O centro histórico de Bruxelas

Em direcção à Grand Place

Em direcção à Grand Place

Bruxelas, capital da Bélgica, é simultaneamente a capital política da Europa. Mas na primeira vez que tive oportunidade de colocar os pés na cidade, deixei-me de politiquices e dediquei o meu primeiro tour ao centro antigo da cidade, rumando primeiro à fantástica Grande Place. Na verdade, a decisão sobre o que ver foi tomada no momento e muito influenciada pelo facto de o hotel onde fiquei a trabalho estar situado apenas à distância de uma larga avenida , junto à estação de metro Regier, da Grand Place.

Comércio fechado em artéria pedonal de Bruxelas

Comércio fechado em artéria pedonal de Bruxelas

Infelizmente, por ser Domingo, o comércio local na avenida, a Rue Neuve Nieuwstraat, estava todo de descanso, pelo que só nos restou olhar as montras no local, enquanto percorríamos a extensão desta artéria pedonal na cidade em direcção à Grand Place. De repente, sem dar muita importância na altura, tinha chegado à Place de la Monnaie, onde vi pela primeira vez a fachada neoclássica do Thêatre Royal de la Monnaie. O teatro foi construído em 1817 no local de uma antiga Casa da Moeda. Um incêndio, alguns anos mais tarde, apenas deixou intacta a fachada e o frontão de estilo neoclássico. Depois da tragédia, o arquitecto Joseph Poelaert pôs mãos à obra e redesenhou todo o edifício. Actualmente, o teatro permanece como centro das artes representativas belgas.

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Fachada neoclássica do Thêatre Royal de la Monnaie

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Crianças a divertirem-se na Place la Monnaie

Praticamente ali ao lado, está o Palais de la Bourse, que domina a praça com o mesmo nome na cidade. Simplesmente chamado também de La Bourse, o edifício é um dos mais importantes em Bruxelas. As esculturas que decoram a fachada são um dos seus traços mais característicos e importantes. Algumas áreas do edifício estão abertas ao público, mas há uma divisória que separa os turistas do frenesim de ofertas e transacções bolsistas que ali tem lugar durante a semana.

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Restauração nas proximidades da Grand Place

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La Bourse

A partir desta altura, as lojas de roupas de renome internacional já há muito tinham dado lugar a restauração local. À medida que circulava em direcção à Grande Place, estas por sua vez eram substituídas por imensas lojas de souvenirs, de cerveja local e de chocolates. Uma panóplia de lojas e lojinhas que parecia não ter fim. Haja carteira para isto tudo. As fotos abaixo podem provocar água na boca por isso mesmo.

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Suspiros e outros doces

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Chocolates, chocolates, chocolates…

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Água na boca…

E eis que, do nada, vi pela primeira vez na vida a Grand Place. Nem sei que adjectivos usar para a descrever. Majestosa, imponente, bela… Indescritível. Mas aquilo que é parco em palavras, os nossos olhos no local captam com perfeição. A Grand Place é o centro histórico e comercial de Bruxelas e um dos melhores exemplos da arquitectura da cidade do séc. XVII. Dois edifícios sobressaem do conjunto monumental impressionante: de um lado a fachada da Câmara Municipal de Bruxelas, parte do Hôtel de Ville, do outro a Maison du Roi.

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Eu e a Maison du Roi

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A Câmara Municipal de Bruxelas, no Hôtel de Ville

A primeira surgiu apenas para reflectir o crescimento da cidade como grande centro de comércio europeu no final do séc. XIII. Do edifício, que só viria a estar concluído em 1459, destacam-se pormenores da fachada, com pedras primorosamente esculpidas, o campanário, cuja estátua de S. Miguel remata a flecha de 96 metros, e o telhado, restaurado em 1837 e limpo nos anos 90. Outrora residência de monarcas espanhóis, a Maison du Roi é hoje sede do Musée de la Ville, que exibe quadros do séc. XVI, tapeçarias e os 400 trajes do Manneken Pis, a estátua de bronze do menino a fazer xixi que toda a gente bem conhece. Como estava de passagem e era Domingo, não entrei no interior de ambos os edifícios. Será numa próxima vez que o vou fazer.

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A estátua na Grand Place onde todos devem passar a mão para que um desejo se realize

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Grand Place

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Maison des Ducs de Brabant

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Um belo exemplar do renascentismo flamengo

Além destes dois edifícios, há outros 5 que vale a pena prestar bem atenção na Grand Place: os que ocupam o lado Nordeste (à direita da Maison du Roi, de frente para a Câmara Municipal), o Le Renard, Le Cornet e Le Roi d’Espagne (num dos topos da Grand Place, à direita da câmara), o Everard ‘T Serclaes (à esquerda da câmara), a Maison des Ducs de Brabant (no outro topo da Grand Place) e, por fim, o Le Pigeon (à esquerda da Maison du Roi, de frente para a Câmara Municipal). É este conjunto de 7 edifícios em torno da Grand Place que melhor evidencia a unidade de edifícios da Renascença Flamenga que é possível ver nos dias de hoje.

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Galleries St-Hubert

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Interior abobadado das galerias

Seguindo pela rua que separa o Le Pigeon da Maison des Ducs de Brabant chegamos rapidamente às Galeries St-Hubert. Esta grandiosa arcada comercial foi a primeira do género a nascer no Velho Continente e é também uma das mais elegantes. Foi construída em estilo neoclássico, mais uma por estas bandas, e o telhado abobadado em vidro cobre por inteiro as três secções das galerias (Gallerie du Roi, de la Reine e des Princes), onde se encontram inúmeros cafés e marcas de roupa luxuosas.

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Estação Bruxelles-Central

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Mont des Arts

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Eu, no Mont des Arts

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Fachadas a caminho do Palais Royal

Acabámos depois por chegar ao Mont des Arts e à Place Royale Koningsplein onde vimos a imponente fachada du Palais Royale. Este é o mais importante dos palácios de Bruxelas e residência oficial da monarquia belga. Está apenas aberto entre Julho e Setembro e é uma boa oportunidade para conhecer as luxuosas salas de recepção oficiais da Bélgica. Apesar das linhas do eléctrico, que descem pela Rue de la Regence, por onde também descemos em seguida, a Place Royale mantém a dignidade com os seus edifícios altos e simetricamente dispostos em redor da praça empedrada.

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Palais Royale

Sempre com o Palais de Justice como destino, ainda vimos a igreja de Notre-Dame au Sablon, um dos melhores exemplos da arquitectura gótica na Bélgica. Também passámos ao lado do seu interior. Já o Palais de Justice domina o horizonte de Bruxelas e pode ser visto de quase todos os pontos altos na cidade. Este ocupa uma área maior do que a Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano e é um dos edifícios mais impressionante do séc. XIX. Aqui ainda funcionam os tribunais da cidade, apesar de a fachada estar sempre coberta de andaimes e tapumes. Uma restauração tardia que teima em perpetuar-se no tempo.

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Fachada gótica de Notre Dame du Sablon

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Igreja de Notre Dame du Sablon

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Em direcção ao Palais de Justice

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Palais de Justice

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Elevador panorâmico junto ao Palais de Justice

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BD por todos os lados em Bruxelas

Dali, optámos por descer por um elevador panorâmico que se encontra na zona a fim de procurar algum lugar para almoçar. Já estávamos cansados de tanto andar e fazia um calor que desidratava quem fosse apanhado desprevenido. O nosso caso. Depois da refeição, ainda tive tempo de comprar alguns recuerdos locais, como chocolates, trufas e cerveja belga. Bruxelas foi, por tudo isto, uma grata surpresa. E muito ficou ainda para descobrir.

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Kasteel, uma cerveja preta tipicamente belga

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Gauffres, a cara de Bruxelas

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

4 responses to “O centro histórico de Bruxelas”

  1. Miguel Carvalho says :

    Adoro o facto de ver uma cidade com um centro histórico antigo, dá uma elegância enorme aos olhos de quem vê, mas… é um crime publicar fotos de chocolates e afins e não poder saborear agora. Abraço e continuação de um excelente blogue e retratos.

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  2. Arnóbio Neto says :

    Oi Bruno
    Eu e a Dani vamos pela primeira vez à Bélgica (e, claro, Bruxelas) em outubro/novembro, visitando também a Holanda (também primeira vez) e depois seguindo para revisitar Portugal. Já estamos ansiosos para provar as cervejas e os chocolates da cidade.
    Muito legal o post.
    Abraço

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