Barcelona: uma chegada atribulada

Quem é que nunca ouviu falar de Barcelona, a cosmopolita capital da Catalunha (Espanha), palco privilegiado das mais diversas expressões artísticas e culturais e com um inesgotável património assente no legado do Modernismo de Antoni Gaudi e do Surrealismo de Joan Miró e Pablo Picasso? Resposta imediata: praticamente ninguém!

Vista geral das Ramblas, Barcelona

Vista geral das Ramblas, Barcelona

Vista para a zona de Barceloneta, Barcelona

Vista para a zona de Barceloneta, Barcelona

Barcelona é uma daquelas cidades europeias que deve ser visitada vezes sem conta. Uma e outra vez. Nem que seja para acompanhar de perto a evolução dos trabalhos da famosa Basílica da Sagrada Família. A primeira pedra da empreitada foi colocada há quase 130 anos, mas o término dos trabalhos só está previsto lá para 2030. E só isso é um motivo mais do que válido para regressar à cidade. Mas ainda não tinha eu lá colocado os pés, em 2011, quando a oportunidade de me estrear por terras catalãs bateu à porta.

Sagrada Família, eternamente em obras

Sagrada Família, eternamente em obras

A Geostar, empresa com a qual havia trabalhado meses antes para ir ao México, estava com uma promoção brutal para 5 dias na cidade, cujo preço final, a rondar os 300 euros, incluía 4 noites e pequeno-almoço num hotel da rede de hotéis Catalonia, bem na zona de El Clot (centro da cidade e a uns passos da Sagrada Família), e ainda o voo ida e volta pela TAP. Nem olhámos para trás. Fechámos o pacote e rumámos de imediato à cidade. Nas semanas que separaram o bloqueio da reserva da viagem propriamente dita li praticamente tudo aquilo que havia para ler em blogues na Internet e no Guia da American Express sobre a cidade. E quando o dia finalmente chegou, um Domingo, eu já levava o itinerário feito para os cinco dias e algumas decisões tomadas.

A primeira delas seria como percorrer os 12 quilómetros que separam o aeroporto de El Prat – Barcelona do centro da cidade e, depois, como chegar até ao hotel. Pesquisa após pesquisa, decidimos optar por fazer o trajecto utilizando uma das linhas (R2) de comboio (trém) do serviço “Cercanías de Barcelona”. E a questão de ser mais caro ou barato que outro meio de transporte local nem sequer se colocou porque o preço final ida e volta desse transfer estava incluída nos descontos de 100% oferecidos para quem compra o Barcelona Card (uma espécie de Roma Pass) para 2, 3, 4 ou 5 dias consecutivos. Optámos pelo de 5 dias.

À espera do voo da TAP

À espera do voo da TAP

O voo da TAP partiu de Lisboa às 07:40 da manhã e aterrou em Barcelona quase duas horas depois, às 09:30, mais uma hora em Barcelona. Como a companhia aérea opera no Terminal 1 ou A, tivemos de apanhar o shuttle bus que opera entre os terminais 1 e 2 de El Prat e que nos deixa directamente na linha de onde sai o comboio. Antes disso, porém, adquirimos de imediato o Barcelona Card – 5 dias que, em Novembro de 2011, custava 45€. Actualmente, segundo pesquisa no site oficial, o cartão de descontos em museus, lojas e restaurantes locais já custa 55,80€ para 5 dias se for adquirido pela Net e 62€ no guiché do aeroporto de El Prat, aberto das 09 às 21 horas.

Shuttle bus que opera em El Prat | D.R.

Comboio que opera entre o aeroporto e a cidade | D.R.

Barcelona Card | D.R.

Não podíamos adquirir o Barcelona Card na Praça da Catalunha, de onde iniciam Las Ramblas, porque assim não obtínhamos a gratuidade no comboio. O serviço saía do aeroporto a cada meia hora, em Novembro de 2011, ou seja, as 07:25, 07:55, 08:25, 08:55 e por aí vai. Como pretendíamos sair directamente na estação de El Clot – Aragó, onde também passam as linhas 1 e 2 do metro de Barcelona, o percurso desde El Prat demorou exactamente meia hora, tendo passado, entre outras, pelas estações de Bellvitge, Sants e Passeig de Gracía.

Estação do R2 – El Clot – Aragó | D.R.

Assim que aterrámos em Barcelona, percebemos que aquilo que temíamos se confirmou: um temporal imenso, com muita chuva e vento, tinha desabado na cidade. E as populações locais dizem que quando isso acontece, o mau tempo prolonga-se por vários dias. Infelizmente, dos cinco dias que ali passámos, 3,5 foram passados debaixo de chuva. Mas isso não nos demoveu apesar de ter complicado, e muito, o decorrer dos “trabalhos”.

Mas só quando saímos da estação de El Clot – Aragó para procurar pelo nosso hotel é que nos deparámos com a gravidade do mau tempo. Quem chega de transportes públicos a uma cidade sabe mais ou menos a zona em que está, mas a rua em particular não. Como não parava de chover, a solução foi metermo-nos à estrada para conseguir entrar no bendito hotel, o Catalónia Albeniz, situado na Carrer de Aragó, a principal via urbana que cruza aquela zona da cidade.

Começámos a procurar o hotel, debaixo de muita chuva, andando pelo lado exactamente oposto ao que deveríamos ter ido. Chegámos a vários outros hotéis da zona, mas ninguém nos conseguia dar indicações claras e precisas de onde ficava o nosso. Desolador. Entretanto, um senhor muito gentil (bendito seja!) não descansou enquanto não nos colocou no caminho certo em direcção à nossa casa para aquelas 4 dias. Já estávamos completamente encharcados quando virámos numa rua paralela à carrer de Aragó, que ficava por detrás do nosso hotel. Ao adentrarmos pela rua, teimávamos em não dar com o Albeniz. O desespero batia à porta, porque chovia cada vez mais e nós abrigados debaixo da entrada de uma garagem de um prédio. Só havia um guarda-chuva para três pessoas. E tínhamos as mochilas e as malas de viagem já completamente encharcadas.

Fachada do Catalonia Albeniz | D.R.

Depois de olhado o mapa, para aí uma milionésima vez e de termos procurado bem a nossa localização, vimos que estávamos de facto muito perto do hotel. Tínhamos virado uma rua antes. A solução, e porque o desespero batia à porta, foi ir mesmo debaixo de chuva, a correr até à entrada do Albeniz, ensopando ainda mais a mala… E as nossas roupas. O mundo parecia que ia desabar com tanta água nesse dia.

Já no quarto triplo do hotel, no último andar, vimos que perdemos demasiado tempo naquela situação atribulada e que, irremediavelmente, a ida a Tibidabo estava perdida nesse dia. Viria a ser adiada, caso houvesse tempo, para o último dia antes de rumarmos de novo a Lisboa. E assim acabou por ser. Depois de secos e de novo com vontade de conhecer Barcelona, alterámos os planos e fomos começar a conhecer de facto a cidade. Essa aventura fica, contudo, para o próximo post.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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