Museus de Barcelona: tributo a Picasso

Retrato de Picasso | D.R.

Nem só do legado de Antoni Gaudí vive o turismo de Barcelona. Tal como tinha mencionado anteriormente, a cidade não sabe a sorte que tem por nela terem vivido e se apaixonado outros nomes como Joan Miró ou Pablo Picasso. Este último tinha, aliás, apenas 13 anos quando desembarcou na metrópole, acompanhado pelo pai. Nessa altura, em 1894, Barcelona tinha uma classe trabalhadora muito forte que ambicionava virar o jogo e deixar para trás a miséria a que estava condenada desde a nascença. Foi na cidade que Picasso obteve toda a sua formação.

Esta convivência com as desigualdades e revoltas sociais fizeram de Picasso um adulto precoce. Isso transparece na sua admissão na escola superior, onde os colegas eram bem mais velhos do que ele. Foi aqui que Picasso estabeleceu com Pallarès Grau uma grande amizade que perduraria até ao resto do fim da vida de ambos. Juntos perderam a virgindade com as prostitutas da Carrer d’Avinyó, que depois inspiraria Picasso a conceber “Les Demoiselles d’Avignon”, a fonte para os críticos da chamada arte moderna. Foi com o seu amigo, aliás, que rumou à pequena cidade de Horta, onde pintaria quadros que constam agora no museu que lhe faz tributo em Barcelona.

Picasso e Sabartes | D.R.

Por tudo isto, o Museu Picasso, situado na Carrer Montcada, a apenas alguns passos do Bairri Gòtic, deve ser visitado. Se isto não chega para convencê-lo a rumar ao museu, saiba que esta já é uma das atracções mais populares de Barcelona hoje em dia. O museu está instalado ao longo de cinco palácios: Berenguer, d’Aguilar, Baró de Castellet, Meca, Mauri e Finestres. O espaço abriu em 1963, no palácio d’Aguilar, quando outro grande amigo de Picasso, Jaime Sabartes, doou as primeiras pinturas do artista, incluindo algumas do seu início de carreira. A complementar o acervo de quadros, há obras gráficas deixadas em testamento e mais de 140 peças de cerâmica oferecida pela viúva de Picasso, Jacqueline.

Entrada do museu, na Carrer Montcada | D.R.

Palácio de Baró de Castellet | D.R.

Cerâmicas oferecidas pela viúva de Picasso, Jacqueline | D.R.

Sala 3 da colecção permanente do Museu Picasso | D.R.

Mais uma sala do Museu Picasso | D.R.

Actualmente, a colecção tem mais de 4200 peças. O itinerário pela obra do artista abarca toda a colecção permanente e estende-se por 16 salas, todas elas no primeiro piso do Museu Picasso. A sala 1 abrange os “Inícios” da carreira (de 1890 a 1895) do artista, destacando-se aqui obras como o “Homem com Boina”. Já na sala seguinte, o visitante poderá ver obras-primas que foram desenvolvidas durante o seu período de formação (de 1895 a 1897). Destaca-se aqui o “Retrato da Mãe do Artista”. A sala 3 dá detalhe ao período em que Picasso rumou a Madrid, lidando mais com a corte e a família real, e à povoação de Horta, entre 1897 e 1989.

“Homem com Boina”, Picasso | D.R.

“Retrato da mãe do artista”, Picasso |D.R.

A partir daqui, a colecção começa a explorar o vanguardismo artístico de Picasso, que acaba por coincidir cronologicamente com o período em que este regressou a Barcelona. Na sala 4, destaque para o “Menú de Els Quatre Gats”. O quinto, sexto e sétimos espaços da colecção são dedicados à passagem de Picasso por terras parisienses, entre 1900 e 1901: as obras “El Diván” e “Bodegón” foram para mim as mais interessantes nestas salas da exposição. A chama época Brava de Picasso é o destaque da sala 8, onde se poderá ver o famoso quadro “O louco”, pintado em 1904.

“Menú de Els Quatre Gats”, Picasso | D.R.

“El Bodegón”, Picasso | D.R.

A época rosa de Picaso (de 1905 ao ano seguinte) predomina na sala 9, enquanto nas salas 10 e 11 estão obras desenvolvidas por Picasso durante os anos em que praticamente tudo aquilo que criou era feito em homenagem a Barcelona. O apogeu de toda a colecção, porém, desenrola-se ao longo das pequeninas salas 12, 13 e 16 e das gigantescas salas 14 e 15: é altura de ver a fabulosa colecção “As Meninas”.

Entre Agosto e Dezembro de 1957 Picasso analisou profundamente “As meninas” de Velásquez. Do trabalho de reflexão, viriam agora a resultar 58 obras que Picasso doaria integralmente a este museu onze anos depois da sua criação. A colecção “As Meninas” é composta por 44 quadros interpretativos das Meninas de Velásquez, por nove quadros que retratam o pombal que Picasso tinha no seu terraço de casa, e por três paisagens e duas interpretações livres. Os 44 quadros principais distribuem-se ao longo das salas 12 a 15, os restantes quedam-se pela 16. É de tirar o fôlego esta parte do museu, que é também a última da sua colecção permanente.

“Las Meninas”, Picasso | D.R.

Mais um quadro de “As Meninas” | D.R.

Uma das salas de “As Meninas”, no Museu Picasso | D.R.

No piso térreo, estão uma série de serviços como a recepção, salas de estar, lojas com souvenirs, um pequeno pátio e um espaço de arrumos.

Pátio no piso térreo | D.R.

Cafetaria e restaurante do museu | D.R.

Loja de souvernirs e livraria | D.R.

Além de permitir compreender toda a formação que obteve Picasso em Barcelona, o Museu Picasso é ainda um testemunho vivo do seu vínculo e sentimento de pertença à cidade. Um vínculo estreito e inseparável, que se prolongou desde a sua adolescência até à hora da sua morte. Foi, aliás, graças à vontade do próprio que Barcelona dispõe hoje da sua obra de juventude, assim como da série completa de “Las Meninas”. Um verdadeiro tributo a um dos artistas mais significativos de la escola artística do século XX.

Informações úteis:

  • Localização: Carrer de Montcada, 15-23;
  • Como chegar: Metro de Barcelona: L1 Arc de Triomf; L3 Liceu e L4 Jaume I. Também há autocarros a passar nas imediações;
  • Preços: 11€. Para menores de 29 anos a entrada é reduzida e custa 6€. Para menores de 16 anos a entrada é gratuita. Em Novembro de 2011 usufruí de um desconto de 20% por ser portador do Barcelona Card;
  • Horários: Aberto de 3ª a Domingo, das 10h às 20h. Fecha nos tradicionais dias festivos;
  • É proibido fotografar, filmar, fumar, comer ou beber, levar animais e levar malas, mochilas e outros acessórios para o interior. Há cacifos à entrada para isso mesmo.

NOTA: Todas as fotos que constam nesta entrada são de outras fontes de informação. Os direitos são reservados.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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