Egito: Dia 3 – Hórus e Sobek, as boas-vindas em Edfur e Kom Ombo

Depois da frenética jornada em Luxor, onde vi o Vale dos Reis, os colossos de Mémnom e os templos de Karnak, Luxor e de Hatshepsut, o ritmo não abrandou na manhã do terceiro dia da minha viagem ao Egito. O navio tinha deslizado toda a tarde e noite anteriores pelo rio Nilo, tendo passado as comportas de Esna e atracado na cidadezinha de Edfur nessa madrugada.

Vista da cidade de Edfúr, desde o navio no Nilo

Vista da cidade de Edfúr, desde o navio no Nilo

A cidade de Edfur, situada praticamente a meio de Luxor, localizada a norte, e de Aswan (Assuão), a sul, foi um importante lugar para a civilização egípcia porque foi aqui que o deus-falcão, Hórus, travou uma batalha contra o seu tio Seth, que havia assassinado Osíris, pai de Hórus. O lugarejo, por aquilo de que me pude aperceber, vive do turismo e a máquina do sector localmente está tão bem oleada que o trajecto entre os navios atracados e o templo da cidade (o motivo da nossa paragem ali) é feito utilizando uns riquexós desgovernados guiados por egípcios ávidos de agradar ao turista e, assim, ganhar mais uma bakshish (gorjeta).

Riquexós aos montes à espera dos turistas

Riquexós aos montes à espera dos turistas

Connosco não foi muito diferente. Mal saímos dos navios e entrámos neste meio de transporte alternativo, juro que inicialmente temi um pouco pela minha vida. O cavalo avançava desgovernado ao som de um egípcio que ecoava “Dejen passar mi Ferrari”… Ríamo-nos e olhávamos uns para os outros, mas mal desviávamos o olhar para os lados o pânico instalava-se. O panorama era assustador: poeira no ar, estradas em terra batida e esburacadas, cheiro intenso, pessoas sujas e a caminharem no meio do trânsito e milhares e milhares de riquexós a circularem neste trajecto entre os navios atracados e o templo, que não deve ter demorado mais de 20 minutos.

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Turistas temendo pela vida, como nós

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O nosso “piloto”

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Ruas de Edfúr I

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Ruas de Edfúr II

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Chegando ao templo

Passado o susto, o baque à chegada do local que nos interessava foi grande. De perto, o templo ia aparecendo lentamente, sempre mais e mais imponente. E junto à entrada, o guia confirmou aquilo que eu suspeitava. Este não é um dos maiores templos ao longo do rio Nilo, senão mesmo o maior e o mais bem conservado entre todos eles. De estilo ptolomeico, esteve escondido por areia e sedimentos por mais de 2 mil anos. Mandado construir por Ptolomeu III, em 237 a.C., o complexo principal deste templo demorou duas décadas e meias a ficar de pé.

A caminhar em direcção ao templo

A caminhar em direcção ao templo

Os egiptólogos têm grande interesse por este monumento porque ele é um dos que se assemelha mais aos templos faraónicos daquela época. O primeiro pilone, com 36 m de altura, está decorado com cenas de Ptolomeu XII a derrotar os seus inimigos perante Hórus e Hátor. Duas grandes estátuas de Hórus em granito preto ladeiam a entrada do pilone, que conduz a um amplo pátio com colunata e à primeira sala hipostila. Por trás desta fica uma segunda, mais pequena, com câmaras para um dos lados. Nestas salas eram guardados os presentes para os deuses antes de serem levados para a sala das oferendas.

A imponência do templo de Edfúr

A imponência do templo de Edfúr

O pátio principal, passado o primeiro pilone

O pátio, passado o primeiro pilone

Colunas do templo

Colunas do templo

Templo de Edfúr completamente pintado e decorado (suposição)

Templo de Edfúr pintado e decorado

Sala das oferendas

Sala das oferendas

Um dos primeiros mapas de todo o Egito

Um dos primeiros mapas do Egito

Eu e estátua de Hórus

Eu e estátua de Hórus

Depois da visita ao templo e antes de regressarmos ao navio, ainda tivemos de passar pelo exasperante processo de dizer várias vezes que não aos egípcios que tentavam vender as suas bugigangas a preços que desciam consideravelmente a cada recusa nossa. Inicialmente engraçado, que foi o sentimento que tive no dia anterior, a coisa tornou-se de tal modo enervante que ao fim de dez dias de viagem já não suportava encarar gente a tentar regatear preços connosco. Uma tortura.

A navegação prosseguiu pelo Nilo sempre em direcção ao sul do Egito até chegarmos à vilazinha de Kom Ombo, às 16 horas dessa tarde. Os circuitos turísticos no local estão organizados de modo a que os turistas vejam o magnífico pôr-do-sol no Nilo a partir do templo de Kom Ombo, o motivo da nossa paragem no local. Trata-se, ao fim ao cabo, do único templo do Egito construído praticamente em cima do Nilo. E, chegada essa hora, o momento é verdadeiramente avassalador. As fotos aqui poderão falar melhor que as palavras.

O pôr-do-sol em Kom Ombo II

O pôr-do-sol em Kom Ombo I

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O pôr-do-sol em Kom Ombo II

O templo greco-romano da vila está muito destruído, não tivesse este sobrevivido a vários terramotos. O edifício do templo é totalmente simétrico com duas entradas, duas salas e dois santuários. Esta estrutura invulgar deve-se ao facto de o templo ser dedicado a dois deuses: o lado esquerdo é dedicado ao deus-falcão Haroeris (Hórus, o velho) e o direito ao deus-crocodilo, Sobek. A sua construção foi iniciada por Ptolomeu VI no séc II a.C. e terminada no século seguinte por Ptolomeu XII. O imperador romano Augusto acrescentou-lhe o pilone da entrada por volta de 30 a.C. As muitas colunas foram esculpidas ainda com a flor-de-lis do alto Egito e o papiro do Delta.

Templo de Kom Ombo

Templo de Kom Ombo

Vestígios do que teria sido este templo antes dos terramotos

Vestígios do que teria sido este templo antes dos terramotos

Sobek, deus-crocodilo, nas paredes do templo de Kom Ombo

Sobek, deus-crocodilo, nas paredes do templo de Kom Ombo

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Já caída a noite, ainda tivemos uma hora para deambular pelo mercado (claro, mais um por estas bandas), que separava o templo da zona onde os navios estavam atracados. Praticamente fomos comidos vivos pelos vendedores locais que queriam impingir-nos compras à força. Já disse que tudo isto era exasperante?

Não conseguimos descansar muito nessa noite: houve festa rija a bordo do navio. E ainda tivemos de acordar desumanamente cedo no dia seguinte. Destino: Abu Simbel, a 70 km da fronteira sul do Egito com o Sudão, a partir de Aswan, onde chegaríamos já de madrugada.

Informações úteis:

Templo de Edfur

  • Localização: 115km a Sul de Luxor, 104 km a Norte de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 50 LE (Novembro de 2012) ou 6,14€

Templo de Kom Ombo

  • Localização: 40 km a Norte de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 30 LE (Novembro de 2012) ou 3,37€
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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