El Escorial e Valle de los Caídos

A localidade de San Lorenzo de El Escorial esconde dois dos monumentos mais interessantes que alguma vez poderá ver nos arredores de Madrid. O primeiro, bem no centro da pequena cidade, trata-se de um imponente e soturno palácio erguido pelo rei Filipe II para a morada final do seu pai, Carlos I de Espanha. Já o segundo, localizado nas proximidades do aglomerado urbano, é uma enorme cruz mandada construir por Franco em memória daqueles que morreram na guerra civil espanhola. Esta cruz ergue-se por cima do altar-mor de uma basílica totalmente escavada na rocha, local do derradeiro repouso do ditador espanhol. Pela importância que os monumentos têm para Espanha e pela proximidade entre ambos, o ideal será combinar a visita aos dois no mesmo dia. Reserve a manhã para o palácio, sempre mais cheio de visitantes. A tarde dedique-a à contemplação da Santa Cruz del Valle de los Caídos e de tudo o que ela representa. A combinação é imperdível. Ora veja.

Palácio Real de El Escorial

Palácio Real de El Escorial

Santa Cruz del Valle de los Caídos

Santa Cruz del Valle de los Caídos

O Palácio Real de El Escorial

Construído entre 1563 e 1584 a mando de Filipe II, o gigantesco palácio real de El Escorial destaca-se não só pela sua severidade e frieza, mas também por ter lançado um novo estilo arquitectónico e influente em Espanha, o ‘desornamento’, literalmente ‘não decorado’. Situado nos contrafortes da serra de Guadarrama, o palácio real foi construído em honra de São Lourenço e é actualmente o derradeiro repouso de Carlos I de Espanha. O interior do palácio, facilmente visitável numa manhã, foi concebido mais como mausoléu e retiro contemplativo do que como residência sumptuosa. Actualmente, a visita ao palácio leva-o pelos museus de Arquitectura e de Pintura, passando pelos Aposentos Reais (Palacio de los Austrias), pelo Panteão Real, as Salas Capitulares, a Basílica, o Pátio dos Reis e a Biblioteca. O palácio, que é simultaneamente um mosteiro nos dias de hoje, é dirigido desde 1885 por frades.

Palácio Real de El Escorial

Palácio Real de El Escorial

Palácio Real de El Escorial

Palácio Real de El Escorial

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Eu, num dos pátios do palácio

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Basílica

  • Os museus

O palácio de El Escorial tem vários pequenos museus no seu interior. Logo junto da entrada, é possível ver a obra de El Greco ‘O Martírio de São Maurício’. As escadas mais próximas conduzem-no até ao Museu de Arquitectura, onde existem diversas maquetas, planos, esboços e gravuras do palácio. No piso imediatamente acima está localizado o museu de Pintura, que abrange sobretudo obras dos séculos XVI e XVII. Ao longo de praticamente duas dezenas de salas, é possível ver pinturas de grandes mestres italianos, pintura espanhola e mesmo arte flamenga. ‘O Calvário’, do artista flamengo Rogier van der Weyden, do século XV, é uma das mais notáveis.

  • Os aposentos reais

A visita conduzi-lo-á em seguida até ao Palácio de los Austrias ou Aposentos Reais, que circundam toda a zona da basílica. Aqui destaca-se a Sala dos Retratos, que inclui retratos dos reis Carlos I, Filipe II, Filipe III, Filipe IV ou Carlos II, as Salas de los Paseos, cujas paredes estão decoradas com pinturas das vitórias militares espanholas, e o Quarto do Rei, onde é possível ver a cama onde Filipe II morreu em 1598, com vista para o altar-mor da Basílica do palácio.

  • O panteão real

O local onde repousam quase todos os monarcas espanhóis desde Carlos I é aquele que deve ser mais bem explorado por si na sua visita ao palácio. Localizado em baixo do altar-mor da basílica, este panteão com decorações em mármore preto espanhol foi concluído em 1654. Os reis estão alinhados à esquerda, as rainhas colocadas no lado direito. A última pessoa a ser sepultada neste panteão real foi a mãe do rei Juan Carlos I. Perto deste pantão, há um outro, chamado La Tarta, onde estão sepultados os filhos dos reis. O túmulo poligonal em mármore branco é impressionante.

Panteão real, D.R.

  • As salas capitulares

No canto sudeste do palácio, estão localizadas quatro salas capitulares, decoradas com imensas pinturas. Entre as melhores, estão algumas de Ticiano, artista que pintou diversas obras de arte em específico para o palácio de El Escorial, ou Vélazquez. Aqui poderá ver, a título de exemplo, o altar portátil de Carlos I.

  • A basílica

A basílica do Palácio de El Escorial é impressionante. Localizada bem no centro do palácio, a basílica tem na verdade 45 altares e inúmeras atracções do foro artístico. O enorme retábulo foi criado Juan de Herrera, com mármore branco, jaspe, esculturas de bronze dourado e pinturas. É o grande destaque da basílica. A título de curiosidade, a criação do sacrário central ocupou por completo um conhecido ourives de prata italiano durante sete anos. As capelas em torno da basílica têm estátuas de Filipe II e de Carlos I em oração.

Interior da Basílica, D.R.

Interior da Basílica II, D.R.

  • A biblioteca

A biblioteca do palácio foi a primeira biblioteca pública espanhola. Além de conter a colecção pessoal de Filipe II, que a idealizou, a biblioteca teve nos seus tempos áureos mais de 40 mil livros, além de um sem fim de manuscritos preciosos. Nas quatro colunas principais da biblioteca estão retratos da família real espanhola. Ali estão igualmente expostas moedas e a esfera de Ptolomeu de Filipe II que colocava a Terra no cento do Universo (1852).

A bilbioteca, D.R.

A esfera de Filipe II, D.R.

Santa Cruz del Valle de los Caídos

A cruz de mais de 150 metros de altura que Franco mandou erguer em cima de uma basílica escavada na rocha é visível ainda longe do Vale dos Caídos, a muitos quilómetros de distância. Imponente não só pelas dimensões envolvidas, mas também pela história que carrega, a cruz do Vale dos Caídos ainda é vista por alguns espanhóis como um símbolo frio da ditadura franquista. Mas a maioria elogia-a, ainda assim, pela excepcionalidade da própria obra.

O Valle de los Caídos, D.R.

A história do lugar confunde-se com a própria história espanhola. Os prisioneiros de guerra foram os responsáveis pela construção do local, ao longo de duas penosas décadas, embora muitos não tenham aguentado, sucumbindo. É aqui, no interior da basílica, ao lado do altar-mor, que poderá ser observada a branca e lisa pedra tumular do ditador. Do lado oposto, está a de José António Primo de Rivera, fundador da Falange Espanhola.

Interior da basílica, antes de chegar ao altar-mor, D.R.

Interior da basílica, D.R.

O altar-mor, D.R.

Túmulo de Franco, D.R.

A visita ao interior da basílica é possível. Este surpreende-lo-á pela simplicidade, frieza e austeridade. Não é possível fotografar. À frente da basílica, no piso térreo, uma imensa escadaria proporciona vistas assombrosas do vale situado em frente, o Vale dos Caídos. E ali perto há ainda um funicular que o levará até ao topo da montanha, até junto do local onde se ergue a imensa cruz. As vistas lá de cima são avassaladoras. Além dos túmulos de Franco e de Primo de Rovira, também ali estão cerca de 40 mil ataúdes de soldados de ambos os lados da Guerra Civil Espanhola, incluindo os de duas vítimas não identificadas. O local não é visitável.

Chegada ao local, com o funicular e a cruz à esquerda

Chegada ao local, com o funicular e a cruz à esquerda

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A cruz e a entrada da basílica, mais abaixo

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Eu, em frente à Santa Cruz del Valle de los Caídos

Informações úteis:

  • Como chegar a San Lorenzo de El Escorial:

Para chegar até à localidade desde Madrid poderá apanhar o comboio ou ir de autocarro. Eu preferi esta segunda opção, tendo em conta que para visitar o Valle de los Caídos é preciso apanhar um outro autocarro no pequeno terminal da cidade. Assim, desde o Intercambiador da Moncloa, em Madrid, é preciso apanhar o autocarro nº 661 da Autocares Herranz e fazer o trajecto todo, que dura aproximadamente uma hora. Há vários horários de ida e de volta. Para mais informações, basta ver aqui.

Estação de autocarros em San Lorenzo de El Escorial

Estação de autocarros em San Lorenzo de El Escorial

  • Como ir de San Lorenzo de El Escorial até ao Valle de los Caídos:

Desde o terminal de autocarros de San Lorenzo de El Escorial, basta apanhar o autocarro nº 660 que o deixará junto à entrada do complexo do Valle de los Caídos, próximo do funicular que o leva ao topo. O trajecto demora aproximadamente 20 minutos. Mais informações aqui.

  • Não é permitido fotografar no interior dos locais;
  • Horários e preços:

Para visitar o Palácio de El Escorial, no Inverno (a partir de Outubro), basta chegar ao local às 10h. Tem até às 18h para o visitar. Nos meses de Verão, a visita é extensível até às 20h. O bilhete básico custa 10€.

Os horários do Valle de los Caídos são os mesmos do palácio e a entrada também é paga, 9€.

NOTA: Todas as fotos que constem neste post e que sejam do interior dos dois monumentos não são minhas e, como tal, os direitos são reservados.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

2 responses to “El Escorial e Valle de los Caídos”

  1. Arnóbio Neto says :

    Olá Bruno
    Conhecemos o Palácio em 2012 e gostamos muito. Fomos de comboio. Apesar de não ser tão luxuoso como outros grandes palácios europeus, não dá par negar que é imponente, grandioso.
    Não fomos ao Valle de los Caídos mas tu já és a segunda pessoa que eu conheço que foi e gostou. Vai ficar para uma próxima.
    Abraço

    Gostar

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