Porto: Dos Aliados à Ribeira

O segundo dia de ‘trabalhos’ no Porto começara bem cedo. Depois de tomado o pequeno-almoço, fomos em direcção à recepção do hotel com o intuito de fazer o nosso passe de dois dias para o Hop-On Hop-Off, aqueles autocarros turísticos que permitem aos visitantes entrarem e sairem onde quiserem num número razoável de paragens junto aos principais ex-libris de qualquer localidade. Mas, aqui, o passe incluía também a realização de um cruzeiro no Douro, ao longo das seis pontes que ligam Vila Nova de Gaia e o Porto, e a ida às caves de uma das principais casas produtoras de vinho do Porto. Com direito a prova de vinhos e tudo, claro! Custo: meros 20 Euros.

Hop-On Hop-Off no Porto

Hop-On Hop-Off no Porto

A primeira paragem do dia foi junto à Igreja das Carmelitas, numa das extremidades do centro histórico portuense, depois de apanhado o Hop-On Hop-Off nos Aliados. A igreja faz parte de um conjunto maior na qual está inserido ainda o convento dos frades Carmelitas Descalços, ambos edificados na primeira metade do séc. XVII. A igreja combina a sobriedade do estilo clássico e denuncia influências barrocas. O interior foi enriquecido um século depois com retábulos e púlpitos de talha dourada. Mais tarde, no séc. XIX, com a extinção das ordens religiosas, a parte conventual viria a ser transformada, sendo utilizada como quartel.

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Igreja das Carmelitas

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Interior da Igreja das Carmelitas

Ali perto, encontra-se um dos principais edifícios da Universidade do Porto. Foi engraçado rever os estudantes a envergarem os seus trajes académicos, em meio a muitas ‘capas negras’ e praxes ancestrais. Este edifício da universidade foi construído durante o séc. XIX. De feição neoclássica, o edifício revela ainda a influência do estilo introduzido pela construção do Hospital de Santo António. Neste local funcionou também a Real Academia de Marinha e Comércio, depois a Academia Politécnica e, a partir de 1911, a Universidade da Invicta.

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Universidade do Porto

Nas redondezas daquela zona da cidade, encontram-se ainda dois ex-libris que não podem deixar de ser visitados: a lindíssima Livraria Lello e a famosa e austera Torre dos Clérigos. A primeira distingue-se pela sua belíssima fachada de Arte Nova (mais uma nesta cidade…), com pormenores neogóticos. Já no interior, que, infelizmente, não pode ser fotografo, aquilo que sai à vista é o gesso pintado imitando madeira e o grande vitral existente no tecto, que ostenta o monograma e a divisa da livraria: “Decus in Labore”. Diz-se que a autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling, ter-se-á inspirado nesta livraria para criar o estabelecimento onde o pequeno feiticeiro e seus amigos compravam anualmente os seus manuais antes de ingressarem em Hogwarts. As fotos que se seguem ajudam a explicar as razões que terão, alegadamente, motivado a autora a tal.

Eu, junto à Livraria Lello

Eu, junto à Livraria Lello

Interior da livraria Lello I | D.R.

Interior da livraria Lello II | D.R.

Interior da livraria Lello III | D.R.

Já na Torre dos Clérigos, vale pena a subida que proporciona magníficas vistas de toda a cidade do Porto, do Douro e de Gaia. Esta obra barroca, da autoria de Nicolau Nasoni, foi construída na primeira metade do séc. XVIII e é, hoje, um dos monumentos mais emblemáticos da cidade. As vistas alcançadas compensam bem o esforço da subida íngreme de 240 degraus. A subida é paga, mas o valor é quase simbólico.

Torre dos Clérigos

Torre dos Clérigos

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Vistas desde os Clérigos I

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Vistas desde os Clérigos II

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Vistas desde os Clérigos III

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Vistas desde os Clérigos IV

Antes de rumarmos à Sé Catedral do Porto, ainda queríamos avistar a cidade de outros ângulos. Foi com esse intuito que calcorreámos a rua que passa ao lado do Centro Português de Fotografia, cujo interior não visitámos, e chegámos ao Miradouro da Vitória. Na verdade, este miradouro está situado nas traseiras da igreja com o mesmo nome. Não foi possível ver o seu interior, porque estava a fechar para almoço. O esforço, contudo, valeu a pena porque as vistas dali obtidas são únicas.As fotos seguintes poderão comprovar isso mesmo!

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Igreja junto ao miradouro da Vitória

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No miradouro

Depois percorremos o intrincado labirinto de ruas que separava essa zona da cidade da Sé Catedral, esta já situada numa zona bem mais elevada da Invicta. Nem prestei muita atenção ao caminho tomado, tendo apenas deixado a minha orientação falar mais alto. Apenas sei que cruzámos a rua Mouzinho Silveira a determinada altura do percurso. Chegados ao alto, a primeira coisa que fizemos foi ver muito rapidamente o interior da Sé Catedral do Porto. A bondade de uma senhora que trabalhava no local foi de louvar. Prescindiu dos seus prováveis 10 minutos do almoço para nos permitir a entrada até ao interior.

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Sé Catedral do Porto

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Largo e Sé Catedral do Porto

O edifício da Sé do Porto foi construído no séc. XII, em estilo românico. Na torre do lado Norte da Sé, um baixo relevo representando uma embarcação do séc. XIV simboliza a vocação marítima da cidade. Ao longo do tempo, a Sé foi recebendo importantes beneficiações do período gótico. No interior, destacam-se a sacristia, o claustro, a capela de João Gordo, com um notável túmulo gótico, a sala do Capítulo e a exposição de Arte Sacra. Há ainda testemunho da influência do barroco no edifício, designadamente ao nível do retábulo-mor, em talha dourada. Com as alterações e ampliações de que foi sendo alvo, o edifício chegou, somente no séc. XX, ao aspecto que tem actualmente, uma reconstituição idealizada da catedral medieval. Destacam-se também as fabulosas vistas da cidade existentes junto da Sé, fruto da sua construção numa zona mais elevada do Porto. Ali perto, há ainda a possibilidade de ver a casa-torre medieval descoberta na época das demolições do Terreiro da Sé, a torre da rua de D. Pedro Pitões. Aqui esteve instalado o gabinete de história da cidade até 1960.

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Torre da rua de D. Pedro Pitões

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Típica rua no Porto, ao descer para a Ribeira

Já esganados com a fome, descemos rapidamente a escadaria que nos levou desde a Sé Catedral até à ponte Luís I e, finalmente, à ansiada zona da Ribeira. Projectada pelo engenheiro Teófilo Seyrig, discípulo de Eiffel, a ponte foi inaugurada em 1886 e é detentora daquele que é considerado o maior arco do mundo em ferro forjado. Actualmente, o tabuleiro superior da ponte é ocupado por uma das linhas do metro do Grande Porto, ligando a zona da Sé, na Invicta, à Avenida da República, esta já do lado de Gaia. O tabuleiro inferior faz a mesma ligação entre as cidades, mas a circulação destina-se a viaturas e pedestres.

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Junto à ponte Luís I

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A ponte, Gaia, o Douro e os barcos Rabelos

A zona da Ribeira é magnífica. Daquelas paisagens que vistas em qualquer lado do mundo associamos rapidamente a Portugal. O Douro, a ponte Luís I, Gaia na outra margem e os barcos rabelos dão o encanto único que enche os olhos de qualquer um. É nesta área da cidade que está igualmente localizada a praça da Ribeira, de origem medieval e, portanto, considerada uma das mais antigas de entre o seu género no país. Ali o comércio pratica-se de forma intensa, com as tendas de venda de antigamente a darem local a restaurantes de gastronomia típica de excelência e a cruzeiros que levam turistas Douro acima. Vale a pena parar ali umas horas e dedicar olhares atentos a tudo aquilo que a vista consegue alcançar. Se a isso, juntar também um almoço ou um jantar no local, então a estadia no Porto já valeu, de facto, a pena. Para nós, oh se valeu!

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Ribeira I

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Ribeira II

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Ribeira III

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Praça da Ribeira IV

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Ribeira V

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Ribeira VI

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Ribeira VII

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “Porto: Dos Aliados à Ribeira”

  1. Arnóbio Neto says :

    Oi Bruno
    Essa também é a minha parte preferida da cidade, a Ribeira. Ficamos bem perto dela, na Rua das Taipas, em um apartamento ótimo que alugamos.
    Fotografei incontáveis vezes todos os ângulos da ponte e do casario antigo.
    Em Vila Nova de Gaia visitamos a cave da Ramos Pinto. Recomendo muitíssimo.
    Abraço

    Gostar

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