Egito: Nilo, o maior museu ao ar livre do mundo

Nilo, o presente de Deus ao Egito

Nilo, o presente de Deus ao Egito

Uma das melhores formas de conhecer aquilo que o Egito tem de melhor é realizar um cruzeiro de alguns dias pelo Nilo, principalmente o trajecto de mais de 200 quilómetros que separa as cidades de Luxor e de Aswan. E foi isso que fiz nos primeiros três dias e quatro noites em que conheci o país.

O Nilo

O Nilo é o presente que a Natureza deu ao país. Sem ele, o Egito seria um verdadeiro deserto. Em vez disso, uma faixa verdejante e fértil, com muita terra cultivada, atravessa uma região que vai desde a capital, o Cairo, até desembocar no lago Nasser, no sul do país. Isto ajuda a explicar o porquê de uma grande civilização como a egípcia ter florescido na Antiguidade, ao longo do leito do rio, ocupando as terras com templos e túmulos riquíssimos, todos eles uma unanimidade ao nível do turismo internacional.

A fertilidade contrasta com a aridez

A fertilidade contrasta com a aridez

Além destes monumentos, o Nilo é uma das atracções da região, especialmente tendo em conta as tradicionais felucas, com as suas típicas velas brancas, e os inúmeros navios de cruzeiro que realizam o percurso. O turismo ainda é a principal fonte de sustento da região e nem os tumultos da década de 90 ou a queda de Mubarak demovem os turistas. Afinal, quem não quer ver de perto a história viva encontrada nas margens do rio?

Cruzeiros existem desde o séc. XIX

No séc. XIX, os turistas já amavam navegar nas águas calmas do Nilo. Mas o ritmo era lento: o vapor levava três semanas a chegar a Aswan, enquanto o veleiro fazia o percurso entre seis e doze semanas. Hoje, os cruzeiros rápidos reduziram esse tempo para apenas três meros dias.

Cruzeiros navegando rapidamente no Nilo

Cruzeiros navegando rapidamente no Nilo

Os dias no barco alternam com passeios para admirar os recém-descobertos segredos do Antigo Egito. A paragem em Luxor, Edfur, Kom Ombo e em Aswan são ponto assente. Pelo meio, há que passar ainda pelas comportas de Esna. Mas para quem tem mais tempo, há cruzeiros que fazem o percurso calmamente, parando em locais que eu não conheci. Daraw, 8 quilómetros a sul de Kom Ombo, é um bom exemplo. Trata-se de uma aldeia famosa pelo seu imenso mercado de camelos. Destacam-se ainda as visitas aos templos de Philae, Kalabsha, de Amada e de Qasr Ibrim, estes todos já mais no sul do Egito, perto de Aswan.

A paisagem é fértil e simultaneamente árida. As populações e as suas casas estão coladas ao Nilo, vivem deste presente de Deus. As crianças brincam sem preocupações e os adultos fazem adeus àquele e a outro turista instalado nos diversos terraços dos navios que diariamente cruzam aquelas águas. A própria linha de comboio (trém), que liga o Cairo e Luxor a Aswan, está sempre ali ao nosso lado, em terra.

Uma rampa improvisada de mergulho pelas gentes locais

Uma rampa improvisada de mergulho pelas gentes locais

Povoações no leito do rio

Povoações no leito do rio

Crianças acenando em pequenas embarcações

Crianças acenando em pequenas embarcações

De quando em vez, algo empolgante é visto...

De quando em vez, algo empolgante é visto…

O meu navio: o Nile Shams

O meu navio: o Nile Shams

O meu navio: o Nile Shams

Sham significa Sol em árabe. E sol foi o que me fartei de apanhar no terraço do cruzeiro, entre uma saída e outra. O Nile Shams é um navio classificado como 5 Estrelas, embora na minha opinião esteja mais para 4.

Tem, no total, 5 decks. No principal é onde está situada a recepção, o lounge bar e um pequeno bazar egípcio. O restaurante, onde são tomadas todas as refeições incluídas a bordo (excepto as bebidas, pagas à parte), encontra-se no deck inferior. A alimentação ao fim de alguns dias pode ser um verdadeiro problema porque não é muito diversificada. Alterna entre a carne de porco e vaca, com arroz, batata, massa e legumes cozidos, e as sobremesas. Peixe, fruta e sopa são, praticamente, inexistentes. Aliás, como no resto do Egito. Mas aqui é garantido que se come melhor do que em muitos bons restaurantes no Cairo.

Receção

Receção

O lobby do navio

O lobby do navio

A maioria dos quartos, com casas de banho privativas, estão situados nos dois decks imediatamente acima, no primeiro e segundo andares. O último deck, o terraço, conta com uma pequena piscina e várias espreguiçadeiras, bem como um bar ao ar livre e várias mesas para passar um bom bocado.

O quarto

O quarto

Terraço

Terraço

A piscina

A piscina

A tripulação é de uma simpatia inexcedível. A limpeza dos quartos é diária e há muita animação a bordo. Há até espaço para uma verdadeira noite árabe, com música ambiente e muita diversão e palhaçada entre os turistas e a tripulação. O chá da tarde é, pontualmente, tomado às 16 horas da tarde no terraço. E há sempre direito a paninhos limpos à entrada para limpar o suor, resultado das altas temperaturas que se vivem no Egito e, vez ou outra, deliciosos chás de menta.

O local das refeições

O local das refeições

O navio tem ainda um médico permanente a bordo e permite trocar dinheiro pela moeda local.

Comércio em plena navegação? É possível!

Desengane-se quem pensa que durante a navegação estará livre de passar horas a regatear preços de bugigangas com a população local. É prática costumeira por estas bandas os navios abrandarem a sua velocidade para permitir que velhos barcos a remos, com dois e três egípcios a bordo, consigam prender as suas cordas e acompanhar-nos lado a lado durante a navegação.

E eles não se coíbem de nos tentar impingir recuerdos locais: regateiam, atiram os produtos para o terraço do barco, negoceiam com os turistas, falam a língua estrangeira e, geralmente, não se dão por vencidos. Comercializar em plena navegação? Sim, foi possível e as fotos abaixo provam isso.

A aproximação aos navios

A aproximação aos navios

À procura de "presas"

À procura de “presas”

Equilibrismo puro

Equilibrismo puro

E fica a certeza: navegar no Nilo não é só fazer turismo. É compreender a vida das gentes locais e submergir numa cultura tão diferente da nossa, desvendando em paralelo aquele que é o maior museu ao ar livre do mundo.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “Egito: Nilo, o maior museu ao ar livre do mundo”

  1. Boia Paulista says :

    Olá. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem. a
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

    Gostar

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