Barcelona de Gaudí: Palau Guëll, o primórdio de um legado único

Antoni Gaudí

Antoni Gaudí

É difícil não sentir inveja da sorte que Barcelona teve por ter sido a eleita de Antoni Gaudí para estudar arquitectura em 1870. Nessa altura, a cidade nunca imaginou que a obra que o arquitecto viria a desenvolver lhe deixaria um legado único em todo o mundo, capaz de motivar a visita, mais de dois séculos depois, de milhões de turistas anualmente. A obra de Gaudí, que assume a sua máxima espectacularidade na megalomania em torno da inacabada Sagrada Família, rompeu com os velhos estilos históricos existentes até aí, criando uma estética única (gaudiniana) que coincidiu com o surgimento do Modernismo na Catalunha e com outros movimentos paralelos noutros países, como a Art Nouveau, o Liberty Style, entre outros. E o Palácio Guëll (ou Palau Guëll) é disso um excelente exemplo.

Fachada Palau Guëll

Fachada Palau Guëll

O palácio pertence a uma primeira etapa da obra de Gaudí que se caracterizou pela vontade de quebrar com o academismo e o medievalismo que imperavam na altura em toda a arquitectura europeia, empreendendo desta forma uma via nova e única de expressividade formal e espacial, em grande parte fundamentada na arte hispano-muçulmana, mas sem cair em recuperações historicistas. Esta obra-prima de Gaudí foi-lhe encomendada por Eusebi Guëll, um mecenas das artes e da cultura da Catalunha, que travou com o artista uma amizade estreia que se viria a materializar principalmente neste palácio e no parque Guëll.

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Património Mundial declarado pela Unesco

Situado numa rua paralela à La Rambla, o Palau Guëll, construído entre 1885 e 1890, foi declarado Património Mundial pela Unesco em 1994, num reconhecimento do seu valor universal como peça de renovação da arquitectura à escala mundial. O Palau serviu de residência familiar para os Guëll nos fins do séc. XIX e princípios do século seguinte. É o único exemplar da arquitectura doméstica que Gaudí completou e que não sofreu, posteriormente, quaisquer tipo de modificações.

Planta do piso térreo

Planta do piso térreo | 1 – Apresentação; 2 – Cocheira; 03 – Acesso à cave/rampa; 4 – Acesso ao vestíbulo; 05 – Acesso ao piso intermédio

O percurso pelo Palau Guëll, cuja visita se desdobra em 8 pisos, leva-nos desde o antigo estábulo da cave até ao terraço, passando pelo andar nobre e pelo piso onde se encontram os quartos privados da família Guëll. A entrada faz-se pelo piso térreo, onde se encontra um posto de informações, uma loja de souvernirs, uma bilheteira, um bengaleiro e uma área de serviços. O percurso inicia pelas cavalariças na cave, onde se guardavam os cavalos, a palha, a lenha e o carvão. Um sem fim de colunas fungiformes domina a ‘paisagem’ na cave.

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Cavalariças, na cave

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Colunas fungiformes

A administração dos negócios familiares era feita no chamado piso intermédio, que inclui ainda o vestíbulo da habitação que conduz ao andar nobre. Este, por sua vez, inclui a sala de jantar e um conjunto diverso de outras áreas dedicadas à vida familiar, com salas para uso social que conduzem, por sua vez, ao salão central, espaço onde as recepções e eventos eram organizados. O salão central, que tem uma capela e a consola do órgão, é o eixo sobre o qual se articula todo o edifício do palácio.

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Eixo em torno do qual o palácio se vai estruturando

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Decoração exuberante, Palau Guëll

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Tecto visto dos pisos inferiores

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Escadaria repleta de ínfimos detalhes

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Decoração diferente para cada nova porta

A visita leva-nos, em seguida, ao chamado Subnível, onde se pode visitar a tribuna dos músicos. Era aqui que se realizavam os eventos musicais do palácio. Destaque, em seguida, para a área dos quatro quartos, de âmbito privado da família, para o sótão, local actualmente destinado a exposições temporárias, e, por fim, para o terraço, onde sobressaem as vinte chaminés gaudinianas, verdadeiras esculturas de formas imaginativas. No centro do terraço, é de especial interesse a agulha que cobre a cúpula do salão central.

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Sótão, espaço para exposições temporárias

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Chaminés gaudinianas em grande plano

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Agulha que cobre a cúpula do salão

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As mesmas chaminés que povoam o Parc Guëll ou a Sagrada Família

Em Novembro de 2011, quando visitei o palácio, os trabalhos de restauração deste edifício pelo Conselho Provincial de Barcelona estavam em destaque no espaço dedicado às exposições temporárias.

Informações úteis:

  • Localização: Carreer Nou de La Rambla, 3 – 5;
Localização do Palau Guëll em Barcelona

Localização do Palau Guëll em Barcelona

  • Preços (Novembro de 2011): 10€, que desciam para 8€ caso houvesse reserva, cartão jovem ou idades inferiores a 25 e superiores a 65 anos para os cidadãos da União Europeia;
  • Há guias aúdio em alemão, catalão, castelhano, francês, inglês, italiano, japonês e português, cujo preço está incluído no bilhete da entrada;
  • Não é permitido comer nem fumar no edifício;
  • É obrigatório o depósito de objectos no bengaleiro;
  • Manter o silêncio e desligar os telemóveis;
  • É permitido tirar fotografias, mas sem flash e sem tripé;
  • O edifício está parcialmente adaptado para pessoas com mobilidade condicionada. Nem todos os pisos são, porém, acessíveis dadas as características próprias do edifício;
  • Está aberto de Terça a Domingo e encerrado às segundas-feiras;
  • Horários: De Outubro a Março – das 10h às 17:30; De Abril a Setembro – das 10h às 20h. A última entrada é admitida até uma hora antes do fecho do horário de visitas;
  • Telefone: 934 725 775 ou 934 725 771;
  • Email: palauguell@diba.cat
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “Barcelona de Gaudí: Palau Guëll, o primórdio de um legado único”

  1. luffi says :

    Excelente repórt sobre o palácio. Como já tinha dito aqui vivi uma temporada da minha vida em Barcelona e já a visitei cerca de 7 vezes desde o no 2000. Pois bem que todas essas vezes o palau guell esteve sempre fechado para restauro pelo que nunca me foi possível visitar além da fachada! Em Setembro volto à minha segunda casa para revistar outros amigos e claro não vou deixar fugir a oportunidade de visitar o palácio, que pelo teu repórt só me fez ver o quanto eu perdi nestes últimos anos. Parabéns

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    • Desporto: viajar says :

      Olá. O Palau Guell é, de facto, uma bela introdução ao legado gaudiniano em Barcelona. Ainda bem que gostaste. Pelo que percebi, a exposição sobre a restauração do edifício ainda se encontra patente. É bem interessante. Mais posts sobre Barcelona se seguirão, certamente. Abraço.

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