon, em Karnak

Entrada do templo de Amon, em Karnak

Coluna de esfinges

Coluna de esfinges

Osiris e a Ankh

Osiris e a Ankh

O acesso ao primeiro pátio faz-se atravessando uma porta gigantesca, o primeiro pilone. No interior, ainda é possível ver o que restou de um conjunto de dez colunas, sobre as quais assentava o tecto do edifício. A toda a volta, mais colunas, bem como os túmulos de Séti II, dedicado à tríade dos deuses de Tebas, Amon, Mut e Jonsu, e de Ramsés III. Abaixo, pormenor da foto do colossos de Ramsés III.

O pátio, depois do primeiro pilone

O pátio, depois do primeiro pilone

Entrada para o túmulo de Seti II

Entrada para o túmulo de Seti II

Colossos de Ramses

Colossos de Ramses III

Mas é na grande Sala Hipostila, depois de ultrapassado o segundo pilone, que recai o destaque do templo de Amon, em Karnak. Suportada por 134 colunas, a sala, bem como as suas paredes, estão cobertas de milhões de hieróglifos egípcios, alguns conservando até aos dias de hoje as suas cores. E há partes onde o tecto ainda permanece, com mais hieróglifos e suas cores variadas.

Grande Sala Hipostila

Grande Sala Hipostila

Colunas e hieroglifos na Grande Sala Hipostila

Colunas e hieroglifos na Grande Sala Hipostila

Tecto ainda conservando hieroglifos

Tecto ainda conservando hieroglifos

Depois deste espaço, há um outro logo adiante que ainda conserva um dos quatro obeliscos iniciais do complexo de Karnak, mandados construir por Tutmosis I e II. Os egípcios chamavam a estas enormes “agulhas de pedra”, «Tejen», que significa, literalmente, raios de luz, ou seja, os primeiros locais na Terra onde pousaram os raios do sol durante a criação do mundo. E estes objectos imensos que podem ser vistos igualmente em vários locais do planeta, como em Roma, estão repletos de teorias sobre a sua concepção, transporte e colocação milimétrica, em perfeita orientação com os pontos cardeais.

O único obelisco que resta

O único obelisco que resta

Sobre a colocação em pé dos obeliscos egípcios, que eram transportados de forma desmontada pelo rio Nilo acima, depois de imensos blocos de pedra serem esculpidos em Karnak, os egiptólogos dizem que o “pequeno truque”, pasme-se, passava pela construção de uma rampa de areia e de barro, para onde se deixava cair lentamente o obelisco. Com uma série de homens e de cordas, que conduziam meticulosamente o processo, o objecto era erguido. No local, ainda se vê o topo de um obelisco no chão, em formato de pirâmide triangular.

Sob a sala do Grande Templo Festivo, situado atrás do pátio central, recaem, também tradicionalmente, os olhares dos turistas em Karnak. A sala central, mandada erguer por Tutmosis III, assemelhava-se à tenda onde este habitualmente vivia quando se encontrava em viagem.

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Eu, no pátio central do templo de Amon

Hieroglifos representando batalhas no Grande Templo Festivo

Hieroglifos representando batalhas no Grande Templo Festivo

Durante esta visita ao complexo, não explorámos a zona dos pilones VII a X, pelo que não vi o lago sagrado. Não havia tempo. Ainda assim, o nosso guia egiptólogo afirmou que o local tinha como função a purificação dos sacerdotes antes de realizarem os rituais no templo. O Mohammed (assim se chamava o guia) enfatizou ainda a existência de um enorme escaravelho em pedra, construído a norte do lago por Amenthotep III.

Esquema do complexo de Karnak, com o templo de Amon no centro | D.R.

Esquema do complexo de Karnak, com o templo de Amon no centro | D.R.

Informações úteis:

  • Localização: 3 km a nordeste de Luxor
  • Horários: No verão, diariamente aberto das 6h às 17h. No inverno, diariamente das 6h às 16:30
  • Preço: 65 LE (Outubro 2012) ou 8,08€
  • Outras informações: três espectáculos de luz e de som realizam-se diariamente no local a partir das 20h e das 18:30 no inverno. Os pormenores da língua e do horários podem ser consultados aqui.
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

3 responses to “Egito: A imponência de Karnak e o templo de Amon”

  1. Guilherme Cezar Filho says :

    Olá,

    Meu nome é Guilherme, sou brasileiro e vivo no Rio de Janeiro.
    Irei ao Egito em maio, e tenho procurado me informar sobre o que irei ver, para ao ver entender melhor.
    Dentre os blogs que visitei, o teu é o que considero mais legal. Parabéns pela sua construçao.
    O que li postado por voce tem sido muito ilustrativo para mim, mas não encontro uma sequencia sobre o Egito.
    Poderia me enviar links para todas as tuas páginas (sobre o Egito) ?
    Muito agradecido,
    Guilherme

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