Egito: Dia 6 – Pirâmides de Gizé, um sonho realizado

Vista do complexo de Gizé

Vista do complexo de Gizé

As pirâmides de Gizé (ou Giza), no Egito, existem mesmo. Eu sei que esta é uma afirmação verdadeiramente ridícula, mas quem nunca duvidou que elas existissem, pelo menos uma vez na vida, atire a primeira pedra. Eu duvidei que as pirâmides existiam várias vezes e teimava em não acreditar em tudo aquilo que diziam a seu respeito até ao sexto dia de viagem pelo país, o segundo no Cairo. Mas nessa manhã tudo mudou: não só elas existem e estão rodeadas pela cidade que cresceu desmesuradamente, como se provaram ser mais imponentes e avassaladoras do que alguma vez eu tinha sequer imaginado. E exercem aquela mística e fascínio sobre nós de tal modo que é impossível descrever a sensação de termos tido a sorte de ali ter pisado. De estar ao lado delas, de lhes ter tocado… E só nessa manhã, pouco encalorada e solarenga, tive realmente a consciência de que ali estava, junto daquelas que são a única maravilha do mundo antigo ainda de pé e agora também do mundo moderno. Foi um sonho realizado.

O complexo de Gizé rodeado pela cidade do Cairo | D.R.

O complexo de Gizé rodeado pela cidade do Cairo | D.R.

Chegando ao planalto

Chegando ao planalto

A entrada em Gizé

A entrada em Gizé

Gizé tornou-se há quase 5 mil anos atrás a necrópole imperial da antiga capital do reino, Mêmphis. Mas a construção deste cemitério real até foi razoavelmente rápida com os complexos de pirâmides a serem construídos em pouco mais de cem anos. Todos eles serviram de túmulos aos seus faraós. Após a morte destes, os corpos eram transportados de barco até ao templo do vale para serem preparados, sendo posteriormente levados pelo corredor e sepultados sob ou no interior da pirâmide. Os templos mortuários foram mantidos durante muitos anos e eram alvo de oferendas diárias. As famílias mais próximas e a sua corte eram sepultadas ali perto, em pirâmides-satélites e mastabas (montes de areias que serviam de sepulturas), procurando partilhar o poder do rei depois da morte, tal como em vida havia sucedido.

Mapa do planalto de Gizé, em inglês | D.R.

Mapa do planalto de Gizé, em inglês | D.R.

Os egiptólogos concordam que as pirâmides serviam de necrópole real e já descobriram que os seus topos eram revestidos de ouro puro. Eram os primeiros locais na Terra a receberem os raios de sol naquela época. Os especialistas desconhecem, contudo, o significado actualmente de algumas salas e poços descobertos nas pirâmides, mas há interpretações mais ou menos fantasistas, que até envolvem o auxílio na construção das estruturas por seres alienígenas, pelo facto de alguns desses poços apontarem para constelações importantes e pelo facto de os cantos sudeste de cada pirâmide se alinharem numa diagonal quase perfeita. Mas o cepticismo permanece e as explicações que se encontram estão ligadas às crenças funerárias dos egípcios, segundo as quais a alma do faraó se elevaria junto das eternas estrelas.

Pirâmide de Quéops (Grande Pirâmide) vista da entrada

Grande Pirâmide, dedicada a Quéops

Mas o que é que sobressai no planalto de Gizé? Bem, indiscutivelmente, sobressaem a Grande Pirâmide, a maior e mais antiga das pirâmides, dedicada a Quéops (Khufu), da 4.ª Dinastia e construída de 2589 a 66 a.C.; as pirâmides de Quéfren (Khafre), quase tão grande como a dedicada a seu pai, Quéops, e a de Miquerinos (Menkaure), sucessor de Quéfren e claramente mais pequena; e claro está a Esfinge, guardiã do planalto e conhecida pelos árabes como “Pai do terror”.

Relativamente à Grande Pirâmide, estima-se que a mesma tenha sido construída via utilização de 2 milhões de blocos de pedra, que pesavam em média 2,5 toneladas. A precisão em torno do projecto é assustadora porque a maior diferença entre cada um dos lados, cada com 230 metros, é de apenas 4 meros centímetros. É obra. A entrada original da pirâmide está actualmente fechada, estando a ser usada uma abertura mais abaixo feita em 820 d.C. pelo califa Maamum. A única estátua que se conhece, actualmente, de Quéops está em exposição no museu egípcio.

Entrada na pirâmide, interdita | D.R.

Entrada na pirâmide, interdita | D.R.

Sim, interdita! | D.R.

Sim, interdita! | D.R.

Por motivos de conservação, cada uma das pirâmides encerra por um certo período de tempo ao público num sistema rotativo e a entrada das pessoas no interior é limitada e paga à parte. O interior das pirâmides é quase sufocante e não é aconselhável a claustrofóbicos ou aos mais vulneráveis fisicamente. Optei por entrar no interior da pirâmide de Quéfren que é vulgarmente conhecida por ser mais alta que a de Quéops. Na verdade, não é. A de Quéops é maior.

Em altura, a diferença entre ambas é de apenas 3 metros, mas o que as diferencia é o facto de o cume na de Quéfren estar conservado e na de Quéops não. Além disso, a de Quéfren está construída numa zona mais elevada do planalto. O interior é, na verdade, muito simples e é preciso descer de cócoras à única câmara funerária que nada tem para ver na verdade. Infelizmente, não tenho fotos porque é proibido fotografar no local. Contudo, tenho outras fotos tiradas no interior de outras pirâmides, em Dashur e em Sakkara, que prontamente divulgarei aqui no blogue para que os leitores tenham uma ideia do que se vê na câmara funerária.

Eu, junto da pirâmide de Quéfren

Eu, junto da pirâmide de Quéfren, aquela onde o cume ainda está bem conservado

A Pirâmide de Miquerinos destaca-se das demais não apenas por ser mais pequena (o que poderia indicar o declínio do faraó ou uma mudança nas prioridades), mas por ser a que sofreu uma tentativa de desmantelamento no séc. XII. Nessa altura, um dos sultões do Cairo conseguiu fazer um sulco vertical visível na ala norte, tendo o projecto sido abandonado ao fim de oito meses de tentativas. E ainda bem que assim foi.

Pirâmide de Miquerinos e a tentativa de desmantelamento

Pirâmide de Miquerinos e a tentativa de desmantelamento

Vendedores, uma praga egípcia

Vendedores, uma praga egípcia

E trabalhar, boa?

E trabalhar, boa?

A multidão, a Esfinge e as pirâmides

A multidão, a Esfinge e as pirâmides

E, por fim, a Esfinge. Que dizer da mais monumental e antiga escultura descoberta no Egipto? Presumivelmente de 2500 a.C., tem 20 metros de altura, um corpo alongado, as patas esticadas e um toucado real que muito asseguram ser o do próprio faraó Quéops. Foi talhada a partir da pedra e alvo de sucessivas renovações daí em diante. O nariz, ao contrário do que se diz, perdeu-se antes do séc. XV e não foram os exércitos de Mamelucos que o destruíram. Originalmente, a Esfinge tinha também uma barba estilizada que acabou por cair. Fragmentos dela podem ser vistos no Museu Britânico. Em frente à Esfinge, há o templo a ela dedicada, mas este está actualmente fechado ao público.

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A esfinge, mais de perto

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Ela existe, ela existe

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Completamente talhada na pedra

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E sim, eu estive ao lado dela

Mas, além das pirâmides e da esfinge, há muito mais para ver no planalto. Um bom exemplo disso é o Museu do Barco Solar, que não conheci. É precisa uma entrada paga à parte para ver no interior um barco do Antigo Egito descoberto em fragmentos em 1954 num poço ao lado da Grande Pirâmide.

Museu do Barco Solar

Museu do Barco Solar

O planalto de Gizé pode ser percorrido a pé, mas há também circuitos de cavalo ou camelo entre os monumentos, que podem, no entanto, sair muito caros. Deixo, abaixo, um conjunto de informações práticas sobre o local e como melhor desfrutar de tudo o que ele oferece.

Informações úteis:

  • Localização: o complexo de Gizé situa-se em Sharia al-Ahram (Estrada das Pirâmides), em Gizé, a 12 Km a Sudoeste do centro do Cairo;
  • Transportes: O autocarro (ônibus) n.º 355 pára no Museu Egípcio, em Midah Tahrir, e segue para o complexo, tal como os mini-autocarros n.ºs 82 e 83. Não há metro por ali;
  • Preços: A entrada no planalto de Gizé custava 60 LE (6,79€) em Novembro de 2012. A entrada no interior de uma das pirâmides (a de Quéfren ou de Miquerinos) é paga à parte e custa 30 LE (3,39€). Para entrar no Museu do Barco Solar é preciso pagar nova entrada;
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Os bilhetes

  • Horários: o complexo está aberto diariamente das 08h às 16h. Fecha uma hora mais tarde no Verão. O Museu do Barco Solar abre às 09 e fecha às 16h;
  • É possível levar máquina fotográfica, mas está interdita a sua utilização no interior das câmaras funerárias das pirâmides;
  • espectáculos de luz e de som no Inverno e os horários são três: 18:30, 19:30 e 20:30. No Verão, os horários atrasam duas horas, respectivamente. Mais informações aqui;
  • O início da manhã é a melhor altura para ver o planalto antes de o calor fazer mossa e de as multidões serem insuportáveis;
  • Atenção ao velho golpe do camelo. Os árabes aliciam os turistas com uma fotografia no camelo ou preços baratos, mas depois de cometido o erro não há nada a fazer. Há que pagar o que eles querem e as quantias não são nada baratas. 30€ por cinco minutos em cima do camelo é muito, não?;
  • Essencial levar roupas confortáveis, chapéu, ténis e muita água para não desidratar;
  • É totalmente proibida a escalada das pirâmides desde 1980. Os graffitis que se fizeram antigamente aliada à morte dos “alpinistas” justificam a decisão segundo as autoridades. Para os infractores, as coimas podem ser duras.

NOTA: A foto que consta no cabeçalho do blogue não é da minha autoria e como tal os direitos são reservados.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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