Egito: Dia 6 – O Cairo Islâmico e Fatimita

Midan Hussein

Praça Midan Hussein | D.R.

Depois de ter visto o planalto de Gizé, nomeadamente as pirâmides e a esfinge, e de ter descansado a tarde toda, a mini-van do operador turístico apanhou-nos pontualmente no hotel para irmos jantar fora, num restaurante tipicamente cairota, e, por fim, conhecer o tão famoso Mercado de Khan al-Khalili, ou seja, o tão falado Cairo islâmico.

Rumámos primeiro ao chamado Cemitério do Norte, situado nos arredores da cidade, com vista para a Cidadela, que iria ver no dia seguinte. Enquanto íamos circulando no chamado espaço fúnebre, dentro da mini-van (não saímos porque a zona não é segura, muito menos de noite), o guia turístico explicou-nos que ali os mortos convivem com os vivos. No local, vastos e sumptuosos complexos fúnebres foram sendo construídos e dominam toda a área. No entanto, existem outros túmulos mais modestos que são, actualmente, residências familiares. É um pouco chocante, mas os egípcios sempre viram a morte como uma parte significativa da vida, mesmo depois de terem abandonado as crenças faraónicas e tendo-se tornado primeiros coptas e posteriormente islâmicos. Por ali, é pois comum ver-se uma mistura de jazigos e casas, além de jazigos que são também casas e onde os vivos e os mortos coexistem lado a lado.

Cemitério do Norte, onde os vivos e os mortos coexistem | D.R.

Cemitério do Norte, onde os vivos e os mortos coexistem | D.R.

Rumámos depois a uma das entradas da muralha do Norte e penetrámos no chamado Cairo Fatimita, por onde circulámos a pé para chegar a Khan al-Khalili. Esta zona da cidade foi fundada em 969 d.C pela dinastia Fatimita e vale a pena a visita nem que seja para ver o quarteirãozinho que é hoje um museu vivo da arquitectura medieval. Pouco resta das mesquitas e palácios daquela época o que é uma pena. Acabámos por percorrer a pé a Sharia al-Muizz li-Din Allah, outrora uma das principais vias da cidade e que é hoje ocupada por vendedores de alho e cebola e por caldeireiros.

IMG_3541

Entrada na muralha Norte

IMG_3547

Lojas em Sharia al-Muizz li-Din Allah

IMG_3550

Sharia al-Muizz li-Din Allah

Enquanto por ali deambulávamos, ainda vimos de relance a Mesquita al-Aqmar (“Iluminada pela rua”) que se destacava das outras pelo brilho das pedras usadas na sua construção. Mas o brilho deixou de ser o que era graças à imensa poluição da cidade. Foi construída em 1125 por um dos últimos califas fatimitas e é a mais antiga em pedra no Egito. Destaca-se a concha esculpida em pedra, um dos primeiros exemplos de decoração usadas posteriormente nas fachadas das outras mesquitas.

Mesquita de al-Aqmar

Mesquita de al-Aqmar

Acabámos, por fim, por chegar ao coração comercial do Cairo islâmico, o bazar medieval de Khan al-Khalili. É um dos maiores mercados do Médio Oriente e é o típico bazar oriental das histórias, onde objectos de ouro, prata, bronze e cobre brilham no interior de um espaço parecido com uma caverna onde os sacos abarrotam com especiarias e enchem o ar com aromas exóticos. Trata-se de um labirinto de ruas estreitas cobertas onde as lojas se acotovelam e onde se vende praticamente de tudo. Apesar de ser uma grande atracção turística, o mercado não deteve nada da minha atenção porque não estava interessado em perder muito tempo em regatear preços de produtos nos poucos minutos que tinha livres.

IMG_3559

Khan al-Khalili I

IMG_3560

Khan al-Khalili II

IMG_3571

Khan al-Khalili III

IMG_3575

Khan al-Khalili IV

IMG_3576

Khan al-Khalili V

Khan al-Khalili VI

Khan al-Khalili VI

Assim sendo, depois de ver que estava na praça Midan Hussein, olhei para o lado e constatei que estava perante a Mesquita de Sayyidna al-Hussein, considerada o lugar mais sagrado do Cairo e vedada a não-muçulmanos. Não esperava entrar no interior por esse motivo, mas um senhor convidou-me a entrar e eu assim o fiz. Descalcei-me e lá fui eu. Deve-me ter achado com cara de árabe ou algo assim. Erguida em 1870, a mesquita guarda supostamente uma das relíquias mais sagradas do Islão, a cabeça de al-Hussein, neto do profeta Maomé. Como estava mais interessado em deambular pelo local e fotografá-lo, nem parei muito para reflectir na importância que a mesquita deveria ter para os locais. Apanharam-me a fotografar o interior e “gentilmente” convidaram-me até à porta da saída. Felizmente, já tinha visto quase tudo o que queria. Talvez tenha demonstrado alguma insensibilidade e ser considerado herege, mas não me importei muito. Afinal, vi o que poucos turistas conseguiam ver no Cairo.

Mesquita de Sayyidna al-Hussein

Mesquita de Sayyidna al-Hussein I

IMG_3585

Mesquita de Sayyidna al-Hussein II

IMG_3586

Mesquita de Sayyidna al-Hussein III

IMG_3587

Mesquita de Sayyidna al-Hussein IV

Do outro lado da praça, estavam as mesquitas de al-Azhar, a de Abu Dahab e o Complexo de al-Ghouri, que devem ser visitados quando estamos em volta de Khan al-Khalili. Isto claro se houver outro interesse que não sejam as compras. Como uma estrada de grande tráfego separa a praça do lado das mesquitas, a solução é passar por uma passagem subterrânea. Acabei por não ver grande coisa porque o tempo que tinha livre da trela do guia não foi muito e passou a correr.

Mesquita de al-Azhar

Mesquita de al-Azhar

Ainda assim, vale a pena dizer que a Mesquita de Al-Azhar é uma das mais antigas da cidade e alberga um centro de estudos islâmicos. Já o complexo ocupa dois edifícios iguais e tem um minarete pintado em xadrez vermelho. Depois da visita, fomos jantar num restaurante local (do qual ainda vou falar mais há frente aqui no blogue) e regressámos ao hotel. No próximo dia estavam programadas duas visitas: o Museu Egípcio, na parte da manhã, e a Cidadela, à tarde. E é disso que falarei nos próximos dois posts. Até lá.

Informações úteis:

  • Deslocações: a melhor forma de explorar a área fatimita e islâmica é a pé. Comece num ponto de fácil acesso aos taxistas, como a praça Midan Hussei, e ande por ali descontraidamente. Se possível, de dia, o que eu não fiz. Não há metro por ali.
  • Compras: se é fanático por compras, este é o local certo para estar. Há de tudo, mas mesmo de tudo ali à venda. Eu cá passo.
  • Monumentos e edifícios histórico-religiosos: nas imediações do mercado há muitas mesquitas para ver. As que aqui citei são apenas algumas. A Mesquita de Sayyidna al-Hussei é interdita a não-muçulmanos. Em todas, a entrada é gratuita. Obrigatório tirar sapatos. Mulheres e homem entram em lados distintos. Sextas à tarde é altura de orações.
Mapa do Cairo Islâmico, com muito mais para ver do que aquilo que está escrito neste post | D.R.

Mapa do Cairo Islâmico, com muito mais para ver do que aquilo que está escrito neste post | D.R.

NOTA: A foto que consta no cabeçalho do blogue não é da minha autoria e como tal os direitos são reservados.

Anúncios

About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: