Porto: no coração do centro histórico

O Douro, a ponte e os barcos rabelos

O Douro, a ponte e os barcos rabelos

A cidade do Porto permaneceu uma incógnita para mim até há bem pouco tempo. Sempre tive curiosidade em conhecer a Invicta, motivado pelas fotografias belíssimas que via dos cantos mais pitorescos da cidade, especialmente da zona da Ribeira, aquela que sempre preencheu demasiado o meu imaginário. Mas nunca tinha tempo para lá ir. Um dia não bastava, achava eu, dois também não. Fi-lo, portanto, em três e sinto que preciso de lá voltar com urgência para ver tudo aquilo que não consegui ver. A paixão pela cidade foi imediata. Pela Ribeira então, um delírio total. E é difícil explicar as razões desse sentimento. Simplesmente, gostei e pronto. Amei, verdade seja dita.

A Sé, a ponte Luís I e a cidade, vistas do topo da Torre dos Clérigos

A Sé, a ponte Luís I e a cidade, vistas do topo da Torre dos Clérigos

Património mundial da Humanidade

Património mundial da Humanidade

O convite que recebi para rumar ao Norte deixou-me, por isso, bastante feliz. Ia finalmente conhecer a Invicta. Acabei por ficar instalado no hotel Vila Galé do Porto, em pleno Campo de 24 de Agosto, a passos rápidos do centro histórico da cidade. Na verdade, todos os pequenos passos dados no Porto parecem desembocar nessa área pitoresca e única da cidade, classificada desde 1996 como Património Mundial pela Unesco. A chuva, que se fez sentir no primeiro dos três dias que ali passámos, não nos demoveu, obviamente, de fazer rapidamente o caminho que separava o hotel desta zona da cidade.

Coliseu do Porto

Coliseu do Porto

Assim, a rua de Santo Ildefonso tornou-se rapidamente uma das nossas melhores amigas durante a nossa estadia na Invicta. Todos os dias descíamos esta artéria da cidade para chegarmos ao centro. No primeiro dia, fomos um pouco mais às cegas, olhando para todo o lado, perdendo-nos no intrincado aglomerado urbano local que parecia brotar outrora do chão sem preocupações urbanísticas aparentes. Ainda assim, foi quase num ápice que chegámos até ao edifício do Coliseu. Na verdade, não queríamos vê-lo, apenas alcançá-lo porque sabíamos que assim que o fizéssemos daríamos rapidamente com a famosa rua de Santa Catarina, totalmente usada apenas por pedestres e, por fim, ao Majestic.

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Os velhinhos eléctricos que dão charme a todas as grandes cidades europeias

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Arte Nova na cidade

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Rua de Santa Catarina

A rua de Santa Catarina é a rua mais comercial da baixa portuense e alberga fachadas imponentes de alguns dos melhores edifícios de Arte Nova existentes em Portugal. A planificação desta rua deveu-se ao espírito visionário dos Almadas, cujas obras de requalificação lavaram por completo a ‘alma’ da cidade do Porto. Ponto de paragem obrigatória por aquelas bandas é o Café Majestic. Classificado como imóvel de interesse público em 1983, o Majestic é um dos mais belos exemplares de Arte Nova da cidade. A reabertura do café em 1994 devolveu-o ao seu antigo esplendor, transportando-nos de novo para a fascinante Belle Époque. Perdemo-nos no seu interior, não só pela atmosfera de requinte e de bem-estar, mas também pela maravilhosa tarte de maçã que provámos, quentinha e deliciosa como poucas que já saboreei.

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Fachada do Café Majestic

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Interior do Café Majestic

O menú

O menú

A maravilhosa tarte de maçã

A maravilhosa tarte de maçã

Seguindo rua acima, ainda tivemos tempo de ver a fachada repleta de azulejos da belíssima Capela das Almas. De uma extrema simplicidade arquitectónica, o destaque da capela são mesmo estes azulejos que representam cenas da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina. Já no interior, o destaque recai sobre os altares de estilo neoclássico, que albergam a imagem de Nossa Senhora das Almas, datada do séc. XVIII. Em seguida, descemos a rua Formosa com o intuito de vermos o famoso Mercado do Bolhão.

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A fachada repleta de azulejos da Capela das Almas

Mais ao pormenor

Mais ao pormenor

Foto do interior tirada à sucapa

Foto do interior tirada à sucapa

O mercado é, de facto, o mais emblemático da cidade. De aspecto monumental e fachada neoclássica, o mercado distribui-se ao longo de dois pisos, dividindo-se num grande número de estabelecimentos voltado para todas as principais artérias da cidade que o ladeiam. A rua Formosa é uma das quatro ali existentes. Não estivemos por lá muito tempo, porque já era tarde e o comércio ali existente já havia vendido quase tudo aquilo que tinha para vender nesse dia. Flores, fruta e legumes, peixe, pão, carne, entre outras são algumas das coisas que ali facilmente poderão ser encontradas.

Fachada do Bolhão

Fachada do Bolhão

O mercado, por dentro

O mercado, por dentro

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A caminho dos Aliados I

A caminho dos Aliados II

A caminho dos Aliados II

Sem nos determos por muito tempo, acabámos por subir a rua de Sá da Bandeira, tendo apanhado em seguida a Fernandes Tomás até ao largo que separa a Igreja da Trindade das traseiras da Câmara Municipal do Porto e Avenida dos Aliados. Esta avenida é, por excelência, o local onde os portuenses se concentram para celebrar momentos especiais, de que a passagem de ano é disso um bom exemplo. O conjunto arquitectónico do local, marcado por edifícios erguidos em granito, coroados de lanternins, cúpulas e corochéus, fazem do local a ‘sala de visitas’ de excelência da cidade. Ali, os principais bancos portugueses e estrangeiros estão sediados e imensos turistas passeiam, deslumbrados pelo conjunto que os rodeia. E não há palavras que descrevam essa beleza. Nem as fotos que se seguem.

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Igreja da Trindade

    Câmara Municipal do Porto na Avenida dos Aliados

Câmara Municipal do Porto na Avenida dos Aliados

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Aliados I

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Aliados II

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Aliados III

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Aliados IV

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Aliados V

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Aliados VI

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Aliados VII

Antes de rumarmos ao hotel, cansados de tanto andar e aborrecidos com a chuva irritante e persistente que não cessava, fomos decididos a ‘cuscar’ um pouco a famosa estação de São Bento. Os seus arredores estavam totalmente em obras, pelo que não nos atrevemos a atravessar o lamaçal do local a fim de ver o interior da estação. Dizer apenas que esta, que se destaca pela sua cobertura de vidro e ferro fundido, foi edificada no princípio do século passado no preciso local onde existiu um convento. Dizem que o átrio, que não vimos pelos motivos de que falei anteriormente, está revestido com cerca de vinte mil azulejos que ilustram a história da evolução dos transportes e vida dos portugueses. Para ver, futuramente.

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Estação de São Bento e entrada para o metro

Houve ainda tempo de comprarmos os primeiros recuerdos locais antes de adentrarmos na estação de metro de São Bento, vencidos finalmente pelo cansaço que não dava tréguas. O dia estava feito.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

4 responses to “Porto: no coração do centro histórico”

  1. Camila Navarro says :

    Não sei porque acabei não entrando no Café Majestic! É o tipo de lugar que me apetece, como dizem vocês por aí. 😉

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  2. Arnóbio Neto says :

    Também adorei o Porto, Bruno.
    Quem me dera se o Café Majestic estivesse tão vazio assim quando fui. Arranjamos apenas uma mesinha lá fora.
    Vou ler os outros posts da cidade para recordar os dias que passei por lá..
    Abraço

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