Egito: Dia 4 – Aswan e a zona mais encantadora do Nilo

Aswan vista desde o Nilo

Aswan vista desde o Nilo

A cidade de Aswan, ou Assuão como também é conhecida, é o lugar onde mais relaxei durante a minha estadia no Egito. Não porque o ritmo tivesse abrandado até então face aos dias anteriores, mas pelo facto de a paisagem que a circunda ser inebriante. Ali, o deserto prolonga-se até à beira da água, o rio Nilo, sem a poluição que até então lhe era característica, reluzia límpido e transparente como jamais imaginara ser possível e as inúmeras ilhas que ia vendo no seu leito povoavam o meu imaginário.

Localizada no sul do país, a 900 quilómetros de distância do Cairo, Aswan tem perto de 250 mil habitantes e é ponto de passagem para todos aqueles que querem ver os templos de Abu Simbel, estes últimos meramente localizados a 70 quilómetros da fronteira sul do país com o Sudão. E comigo, o motivo não foi diferente. Mas a cidade surpreendeu-me muito, mas muito pela positiva. Desde a época do Império Antigo, esta cidade com uma importante localização estratégica protegeu a fronteira sul do país e foi uma base para as incursões militares na Núbia e no Sudão. Estava situada no cruzamento das antigas rotas entre o Egito, a África e a Índia e era tida como um local onde, frequentemente, se vendiam produtos exóticos.

Aswan no mapa do Egito | D.R.

Tal como referi no post anterior, o dia em Aswan começou desumanamente cedo, ainda de noite. Eram 03:20 da noite e já o nosso grupo tinha saído do navio e “aterrado” no posto de controlo da polícia egípcia da cidade, local onde todos os turistas que iam rumar até Abu Simbel tinham de estar forçosamente reunidos para serem escoltados até ao local banhado pelo lago Nasser. Explicaram-me, na altura, que este era um procedimento padrão para salvaguardar a vida dos turistas de possíveis atentados terroristas dada a proximidade com o Sudão. E o número de autocarros que transportava turistas nesse dia era assustador. Contabilizei pelo menos 41 autocarros e depois desisti.

Autocarros parados em Aswan à espera de seguirem viagem para Abu Simbel

Autocarros parados em Aswan à espera de seguirem viagem para Abu Simbel

Bebendo um cházinho na estrada enquanto esperávamos iniciar viagem

Bebendo um cházinho na estrada enquanto esperávamos iniciar viagem

Polícias patrulhando o local

Polícias patrulhando o local

Paisagem desértica no caminho de 3 horas até Abu Simbel

Paisagem desértica no caminho de 3 horas até Abu Simbel

O caminho até Abu Simbel, pela grande estrada do deserto do sul do Egito, demorou mais ou menos 3 horas. Foram, no total, 6 horas em viagem nesse dia. Não preciso dizer o quão esgotante foi essa madrugada/manhã. Não me vou alongar muito em detalhes sobre os templos de Abu Simbel, porque vão ser o motivo do post seguinte a este aqui no Desporto: Viajar. Dizer, para já, que os mesmos foram salvos pela Unesco e completamente separados da montanha inicial onde estavam e colocados numa outra artificial. A estratégia salvou-os de serem submergidos pelo imenso lago Nasser, na década de 1960. Aproveitei para dormir no regresso, coisa que não tinha feito nessa madrugada.

Abu Simbel

Abu Simbel

Lago Nasser, em Abu Simbel

Lago Nasser, em Abu Simbel

Acordei já tínhamos chegado à cidade e passado a barragem de Aswan, a primeira construída pelos britânicos entre 1898 e 1902. As estradas para Abu Simbel passam por cima desta infra-estrutura. Mas o nosso objectivo seguinte era ver de perto a Grande Barragem de Aswan, esta sim uma obra verdadeiramente “faraónica”. Salvou o país da fome e da morte. Construída entre 1960 e 1971, a barragem tem quase 4 km de comprimento, 111 m de altura e quase 1 km de largura na base. No extremo leste há um pavilhão para visitantes com informações sobre a sua construção. No extremo oposto há uma torre em forma de lódão, uma maneira de os egípcios agradecerem à URSS o apoio dado na construção desta infra-estrutura.

Grande Barragem de Aswan, margem com vista para a cidade

Grande Barragem de Aswan, margem com vista para a cidade

O gigantismo da obra

O gigantismo da obra

Esquema desta obra "faraónica"

Esquema desta obra “faraónica”

Seguimos depois em direcção ao Obelisco Inacabado, datado do Império Novo. Achei-o, a nível muito pessoal, uma desilusão. Pequeno e sem grande importância face a tudo o que já tinha visto daquele país. Datado da época do Império Novo, o obelisco encontra-se numa antiga pedreira de granito a sul de Aswan. Se estivesse concluído, pesaria 1197 toneladas e teria 41 m de altura. Três lados do pilar já tinham sido extraídos, mas uma fenda na pedra levou a que o obelisco fosse abandonado e permanecesse, para sempre, parcialmente, preso à pedra.

Subindo para ir ver o Obelisco Inacabado

Subindo para ir ver o Obelisco Inacabado

O obelisco... inacabado I

O obelisco… inacabado I

O obelisco... inacabado II

O obelisco… inacabado II

Cemitério fatimita

Cemitério fatimita

Ao lado do obelisco, tive ainda oportunidade de ver o cemitério fatimita com centenas de túmulos islâmicos em tijolo de lama, construídos entre os séculos VIII e XII. Eram quase 13 horas da tarde e deviam estar uns 38 graus. Muito calor. Destilava por todos os lados, pelo que a aventura que me ocuparia a tarde daquele dia, depois de tomado o almoço, me iria novamente arrebitar. Íamos ver uma verdadeira povoação núbia e percorrer em falucas uma parte do Nilo que até então desconhecia.

Iniciando a navegação dessa tarde

Iniciando a navegação dessa tarde

Durante a navegação passámos ao lado das antigas cataratas do Nilo e da ilha Elefantina, a zona habitada mais antiga da cidade, onde vimos as ruínas do templo de Khnum, a parte mais visível desta verdadeira ilha/cidade-fortaleza. Nessa ilha, oportunidade ainda para ver ao longe o museu de Assuão, bem como o Nilómetro, cujas paredes estão marcadas para registar a altura das cheias anuais e assim prever a produção das colheitas na estação seguinte. Antes de chegar ao local onde tomei banho no rio Nilo, ainda vi ao longe o mausoléu de Aga Khan, um líder de muçulmanos xiitas que mandou erguer o monumento na cidade onde passava todos os seus invernos, e os túmulos dos nobres, escavados na rocha para a nobreza egípcia.

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Bonitas estas falucas, não?

Bonitas estas falucas, não?

Aproximação ao barco para uma bakshish (gorjeta)

Aproximação ao barco para uma bakshish (gorjeta)

Já tinha o dito o quão belas estas embarcações são?

Já tinha o dito o quão belas estas embarcações são?

Túmulos dos Nobres

Túmulos dos Nobres

Mausoléu de Aga Khan, no topo da colina

Mausoléu de Aga Khan, no topo da colina

Depois do percurso de faluca, tempo para uma banhoca refrescante no Nilo. Na areia da praia fluvial, uns camelos do povo núbio que iríamos visitar esperavam-nos com o seu olhar pachorrento. Era a primeira vez que andava de camelo. Achei assustador ao início, incómodo durante toda a viagem e tranquilizador no final. Era praticamente de noite quando chegámos ao povo núbio.

A nossa praia fluvial no Nilo

A nossa praia fluvial no Nilo

À minha espera? Let's go then!

À minha espera? Let’s go then!

Socorro?

Socorro?

Olá, povo núbio

Olá, povo núbio

Os núbios são africanos e não árabes. Vendiam especiarias belíssimas em bancas improvisadas e eram gentis como o povo egípcio, aquele que nos tenta impingir coisas para comprar, não sabe ser. Ainda assim, são conservadores e fiéis às suas próprias regras e tradições. As casas são de um colorido impressionante. Provei ali o melhor chá de menta da minha vida, mas não tive coragem para tirar uma foto sequer com os crocodilos bébés do Nilo ao colo, nem para fumar uma shesha. Shame on me. Já cansado, mas feliz pelo facto de Aswan me ter surpreendido tão positivamente, deixei-me dormir no percurso feito de faluca até ao navio, já de noite, onde jantei, arrumei a mala e fui novamente dormir. Na manhã do dia seguinte, o meu destino seria o Cairo.

As barraquinhas de venda dos Núbios

As barraquinhas de venda dos Núbios

Um espectáculo aquelas especiarias não?

Um espectáculo aquelas especiarias não?

Pátio de uma casa núbia, onde bebemos chá de menta e fumámos shesha

Pátio de uma casa núbia, onde bebemos chá de menta e fumámos shesha

Baby crocs

Baby crocs

Informações úteis:

Grande Barragem de Aswan

  • Localização: 6km a sul da barragem de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 20 LE (Novembro de 2012) ou 2,15€

Obelisco Inacabado

  • Localização: 1,5km a sul de Aswan, ao lado do cemitério fatimita
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 30 LE (Novembro de 2012) ou 3,37€
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “Egito: Dia 4 – Aswan e a zona mais encantadora do Nilo”

  1. valter santos says :

    Olá amigo viajante! Parabéns, as fotos estão 10 e valeu pelas informações a respeito dessa gente, dessa terra que é o berço das civilizações.

    Gostar

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