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Egito: Dia 4 – Aswan e a zona mais encantadora do Nilo

Aswan vista desde o Nilo

Aswan vista desde o Nilo

A cidade de Aswan, ou Assuão como também é conhecida, é o lugar onde mais relaxei durante a minha estadia no Egito. Não porque o ritmo tivesse abrandado até então face aos dias anteriores, mas pelo facto de a paisagem que a circunda ser inebriante. Ali, o deserto prolonga-se até à beira da água, o rio Nilo, sem a poluição que até então lhe era característica, reluzia límpido e transparente como jamais imaginara ser possível e as inúmeras ilhas que ia vendo no seu leito povoavam o meu imaginário.

Localizada no sul do país, a 900 quilómetros de distância do Cairo, Aswan tem perto de 250 mil habitantes e é ponto de passagem para todos aqueles que querem ver os templos de Abu Simbel, estes últimos meramente localizados a 70 quilómetros da fronteira sul do país com o Sudão. E comigo, o motivo não foi diferente. Mas a cidade surpreendeu-me muito, mas muito pela positiva. Desde a época do Império Antigo, esta cidade com uma importante localização estratégica protegeu a fronteira sul do país e foi uma base para as incursões militares na Núbia e no Sudão. Estava situada no cruzamento das antigas rotas entre o Egito, a África e a Índia e era tida como um local onde, frequentemente, se vendiam produtos exóticos.

Aswan no mapa do Egito | D.R.

Tal como referi no post anterior, o dia em Aswan começou desumanamente cedo, ainda de noite. Eram 03:20 da noite e já o nosso grupo tinha saído do navio e “aterrado” no posto de controlo da polícia egípcia da cidade, local onde todos os turistas que iam rumar até Abu Simbel tinham de estar forçosamente reunidos para serem escoltados até ao local banhado pelo lago Nasser. Explicaram-me, na altura, que este era um procedimento padrão para salvaguardar a vida dos turistas de possíveis atentados terroristas dada a proximidade com o Sudão. E o número de autocarros que transportava turistas nesse dia era assustador. Contabilizei pelo menos 41 autocarros e depois desisti.

Autocarros parados em Aswan à espera de seguirem viagem para Abu Simbel

Autocarros parados em Aswan à espera de seguirem viagem para Abu Simbel

Bebendo um cházinho na estrada enquanto esperávamos iniciar viagem

Bebendo um cházinho na estrada enquanto esperávamos iniciar viagem

Polícias patrulhando o local

Polícias patrulhando o local

Paisagem desértica no caminho de 3 horas até Abu Simbel

Paisagem desértica no caminho de 3 horas até Abu Simbel

O caminho até Abu Simbel, pela grande estrada do deserto do sul do Egito, demorou mais ou menos 3 horas. Foram, no total, 6 horas em viagem nesse dia. Não preciso dizer o quão esgotante foi essa madrugada/manhã. Não me vou alongar muito em detalhes sobre os templos de Abu Simbel, porque vão ser o motivo do post seguinte a este aqui no Desporto: Viajar. Dizer, para já, que os mesmos foram salvos pela Unesco e completamente separados da montanha inicial onde estavam e colocados numa outra artificial. A estratégia salvou-os de serem submergidos pelo imenso lago Nasser, na década de 1960. Aproveitei para dormir no regresso, coisa que não tinha feito nessa madrugada.

Abu Simbel

Abu Simbel

Lago Nasser, em Abu Simbel

Lago Nasser, em Abu Simbel

Acordei já tínhamos chegado à cidade e passado a barragem de Aswan, a primeira construída pelos britânicos entre 1898 e 1902. As estradas para Abu Simbel passam por cima desta infra-estrutura. Mas o nosso objectivo seguinte era ver de perto a Grande Barragem de Aswan, esta sim uma obra verdadeiramente “faraónica”. Salvou o país da fome e da morte. Construída entre 1960 e 1971, a barragem tem quase 4 km de comprimento, 111 m de altura e quase 1 km de largura na base. No extremo leste há um pavilhão para visitantes com informações sobre a sua construção. No extremo oposto há uma torre em forma de lódão, uma maneira de os egípcios agradecerem à URSS o apoio dado na construção desta infra-estrutura.

Grande Barragem de Aswan, margem com vista para a cidade

Grande Barragem de Aswan, margem com vista para a cidade

O gigantismo da obra

O gigantismo da obra

Esquema desta obra "faraónica"

Esquema desta obra “faraónica”

Seguimos depois em direcção ao Obelisco Inacabado, datado do Império Novo. Achei-o, a nível muito pessoal, uma desilusão. Pequeno e sem grande importância face a tudo o que já tinha visto daquele país. Datado da época do Império Novo, o obelisco encontra-se numa antiga pedreira de granito a sul de Aswan. Se estivesse concluído, pesaria 1197 toneladas e teria 41 m de altura. Três lados do pilar já tinham sido extraídos, mas uma fenda na pedra levou a que o obelisco fosse abandonado e permanecesse, para sempre, parcialmente, preso à pedra.

Subindo para ir ver o Obelisco Inacabado

Subindo para ir ver o Obelisco Inacabado

O obelisco... inacabado I

O obelisco… inacabado I

O obelisco... inacabado II

O obelisco… inacabado II

Cemitério fatimita

Cemitério fatimita

Ao lado do obelisco, tive ainda oportunidade de ver o cemitério fatimita com centenas de túmulos islâmicos em tijolo de lama, construídos entre os séculos VIII e XII. Eram quase 13 horas da tarde e deviam estar uns 38 graus. Muito calor. Destilava por todos os lados, pelo que a aventura que me ocuparia a tarde daquele dia, depois de tomado o almoço, me iria novamente arrebitar. Íamos ver uma verdadeira povoação núbia e percorrer em falucas uma parte do Nilo que até então desconhecia.

Iniciando a navegação dessa tarde

Iniciando a navegação dessa tarde

Durante a navegação passámos ao lado das antigas cataratas do Nilo e da ilha Elefantina, a zona habitada mais antiga da cidade, onde vimos as ruínas do templo de Khnum, a parte mais visível desta verdadeira ilha/cidade-fortaleza. Nessa ilha, oportunidade ainda para ver ao longe o museu de Assuão, bem como o Nilómetro, cujas paredes estão marcadas para registar a altura das cheias anuais e assim prever a produção das colheitas na estação seguinte. Antes de chegar ao local onde tomei banho no rio Nilo, ainda vi ao longe o mausoléu de Aga Khan, um líder de muçulmanos xiitas que mandou erguer o monumento na cidade onde passava todos os seus invernos, e os túmulos dos nobres, escavados na rocha para a nobreza egípcia.

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Ilha Elefatina, museu de Aswan e Nilómetro

Bonitas estas falucas, não?

Bonitas estas falucas, não?

Aproximação ao barco para uma bakshish (gorjeta)

Aproximação ao barco para uma bakshish (gorjeta)

Já tinha o dito o quão belas estas embarcações são?

Já tinha o dito o quão belas estas embarcações são?

Túmulos dos Nobres

Túmulos dos Nobres

Mausoléu de Aga Khan, no topo da colina

Mausoléu de Aga Khan, no topo da colina

Depois do percurso de faluca, tempo para uma banhoca refrescante no Nilo. Na areia da praia fluvial, uns camelos do povo núbio que iríamos visitar esperavam-nos com o seu olhar pachorrento. Era a primeira vez que andava de camelo. Achei assustador ao início, incómodo durante toda a viagem e tranquilizador no final. Era praticamente de noite quando chegámos ao povo núbio.

A nossa praia fluvial no Nilo

A nossa praia fluvial no Nilo

À minha espera? Let's go then!

À minha espera? Let’s go then!

Socorro?

Socorro?

Olá, povo núbio

Olá, povo núbio

Os núbios são africanos e não árabes. Vendiam especiarias belíssimas em bancas improvisadas e eram gentis como o povo egípcio, aquele que nos tenta impingir coisas para comprar, não sabe ser. Ainda assim, são conservadores e fiéis às suas próprias regras e tradições. As casas são de um colorido impressionante. Provei ali o melhor chá de menta da minha vida, mas não tive coragem para tirar uma foto sequer com os crocodilos bébés do Nilo ao colo, nem para fumar uma shesha. Shame on me. Já cansado, mas feliz pelo facto de Aswan me ter surpreendido tão positivamente, deixei-me dormir no percurso feito de faluca até ao navio, já de noite, onde jantei, arrumei a mala e fui novamente dormir. Na manhã do dia seguinte, o meu destino seria o Cairo.

As barraquinhas de venda dos Núbios

As barraquinhas de venda dos Núbios

Um espectáculo aquelas especiarias não?

Um espectáculo aquelas especiarias não?

Pátio de uma casa núbia, onde bebemos chá de menta e fumámos shesha

Pátio de uma casa núbia, onde bebemos chá de menta e fumámos shesha

Baby crocs

Baby crocs

Informações úteis:

Grande Barragem de Aswan

  • Localização: 6km a sul da barragem de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 20 LE (Novembro de 2012) ou 2,15€

Obelisco Inacabado

  • Localização: 1,5km a sul de Aswan, ao lado do cemitério fatimita
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 30 LE (Novembro de 2012) ou 3,37€

Egito: Dia 3 – Hórus e Sobek, as boas-vindas em Edfur e Kom Ombo

Depois da frenética jornada em Luxor, onde vi o Vale dos Reis, os colossos de Mémnom e os templos de Karnak, Luxor e de Hatshepsut, o ritmo não abrandou na manhã do terceiro dia da minha viagem ao Egito. O navio tinha deslizado toda a tarde e noite anteriores pelo rio Nilo, tendo passado as comportas de Esna e atracado na cidadezinha de Edfur nessa madrugada.

Vista da cidade de Edfúr, desde o navio no Nilo

Vista da cidade de Edfúr, desde o navio no Nilo

A cidade de Edfur, situada praticamente a meio de Luxor, localizada a norte, e de Aswan (Assuão), a sul, foi um importante lugar para a civilização egípcia porque foi aqui que o deus-falcão, Hórus, travou uma batalha contra o seu tio Seth, que havia assassinado Osíris, pai de Hórus. O lugarejo, por aquilo de que me pude aperceber, vive do turismo e a máquina do sector localmente está tão bem oleada que o trajecto entre os navios atracados e o templo da cidade (o motivo da nossa paragem ali) é feito utilizando uns riquexós desgovernados guiados por egípcios ávidos de agradar ao turista e, assim, ganhar mais uma bakshish (gorjeta).

Riquexós aos montes à espera dos turistas

Riquexós aos montes à espera dos turistas

Connosco não foi muito diferente. Mal saímos dos navios e entrámos neste meio de transporte alternativo, juro que inicialmente temi um pouco pela minha vida. O cavalo avançava desgovernado ao som de um egípcio que ecoava “Dejen passar mi Ferrari”… Ríamo-nos e olhávamos uns para os outros, mas mal desviávamos o olhar para os lados o pânico instalava-se. O panorama era assustador: poeira no ar, estradas em terra batida e esburacadas, cheiro intenso, pessoas sujas e a caminharem no meio do trânsito e milhares e milhares de riquexós a circularem neste trajecto entre os navios atracados e o templo, que não deve ter demorado mais de 20 minutos.

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Turistas temendo pela vida, como nós

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O nosso “piloto”

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Ruas de Edfúr I

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Ruas de Edfúr II

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Chegando ao templo

Passado o susto, o baque à chegada do local que nos interessava foi grande. De perto, o templo ia aparecendo lentamente, sempre mais e mais imponente. E junto à entrada, o guia confirmou aquilo que eu suspeitava. Este não é um dos maiores templos ao longo do rio Nilo, senão mesmo o maior e o mais bem conservado entre todos eles. De estilo ptolomeico, esteve escondido por areia e sedimentos por mais de 2 mil anos. Mandado construir por Ptolomeu III, em 237 a.C., o complexo principal deste templo demorou duas décadas e meias a ficar de pé.

A caminhar em direcção ao templo

A caminhar em direcção ao templo

Os egiptólogos têm grande interesse por este monumento porque ele é um dos que se assemelha mais aos templos faraónicos daquela época. O primeiro pilone, com 36 m de altura, está decorado com cenas de Ptolomeu XII a derrotar os seus inimigos perante Hórus e Hátor. Duas grandes estátuas de Hórus em granito preto ladeiam a entrada do pilone, que conduz a um amplo pátio com colunata e à primeira sala hipostila. Por trás desta fica uma segunda, mais pequena, com câmaras para um dos lados. Nestas salas eram guardados os presentes para os deuses antes de serem levados para a sala das oferendas.

A imponência do templo de Edfúr

A imponência do templo de Edfúr

O pátio principal, passado o primeiro pilone

O pátio, passado o primeiro pilone

Colunas do templo

Colunas do templo

Templo de Edfúr completamente pintado e decorado (suposição)

Templo de Edfúr pintado e decorado

Sala das oferendas

Sala das oferendas

Um dos primeiros mapas de todo o Egito

Um dos primeiros mapas do Egito

Eu e estátua de Hórus

Eu e estátua de Hórus

Depois da visita ao templo e antes de regressarmos ao navio, ainda tivemos de passar pelo exasperante processo de dizer várias vezes que não aos egípcios que tentavam vender as suas bugigangas a preços que desciam consideravelmente a cada recusa nossa. Inicialmente engraçado, que foi o sentimento que tive no dia anterior, a coisa tornou-se de tal modo enervante que ao fim de dez dias de viagem já não suportava encarar gente a tentar regatear preços connosco. Uma tortura.

A navegação prosseguiu pelo Nilo sempre em direcção ao sul do Egito até chegarmos à vilazinha de Kom Ombo, às 16 horas dessa tarde. Os circuitos turísticos no local estão organizados de modo a que os turistas vejam o magnífico pôr-do-sol no Nilo a partir do templo de Kom Ombo, o motivo da nossa paragem no local. Trata-se, ao fim ao cabo, do único templo do Egito construído praticamente em cima do Nilo. E, chegada essa hora, o momento é verdadeiramente avassalador. As fotos aqui poderão falar melhor que as palavras.

O pôr-do-sol em Kom Ombo II

O pôr-do-sol em Kom Ombo I

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O pôr-do-sol em Kom Ombo II

O templo greco-romano da vila está muito destruído, não tivesse este sobrevivido a vários terramotos. O edifício do templo é totalmente simétrico com duas entradas, duas salas e dois santuários. Esta estrutura invulgar deve-se ao facto de o templo ser dedicado a dois deuses: o lado esquerdo é dedicado ao deus-falcão Haroeris (Hórus, o velho) e o direito ao deus-crocodilo, Sobek. A sua construção foi iniciada por Ptolomeu VI no séc II a.C. e terminada no século seguinte por Ptolomeu XII. O imperador romano Augusto acrescentou-lhe o pilone da entrada por volta de 30 a.C. As muitas colunas foram esculpidas ainda com a flor-de-lis do alto Egito e o papiro do Delta.

Templo de Kom Ombo

Templo de Kom Ombo

Vestígios do que teria sido este templo antes dos terramotos

Vestígios do que teria sido este templo antes dos terramotos

Sobek, deus-crocodilo, nas paredes do templo de Kom Ombo

Sobek, deus-crocodilo, nas paredes do templo de Kom Ombo

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Kom Ombo, a despedida ao anoitecer

Já caída a noite, ainda tivemos uma hora para deambular pelo mercado (claro, mais um por estas bandas), que separava o templo da zona onde os navios estavam atracados. Praticamente fomos comidos vivos pelos vendedores locais que queriam impingir-nos compras à força. Já disse que tudo isto era exasperante?

Não conseguimos descansar muito nessa noite: houve festa rija a bordo do navio. E ainda tivemos de acordar desumanamente cedo no dia seguinte. Destino: Abu Simbel, a 70 km da fronteira sul do Egito com o Sudão, a partir de Aswan, onde chegaríamos já de madrugada.

Informações úteis:

Templo de Edfur

  • Localização: 115km a Sul de Luxor, 104 km a Norte de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 50 LE (Novembro de 2012) ou 6,14€

Templo de Kom Ombo

  • Localização: 40 km a Norte de Aswan
  • Horário: Aberto diariamente
  • Preço: 30 LE (Novembro de 2012) ou 3,37€

Egito: Templo de Hatshepsut, um cenário impressionante talhado nas escarpas de calcário

Quem vê pela primeira vez, ao vivo e a cores, o templo mortuário de Hatshepsut, perto de Luxor, não consegue imaginar como alguém teve coragem de perpetrar um dos mais selvagens atentados terroristas contra turistas no Egito. Mas, alguém, que agora não vem ao caso, muitas menos as razões que o moveram a tal, teve a coragem de fazê-lo em 1997 matando assim 70 pessoas.

Templo de Hatsepsut, visão geral

Templo de Hatsepsut, visão geral

Desde essa altura, este monumento tem sido visto com alguma suspeição por parte dos turistas em todo o mundo. Porém, os medos e os receios dissipam-se ao primeiro contacto com a mística do local, de tal modo que a experiência será, com certeza, das mais marcantes durante uma viagem ao Egito. É que este templo proporciona mesmo um cenário impressionante talhado nas escarpas de uma montanha de calcário. E à sua frente, apenas uma planície desértica.

A escarpa calcária e a planície desértica

A escarpa calcária e a planície desértica

A paisagem calcária e a planície desértica | D.R.

A paisagem calcária e a planície desértica | D.R.

Um conjunto impressionante | D.R.

Um conjunto impressionante | D.R.

O templo de Hatshepsut foi projectado por Senenmut, arquitecto da rainha Hatshepsut, da 18.ª Dinastia, e ergue-se numa sucessão de terraços. O monumento foi alterado por Ramsés II e seus sucessores, tendo inclusive os cristãos vindo a utilizar o local, obviamente mais tarde, como mosteiro, daí o nome pelo qual também é conhecido: Deir al-Bahri, que significa “Mosteiro do Norte”.

Pormenorizando, o destaque vai todo para a colunata do Nascimento e para as estátuas de Hatshepsut, que decoram as colunas do pórtico em torno do terraço superior. Apesar de muitas destas estátuas terem sido destruídas por faraós posteriores, algumas foram construídas recentemente.

Subindo a escadaria

Subindo a escadaria

Colunata do Nascimento e estátuas de Hatshepsut | D.R.

Colunata do Nascimento e estátuas de Hatshepsut | D.R.

Estátua de Hatshepsut | D.R.

Estátua de Hatshepsut | D.R.

As escavações continuam no local e todos os dias novos vestígios são descobertos, uma coluna aqui, um hieróglifo acolí, um artefacto acolá, enfim. As decorações são magníficas e disso são bons exemplos as pinturas que cobrem os murais das capelas de Hathor e de Anúbis, no templo.

Pinturas murais na capela de Anúbis | D.R.

Pinturas murais na capela de Anúbis | D.R.

Capela de Háthor

Capela de Háthor

Abaixo a reconstituição inicial dos quatro templos no local: o de Montuhotep II (que serviu de base ao de Hatshepsut), o de Tutomósis III, de Hathor e, finalmente, o de Hatshepsut. As ruínas dos dois primeiros vêm-se também no local. Os quatro templos foram escavados num anfiteatro natural, cuja escarpa por detrás lhes confere ainda maior grandiosidade.

Esquema dos templos em Deir al-Bahri | D.R.

Esquema dos templos em Deir al-Bahri | D.R.

Nos tempos áureos do local, a entrada era feita por uma avenida de esfinges, um costume por estas bandas, e nos pátios era plantada mirra que produzia uma resina queimada como incenso.

Mirra plantada nos jardins

Mirra plantada nos jardins

A mirra

A mirra

Informações úteis:

  • Localização: 2km a Nordeste da bilheteira, na margem Oeste
  • Horários: No verão, diariamente aberto das 6h às 17h. No inverno, diariamente das 6h às 16h.
  • Preço: 30 LE (Novembro de 2012) ou 3,37€

Egito: Vale dos Reis, a necrópole mais famosa do planeta

O remoto e árido Vale dos Reis é, provavelmente, a necrópole mais famosa do planeta, não tivesse a câmara funerária de Tutankhamon sido aqui descoberta em 1922 por Howard Carter.

Vista do Vale dos Reis | D.R.

Vista do Vale dos Reis | D.R.

Escolhido como necrópole pelos faraós do Império Novo, a partir de Tutmósis I (1500 a.C.), pela localização escondida entre as montanhas calcárias de Tebas, o Vale dos Reis foi o local onde estes mandaram escavar e ocultar os seus túmulos, de modo a impedir os roubos dos valiosos tesouros que eram ali também eram enterrados. Porém, a estratégia não resultou e só as câmaras funerárias de Yuya e Tuya e de Tutankhamon não foram saqueadas.

Vale dos Reis | D.R.

Vale dos Reis | D.R.

Apesar das pilhagens e saques ao longo dos tempos, as estruturas das câmaras funerárias ainda resistem, com os impressionantes corredores coloridos, decorados com relatos simbólicos da viagem pelo mundo dos mortos e pinturas rituais que assistiram os faraós na vida após a morte.

No total, foram descobertos 65 túmulos no Vale dos Reis e 62 estão devidamente numerados, por ordem cronológica da sua descoberta. Cada túmulo está representado pelas letras KV (King’s Valley em inglês), seguido do número que identifica em que altura o mesmo foi descoberto. Só alguns túmulos estão abertos ocasionalmente ao público, isto enquanto as autoridades egípcias não decidirem encerrar algumas câmaras funerárias definitivamente. A de Tutankhamon está nessa lista, bem como a do faraó Séti I e da Nefertari, esta última no Vale das Rainhas.

Mapa do Vale dos Reis | D.R.

Mapa do Vale dos Reis | D.R.

Apesar de ser aquele que move a visita de milhões de pessoas anualmente ao local,o túmulo de Tutankhamon desilude quando comparado com os restantes. O túmulo em si é muito pequeno e as paredes têm partes que não estão decoradas. Mas a câmara funerária, ainda assim, é a única que contém o corpo do rei dentro do caixão dourado.

Entrada no túmulo de Tutankhamon | D.R.

Entrada no túmulo de Tutankhamon | D.R.

Esquema do túmulo | D.R.

Esquema do túmulo | D.R.

Descoberta do túmulo, 1922 | D.R.

Descoberta do túmulo, 1922 | D.R.

O sarcófago | D.R.

O sarcófago | D.R.

É importante ter bem em consideração aquilo que quer ver no Vale dos Reis, porque o bilhete só permite entrar em 3 dos 62 túmulos descobertos. Isso mesmo, apenas em 3. E para entrar no de Tutankhamon, o bilhete tem de ser pago à parte. E é impossível fotografar o interior dos túmulos, a menos que pague esse “luxo”, igualmente, à parte.

Não visitei o túmulo de Tutankhamon, mas vi ao pormenor as câmaras funerárias de Ramsés IV (KV n.º 2), a de Ramsés VI (KV9) e a de Ramsés I (KV16).

O primeiro destes três túmulos, da 20.ª Dinastia, é um dos mais importantes em toda esta necrópole, mesmo estando as suas paredes, com cenas coloridas do “Livro dos Mortos”, cobertas de escritos coptas e gregos. Na câmara funerária, a deusa Nut é representada atravessando o tecto azul, enquanto o túmulo, totalmente em granito, está coberto de textos mágicos e gravuras de Ísis e Nephyts, que protegem o sarcófago.

Entrada no túmulo de Ramsés IV | D.R.

Entrada no túmulo de Ramsés IV | D.R.

Esquema da câmara funerária de Ramsés IV (KV2) | D.R.

Esquema da câmara funerária de Ramsés IV (KV2) | D.R.

O sarcófago | D.R.

O sarcófago | D.R.

Dentro da câmara | D.R.

Dentro da câmara | D.R.

O túmulo seguinte na minha visita havia sido construído, originalmente, para Ramsés V, mas foi ampliado por Ramsés VI. Os seus elementos mais marcantes são o tecto astrológico abobadado e o sarcófago interior do faraó.

Esquema da câmara funerária de Ramsés VI (KV9) | D.R.

Esquema da câmara funerária de Ramsés VI (KV9) | D.R.

Tecto da câmara | D.R.

Tecto da câmara | D.R.

Finalmente, o túmulo de Ramsés (KV16), fundador da 19.ª Dinastia, é pequeno comparativamente aos primeiros dois, mas está mais decorado. Foi descoberto em 1817 pelo italiano Giovanni Belzoni e tem as paredes pintadas com cenas do “Livro das Portas”. A câmara funerária tem ao centro um grande sarcófago em granito.

Esquema da câmara funerária de Ramsés (KV16) | D.R.

Esquema da câmara funerária de Ramsés (KV16) | D.R.

O sarcófago em granito rosa | D.R.

O sarcófago em granito rosa | D.R.

Mas há outros túmulos importantes que devem ser vistos no Vale dos Reis, caso haja tempo e disponibilidade financeira para isso. Um deles é o de Séti I (KV17) e o de Tutmósis III (KV34), que se destaca pelo facto de ter sido escavado a 30 metros de altura, numa tentativa infrutífera de evitar pilhagens e saques. A entrada faz-se por uma escada de metal.

Actualmente, é o túmulo KV5 que domina as atenções dos egiptólogos, ao ponto de as escavações ainda decorrerem no local. Em 1994, o arqueólogo americano Kent Weeks começou a escavar um túmulo que os historiadores consideravam pouco importante. No entanto, acabou por encontrar o maior e mais complexo túmulo do complexo do Vale dos Reis. Crê-se que o local era o túmulo dos filhos de Ramsés II. Até agora foram descobertos um átrio de entrada com 16 colunas, vários corredores e mais de 100 câmaras. Apesar de não conter tesouros, milhares de artefacto já foram recolhidos do local. Obviamente, ainda não é visitável.

Informações úteis:

  • Localização: 2Km a Norte da bilheteira da margem Oeste de Luxor
  • Horários: Aberto diariamente
  • Preço: 80 LE (Outubro 2012) ou 9,14€. O bilhete só é válido para três túmulos. Terá de comprar um bilhete, na entrada de bilheteira, em separado se quiser visitar a câmara funerária de Tutankhamon.
  • Não é permitido fotografar ou filmar no interior dos túmulos. Se o quiser fazer, tem de comprar os respectivos bilhetes, à parte, também na bilheteira. Os seguranças do local, se apanharem o material fotográfico dos turistas, tiram-no sem contemplações e não o devolvem, nem no final da visita. Contudo, nada fazem relativamente ao boom de telemóveis (celulares) com máquina fotográfica e flash incluídos.
  • Caso tenha tempo e se interesse pelo tema, não deixe de passar pelo Vale das Rainhas, necrópole a sudoeste do Vale dos Reis onde estão os túmulos dos filhos e das mulheres dos faraós, incluindo a de Nefertari, e pela zona dos Túmulos dos Nobres, uma vasta área a sul do Vale dos Reis que reúne mais de 400 túmulos de nobres e altos dignatários de Tebas, sobretudo do Império Novo. Esta área de túmulos estava mais perto do Nilo e foi desenvolvida em paralelo com o Vale dos Reis, local da morada eterna dos faraós daquele tempo.

Passagem de ano em Portimão e Alvor

A passagem de ano de 2012 para 2013 foi em Portimão, a mesma cidade no sul de Portugal (Algarve), na qual tinha passado alguns dias de férias no verão. A zona enche-se de turistas nessa época do ano, na páscoa e, tradicionalmente, na noite da passagem de ano. Mas, na que passou, a ocupação hoteleira esteve longe dos níveis de outros tempos. Efeitos da crise. Como tal, havia pouca gente nas ruas e o fogo de artifício já não teve o “brilhantismo” de outros tempos. Ainda assim, conseguimos uma tarifa muito boa no Tivoli Marina Portimão pela noite de passagem de ano e lá rumámos ao sul de Portugal.

Praia da Rocha, fabulosa as always

Praia da Rocha, fabulosa as always

Passagem de ano Portimão 2012-2013 025

Avenida da praia da Rocha

Partimos dia 31 logo pela manhã e, até ao Algarve, não vimos quase ninguém na estrada nacional. Sol e temperaturas a rondarem os 16º C deram-nos as boas-vindas. Assim que chegámos, e antes mesmo de fazer o check-in, fomos almoçar em plena avenida da praia da Rocha, local onde ainda passeámos e tirámos algumas fotos antes de rumarmos ao hotel onde iríamos ficar hospedados.

A reserva tinha sido feita no Booking e, apesar da boa aparência do local e da simpatia dos funcionários, nem tudo correu pelo melhor no início. Ficámos alojados num aparthotel que, supostamente, teria dois quartos, mas afinal tinha apenas um quarto e um sofá-cama na sala. Sentimo-nos ludibriados. Ainda assim, e após algumas reclamações, fizeram-nos o upgrade para um aparthotel com dois quartos realmente, desde que pagássemos a devida diferença, que era muito pouca.

O Tivoli Marina Portimão é um charme. As casinhas são coloridas e foram dispostas em torno de toda a marina da cidade, com vista para o rio, o mar, a cidade e a vila de Ferragudo, no outro lado do rio. Um mimo. As fotos abaixo são mais elucidativas.

Passagem de ano Portimão 2012-2013 056

Marina de Portimão

Zona do Tivoli Marina Portimão

Zona do Tivoli Marina Portimão

Passagem de ano Portimão 2012-2013 185

Tivoli

Passagem de ano Portimão 2012-2013 207

As moradias e a piscina ao centro, Tivoli Marina Portimão

Depois de devidamente instalados fomos andar um pouco junto da praia até ao anoitecer. Rumámos, em seguida, ao hotel onde vimos televisão, jantámos e nos preparámos devidamente para o réveillon. A chuva dava a cara no exterior. Mesmo com os chuviscos, perto da meia-noite lá fomos nós até um dos pontos mais altos da avenida da praia da Rocha, junto com o champagne e com as passas. Quando o relógio estava em contagem decrescente, ainda vimos um choque entre duas viaturas mesmo em plena avenida. Daí até à meia-noite, não vimos mais os condutores, que deixaram os seus veículos no local e foram comemorar, provavelmente, a chegada do novo ano.

À meia-noite em ponto, a praia da Rocha iluminou-se com o fogo de artifício e champagne passou a jorrar de todos os lados. Feitos os desejos para o novo ano, subimos avenida acima e juntámo-nos à multidão para dançar ao som de um DJ que colocava música ao ar livre. Já perto das 3h da matina, fomos para um bar (o Boogie Bar) onde ficámos bem instalados a dançar e a beber mais alguns cocktails. Caímos na cama cansados e poucas horas viríamos a dormir.

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A avenida, à espera do fogo de artifício

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O dito cujo

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A beber champagne e a fazer desejos para 2013

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Pouca gente nas ruas, às 3h da manhã

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Boogie Bar

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Tecto do Boogie Bar

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Ao fim da noite

Na primeira manhã do ano, e depois de tomado o pequeno-almoço e feito o check-out, rumámos à vila de Alvor. O lugarejo continua simpático e charmoso. Perdemo-nos nas suas ruas desertas e andámos até à ria de Alvor, onde acabaríamos por almoçar e ficar até nos fazermos de novo à estrada em direcção à nossa terra, Setúbal.

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Zona de restaurantes perto da ria, Alvor

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Ria de Alvor

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A vila

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Bares e bares, junto à ria de Alvor

Num ápice, a noite de passagem de ano já tinha passado. Apesar da crise e de o novo ano não se avizinhar nada fácil, foi uma noite especial, junto dos que mais queremos. Faço votos de um feliz ano novo para todos, com saúde, alegria e muitas viagens.

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