Egito: Dicas a reter

Vista do complexo de Gizé

Vista do complexo de Gizé

As dicas que se seguem encerram mais uma série de posts dedicados a um país que visitei. Desta vez, foi o Egito. No total, foram 24 entradas sobre este país fantástico que ainda tenta sobreviver de uma convulsão política que atirou o turismo local para níveis de décadas atrás. A crescente islamização operada pelo actual Governo poderá dificultar futuramente a visita ao país, pelo que, caso haja desejo de o conhecer, esse momento deve ser agora. A situação aparenta estar apaziguada, mas a população ainda está revoltada porque as mudanças exigidas não aconteceram. E, bom, a civilização egípcia, com milhares de anos de história, dispensa grandes apresentações. Para quem gosta de história, o Egito é mesmo um prato cheio.

Como organizar uma visita ao Egito:

Se vai ao Egito, conheça o máximo que conseguir dele. E não tente organizar por si uma viagem ao Egito, como organiza uma ida ao sul da América, a qualquer parte da Europa ou mesmo ao sudeste asiático. O Egito é muito complicado. Além da situação política que ainda não acalmou totalmente, a língua não ajuda, o relacionamento com as pessoas cansa e a infra-estrutura de transportes de local, que une as grandes cidades através de comboio (trém) ou autocarro (ônibus) é deficitária e inadaptada a ajudar o turista estrangeiro. Pague um pouco mais a uma agência de viagem, mas certifique-se de que tudo correrá bem. É que no Egito, se as coisas correrem mal… elas correrão MESMO mal.

Como chegar ao Egito:

Aqui não há escolha: não há voos directos entre Portugal e o país. A Egyptair chegou a ter uma rota directa e diária entre Lisboa e o Cairo, mas encerrou-a há três ou quatro anos alegando falta de rentabilidade. A maioria dos circuitos organizados, como o meu, parte de Madrid ou de Barcelona e dessas cidades há ligações para o Cairo, Luxor e Sharm-el-Sheikh. Tem apenas de apanhar um voo extra que ligue Lisboa a Madrid e o coloque a tempo e horas no outro voo, que sai de Madrid para o Egipto às 14h da tarde. Convém ainda ter em atenção caso seja necessário mudar de terminal em Barajas, Madrid. A Easyjet, low-cost que apanhei, usa o terminal 1, o mesmo da Egyptair, motivo que me levou a escolhê-la. Também a Air Europa voa para esse terminal. Já a TAP opera no 2 e a Ibéria opera no seu terminal dedicado, o quarto.

Entre voos

Entre voos

Quando viajar:

O clima é, tradicionalmente, muito quente. Entre Junho a Setembro, as temperaturas ultrapassam frequentemente os 40 graus e em alguns pontos do país, como em Abu Simbel, já no sul, batem mesmo na casa dos 50 graus. A melhor altura para conhecer o país é no seu Inverno temperado, entre Outubro e Maio e mesmo assim deverá apanhar sol e 30 graus de temperatura.

Eu, no magnífico templo de Hatshepsut

Muito calor no magnífico templo de Hatshepsut

Requisitos para entrar no Egito:

Os vistos de entrada são obrigatórios para todos os viajantes. No caso de passaportes comuns, o visto pode ser obtido à chegada ao aeroporto, mediante o pagamento de 15 USD, valor que subirá para 25 USD a partir do dia 1 de Julho de 2013. É necessário estar munido de um passaporte válido durante pelo menos seis meses a partir do dia da entrada. Os vistos têm validade para um mês. Há vistos que permitem múltiplas entradas e há vistos apenas para a zona do Sinai.

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Visto para entrar no Egito

Línguas faladas:

A língua oficial é o árabe. Mas, nas grandes cidades e entre os comerciantes, é comum falar-se inglês e, inclusive, francês. Se pretender afastar-se dos circuitos mais turísticos, convém aprender umas noções simples de árabe e saber os algarismos árabes.

Instalações eléctricas:

A corrente eléctrica é de 220V e as tomadas são de dois pernos, semelhantes às usadas em Portugal.

Hora legal:

No Egito, adiante o relógio duas horas face ao fuso horário português. Exemplo: se forem 14h da tarde em Portugal, no Egito serão 16h.

Condições de segurança:

O Egipto vive um período político tenso, agravado por um cenário de incerteza económica e pelo aumento da criminalidade. Deverá ser observada especial cautela em qualquer deslocação enquanto se mantiver a actual situação. Embora esta se apresente relativamente normalizada nos centros turísticos mais importantes do Mar Vermelho, Luxor e Aswan, recomendam-se precauções. As deslocações devem realizar-se, sempre que possível, em grupos organizados. Devem ser evitadas circulações em áreas onde se realizam manifestações, se encontram grandes aglomerados de pessoas ou se verificam distúrbios da ordem pública. A Praça Tahrir (incluindo o Museu do Cairo), Maspero, Shubra e Downtown (todas no Cairo) devem, também, ser evitadas. É preciso ter particular cuidado e evitar locais de culto, atendendo ao aumento da violência religiosa que tem ocorrido. Considerando ainda o atentado terrorista de Alexandria, a 1 de Janeiro de 2011, os viajantes deverão ter consciência do potencial risco acrescido de segurança, com destaque para a visita de igrejas coptas. Esta precaução tem por base a ameaça da Al-Qaeda a igrejas cristãs.

Perspectiva geral da praça Tahrir | D.R.

Perspectiva geral da praça Tahrir | D.R.

Segurança pessoal:

O Egito tem, pasme-se, um dos níveis de criminalidade mais baixos do mundo. Os visitantes devem, ainda assim, ter os cuidados normais que têm sempre que vão de viagem. Obviamente, não se deve andar com todo o dinheiro na carteira e um olhar redobrado sempre sobre os seus pertences. Se houver algum problema, é à Polícia Turística que se deverá dirigir. Por vezes, os turistas são apanhados durante distúrbios que não têm razões terroristas por detrás. O último grande ataque terrorista, aliás, aconteceu no Templo de Hatshepsut em 1997. Desde então, as autoridades locais apertaram e muito a segurança nessas zonas mais turísticas.

Visitas a locais religiosos:

Os não-muçulmanos são bem-vindos nas mesquitas religiosas, ainda assim. Porém, não se pode interferir de forma alguma no culto dos locais. Em alguns casos, há mesquitas que pedem para as mulheres cobrirem a cabeça com um lenço, não podendo ninguém levar joelhos e braços à mostra. Também os sapatos devem ser tirados à porta.

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Interior de mesquita Sayyidna al-Hussein, no Cairo, supostamente interdita a não-muçulmanos

Conselhos de saúde e vacinação:

Para a maioria dos visitantes, problemas no estômago e indisposição por exposição exagerada ao sol são os principais problemas. O repelente de insectos deve constar na mala de primeiros socorros que deve conter também um paracetamol (para as dores e febras), um ibuprofeno (anti-inflamatório), um anti-histamínico (para as alergias), dimicina (para as diarreias infecciosas), imodium (loperamida, também para as diarreias) e omeprazol (para os estômagos mais frágeis, pouco habituados aos condimentos da região). Não são necessárias vacinas para entrar no Egito, a não ser que venha de uma área infectada. Ainda assim é aconselhável ter a vacina do tétano, poliomielite, tifóide e da hepatite A e B actualizadas. Atenção também à desidratação provocada pela exposição demorada ao sol nos desertos e entre as visitas aos monumentos mais turísticas. Reponha o níveis com água, sempre engarrafada.

Moeda local, sistema bancário e gorjetas

A moeda local é a libra egípcia. Existem notas de 1, 5, 10, 20, 50, 100 e 200 libras, bem como moedas de 5, 10, 20, 250 e 50 piastras, bem como de uma libra egípcia. São aceites cartões de crédito (sobretudo Visa) e podem fazer-se levantamentos de moeda local, em multibanco, por norma até 3000 libras egípcias/dia. Já a gorjeta (bkasheesh) é uma ‘instituição’ no Egito. As pessoas recebem salários tão baixos que estas gorjetas funcionam assim como parte do seu rendimento. Geralmente, dá-se entre 25 piastras e uma libra egípcia.

Dinheiro Egípcio

Dinheiro Egípcio

Transportes:

Existem transportes aéreos, ferroviários e rodoviários em todo o país. Os mini bus e as classes inferiores dos comboios são de evitar. Nas cidades, é prática recorrer ao serviço de táxis, recomendando-se no Cairo os novos veículos brancos ou amarelos porque dispõem de taxímetros (se utilizar outros táxis convém negociar o preço antes do início do serviço). No Cairo, há ainda um metro (com separação de mulheres e homens por vagões diferentes) e uma rede de autocarros para os mais corajosos. Em Alexandria, prevalece o eléctrico (bondinho). São frequentes os acidentes na estrada. Desaconselha-se a condução de automóvel em todo o país, sendo preferível o aluguer de viatura com motorista ou a utilização de táxi. Já os cruzeiros no Nilo são uma forma interessante de visitar o Sul do Egipto e as zonas históricas.

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Metro no Cairo

Gastronomia:

Mais informações sobre este assunto, aqui.

O que visitar:

  • A fabulosa cidade de Alexandria e seu legado greco-romano;
  • E, caso haja tempo, arredores do Cairo, com os sítios arqueológicos de Saqqara, Dashur e Mêmphis à cabeça.
Entrada no templo de Luxor

Entrada no templo de Luxor

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Templo de Hatshpesut

Vista do Vale dos Reis | D.R.

Vista do Vale dos Reis | D.R.

A caminhar em direcção ao templo

A caminhar em direcção ao templo de Edfur

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Fachada do Templo de Hátor em Abu Simbel

Fachada do Templo de Hátor em Abu Simbel

Simplesmente linda a Mesquita de Mohammed Ali

Simplesmente linda a Mesquita de Mohammed Ali

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Pirâmide arqueada, Dashur

Perspectiva geral de Alexandria, banhada pelo Mediterrâneo

Perspectiva geral de Alexandria, banhada pelo Mediterrâneo

O que comprar:

Os tradicionais souqs árabes são os locais predilectos para comprar todo o tipo de recordações, quinquilharias e outras bugigangas quando visitamos este tipo de países. E Khan al-Khalili é o local predilecto. Compre figuras esculpidas de deuses da Antiguidade e dos monumentos do país, em todos os feitios, formatos e tamanhos, música egípcia, essências perfumadas (que estão na base dos perfumes de grandes criadores de renome internacional), sheesha, papiro (mas atenção ao de fraca qualidade cuja tinta estala ao enrolar), peças de latão e de cobre, muito artesanato, carpetes e tapetes, trajes de dança do ventre, joalharia, especiarias e outras ervas, roupa e têxteis. E regateie SEMPRE.

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Mapa do Egito | D.R.

E é isto.

BOA VIAGEM

About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

6 responses to “Egito: Dicas a reter”

  1. luffi says :

    Boas tudo bem? Descobri agora o teu blog e fiquei desde já interessado e vou ler com muita atenção. Fui ao Egipto em Outubro com um calor daqueles para ferver nas ruas, li no teu post que foi encerrada a rota Lisboa Cairo mas eu fiz essa mesma rota pela egyptair, creio que devem ter alguns períodos com a rota activa.

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    • Desporto: viajar says :

      Olá. Também entrei agora no teu blogue, mas ele não me pareceu estranho.. Acho que já lá tinha ido parar vez ou outra. Pareceu-me muito interessante. Vou ficar de olho.
      Relativamente à rota, não sei então o que se passa. Porque tentando reservar pelo site os voos que aparecem são todos vias Madrid (Barajas), ou seja, não é directo. Essa informação foi a mesma que a agência me transmitiu o ano passado… Talvez seja mesmo sazonal ou então seria um voo charter fretado à Egyptair… Whatever. Ab

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  2. Neusa says :

    gostei muito do seu blog. Gostaria de saber; você foi por alguma empresa (excursão)?

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  3. Neusa says :

    fizemos em julho 2014 Jerusalém, Cairo, mas estamos com vontade de ir ao vale dos reis, mas pelo rio Nilo, quantos dias foram e por qual empresa turística?

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  4. Desporto: viajar says :

    No total de viagem foram dez dias Neusa.

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