Egito: Dia 7 – Uma desilusão chamada “Museu Egípcio”

Vista geral do edifício do museu | D.R.

Vista geral do edifício do museu | D.R.

A manhã do sétimo dia no Egito estava reservada para o Museu Egípcio, localizado no coração do Cairo, em plena praça Midan Tahrir. E, ainda hoje, passados mais de 5 meses após essa visita continuo a achar que dá dó o estado de degradação e o modo como estão expostas as mais de 12 mil peças no local. Claramente, não está à altura de uma civilização como a egípcia. E o governo local sabe disso perfeitamente, pelo que já constrói o edifício que vai acolher o novo museu a partir de 2015. Situado na zona de Gizé, quase paredes-meias com as pirâmides, a infra-estrutura em nada ficará a dever aos grandes museus como o Louvre, em Paris, ou o British Museum, em Londres. O Grande Museu Egípcio terá 85 mil metros quadrados, espaço para expor cem mil das cerca de 150 mil peças que o actual museu tem guardadas nas caves e ainda capacidade para acolher laboratórios de restauração de antiguidades e armazéns. O projecto está orçado em vários biliões de euros.

Fachada do Museu Egípcio

Fachada do Museu Egípcio

Edifício do partido de Mubarak totalmente destruído, ao lado do Museu Egípcio

Edifício do partido de Mubarak totalmente destruído, ao lado do Museu Egípcio

Entretanto, voltando ao museu egípcio actual, instalado no actual edifício desde 1902, este tem dois pisos: no rés-do-chão as peças estão organizadas por ordem cronológica, começando pela esquerda da entrada e do átrio. Já no primeiro andar, a disposição dos artefactos obedece a temáticas. A sala central, por sua vez, tem estatuária monumental. Para mim, o orgulho da colecção são, naturalmente, os objectos do túmulo de Tutankhamon, embora não sejam de menosprezar as peças de todos os períodos da civilização egípcia, designadamente o Império Antigo e Novo, as miniaturas do Império Médio e as mais variadas peças. Há ainda a destacar a sala das múmias reais, que não vi porque implica comprar um bilhete à parte.

Estatuária monumental na entrada do Museu Egípcio | D.R.

Estatuária monumental na entrada do Museu Egípcio | D.R.

Galerias de Tutankhamon: ocupam as alas leste e norte do piso superior. Aqui há 1700 peças expostas, desde tabuleiros de jogos e armas de caça a divãs e camas, bem como, claro, a famosa máscara funerária de Tutankhamon, toda ela feita em ouro;

Máscara de Tutankhamon | D.R.

Máscara de Tutankhamon | D.R.

Império Antigo: as peças de estatuária deste período ocupam o rés-do-chão do edifício. Destacam-se a estátua do rei Djoser, sem olhos, esculpida em calcário há quase 5 mil anos e a estátua de Quéfren, o construtor da pirâmide média de Gizé;

Império Médio: a vida quotidiana do povo egípcio encontra-se ilustrada e exposta, em miniaturas, em salas da ala oeste do museu. Além do valor artístico, são as que melhor permitem perceber como era a vida do egípcios na 11ª Dinastia;

Império Novo: este período deu bons frutos a nível da arte, mas as melhores peças não estão neste museu, mas sim em Luxor, no museu local. De qualquer modo, pela sua importância, o destaque recai sobre a face de Hatshepsut do seu templo mortuário nas necrópoles de Tebas, em Luxor;

Sala das múmias reais: segundo o guia, nesta sala é possível contemplarmos frente a frente alguns reis lendários como Tutmósis II ou Ramsés II. De realçar o bom estado de conservação dos seus corpos que facilmente nos fazem questionar se estes realmente terão morrido há 3 mil anos atrás.

Embora não seja muito grande, o museu está repleto de peças que facilmente captarão o interesse dos egiptomaníacos, como eu. No entanto, a confusão que impera e a ausência de legendas explicativas dificultam a nossa visita. São múmias em cima de múmias, sarcófagos dispostos em torno de salas sem explicação lógica para tal, objectos e quinquilharias várias que ninguém entende a razão da sua importância. E, pior, muita poeira por todos os lados e uma sensação de sufoco exasperante dada a ausência de ar condicionado. Para rematar o sentimento de impotência perante o estado deplorável a que as coisas estão votadas, não é possível fotografar nada.

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Sarcófagos sem organização aparente | D.R.

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Vista geral do interior do museu | D.R.

Mas, enfim. Apesar da desordem do museu, que condiz com o país onde se encontra, é de esperar longas filas à entrada e, particularmente, na porta que dá acesso às galerias de Tutankhamon. Sugiro, pois, que comece o dia bem cedo visitando esta zona do museu. Garanto que a desilusão por ver todas as colecções nas condições actuais se esvanecerá um pouco quando estiver frente-a-frente com a máscara de ouro do faraó. Hipnotiza verdadeiramente.

Informações úteis:

  • O Museu Egípcio está localizado em Midan Tahrir, no Cairo. O novo museu será deslocalizado em 2015 para a zona das pirâmides, em Gizé.
  • Abre diariamente às 9 horas e encerra às 18:45. Se for durante a altura do Ramadão, o museu encerra bem mais cedo.
  • A sala das Múmias Reais tem um bilhete próprio que é comprado à parte.
  • guias independentes que oferecem o seu serviço à porta. Tendo em conta a desordem no local, talvez seja uma boa ideia contratar um.
  • É proibido fotografar ou filmar no interior. Nenhum visitante passa com aparelhos do género no leitor de Raio-X da entrada. Há uma zona para guardar esse tipo de objectos.
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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