Arquivo | Europa RSS for this section

O património cultural de Ávila

IMG_6264

Vista geral de Ávila

IMG_6125

Puerta del Alcázar, Ávila

IMG_6271

Sítio de Cuatro Postes, com Ávila ao fundo

O conjunto muralhado de Ávila, de longe o monumento que melhor identifica a cidade, esconde no seu interior um centro histórico riquíssimo, de cariz medieval e renascentista. Casas de interesse, palácios, templos e praças compõem este património cultural e são a prova viva da sã convivência ao longo dos tempos de cristãos, judeus e mudéjares. Todos eles foram deixando as suas marcas fazendo de Ávila hoje em dia uma cidade à qual se quer regressar. Seja porque motivo for. O meu deve-se apenas ao facto de não ter feito o passeio de 2,5 quilómetros de perímetro pelas muralhas da cidade, não obtendo as vistas que queria lá de cima. Por mau planeamento, visitei Ávila justamente no dia em que o seu conjunto muralhado estava encerrado ao público. Sobrou demasiado tempo para explorar o legado cultural do interior, declarado em 1985 Património da Humanidade pela Unesco. Às vezes, há males que vêm por bem. Ora leia.

Basílica de San Vicente

A Basílica de San Vicente é o expoente máximo do românico em Ávila e será provavelmente o primeiro monumento que vai ver na cidade, ainda fora do conjunto muralhado. Vista de cima, a igreja tem a forma de uma cruz latina com três naves e apresenta a singularidade de contar com uma tribuna sobre as naves laterais. A cabeceira da basílica ergue-se sobre a cripta de San Vicente, uma das obras essenciais da escultura românica na cidade. É o destaque na visita à basílica. Feita nos finais do séc. XII, a cripta relata de forma clara a detenção, perseguição e martírio de Vicente. É ainda perceptível no interior da igreja a fusão dos estilos românico e gótico, designadamente no encerramento da nave maior com abóbadas de esquina.

A Basílica de San Vicente

A Basílica de San Vicente

Basílica de San Vicente, interior

Basílica de San Vicente, interior

Muralhas de Ávila

As muralhas de Ávila, com 88 torreões e mais de dois mil metros de extensão, foram construídas no séc. XII e são a referência para entender o núcleo urbano e histórico da cidade. Um passeio pelo perímetro do conjunto muralhado levá-lo-á a visitar as suas nove portas, assim como outras, mais secretas. Os muros das muralhas foram sendo ao longo dos tempos adaptados ao terreno onde foram construídos. As suas torres elevam-se, por exemplo, em zonas mais planas, tornando-se mais baixas quando o solo é acidentado. Na construção das muralhas intervieram ao longo dos tempos arquitectos mudéjares e mouros. É a partir da Casa de las Carniceiras, da Porta del Alcázar ou do Arco del Carmen que se poderão obter as melhores vistas da zona envolvente, nomeadamente da paisagem urbana, composta por torres e campanários, e da natural, oferecida pela serra de Ávila e vale Amblés.

IMG_6248

Trechos do conjunto muralhado da cidade I

IMG_6251

Trechos do conjunto muralhado da cidade II

IMG_6253

Trechos do conjunto muralhado da cidade III

Catedral-fortaleza

A catedral-fortaleza da cidade é um dos melhores exemplares da alma medieval de Ávila. A sua construção iniciou-se entre 1160 e 1180 sobre um antigo templo românico. A catedral é simultaneamente o primeiro exemplar do estilo gótico na região espanhola de Castela. Uma vez no seu interior repare bem na capela maior, onde é possível ver as primeiras abóboras divididas em seis partes, no sepulcro de Alonso de Madrigal, situado na nave que rodeia a abside (obra de destaque no Renascimento espanhol), e no museu, que conserva a custódia de prata, feita por Juan de Arfe em 1571. Esta última ainda percorre hoje em dia as ruas da cidade no dia do Corpus Christi. Se tiver tempo, percorra também todas as restantes naves do interior da catedral, bem como as capelas laterais, o claustro, o Altar de los Reyes e o coro.

Catedral-fortaleza de Ávila

Catedral-fortaleza de Ávila

IMG_6174

Catedral, interior

IMG_6175

Catedral, interior

IMG_6189

Catedral, interior

IMG_6191

Catedral, interior, coro

IMG_6194

Catedral, interior, altar-mor

IMG_6206

Catedral, museu, custódia de prata

IMG_6212

Catedral, claustro

Plaza del Mercado Chico, Ayuntamiento e Iglesia de San Juan

A Plaza del Mercado Chico é o coração pulsante do centro histórico da cidade. A sua construção iniciou-se nos finais do séc. XVIII tendo ficado concluída um século mais tarde. É nesta praça que se encontra o bonito edifício do Ayuntamiento de Ávila, um projecto do arquitecto Ildefonso Vázquez de Zuñiga em 1865. O granito da fachada sobressai do conjunto impressionante. Aproveite para provar também um típico doce da cidade, feito à base de gemas de ovos e de açúcar: as Yemas de Ávila. No lado oposto ao do Ayuntamiento, destaque ainda para a bonita arcada que delimita bem o perímetro da praça e para a Iglesia de San Juan, mais uma de origem românica, onde no passado se reunia o Concelho da cidade.

IMG_6231

Plaza del Mercado Chico e Ayuntamiento, ao meio

IMG_6232

Iglesia de San Juan

IMG_6233

Arcadas, plaza del Mercado Chico

As Yemas de Ávila

As Yemas de Ávila

Torreón de los Guzmanes e Convento de Santa Teresa

O monumental Torreón de los Guzmanes é mais um dos edifícios militares emblemáticos da cidade. Actualmente sede do Governo Provincial de Ávila, a visita ao torreão vale a pena nem que seja para visitar o seu pátio interior com pórtico, formado por pequenos arcos ornamentados. Ali perto, está situado o Convento e Igreja de Santa Teresa, erguidos sobre um antigo solar. Além da fachada barroca do edifício, vale a pena espreitar o museu Teresiano, assim como a cripta do templo, um espaço de grande interesse arquitectónico.

IMG_6235

Torréon de los Guzmanes

IMG_6240

Convento de Santa Teresa, fachada

Mansión/Palácio de Polentinos (Museu do Corpo de Intendência)

Sede do Arquivo Militar do Exército, a mansão/palácio de Polentinos é hoje um dos exemplares máximos da arte da cidade de Ávila. A sua fachada e pátio com ornamentação espanhola típica do século XVI representam o modelo mais original da arquitectura que caracterizou a cidade. No interior, está igualmente instalado o museu do Corpo de Intendência. Sem grandes atractivos na minha opinião.

IMG_6242

Entrada do Palácio de Polentinos

IMG_6244

Museu do Corpo de Intendência

Cuatro Postes

O sítio de Cuatro Postes fica já tão fora do centro histórico de Ávila que é daqui que se poderão obter vistas excelentes sobre a cidade e sobre a extensão do seu conjunto muralhado. No local, também conhecido por Humilladero, quatro colunas dóricas escoltam uma cruz. Há um mini-autocarro que faz o trajecto entre o centro histórico e o local.

Cuatro Postes

Cuatro Postes

Vistas de Ávila, desde o sítio de Cuatro Postes

Vistas de Ávila, desde o sítio de Cuatro Postes

Mini-autocarro que faz a ligação entre o centro de Ávila e o sítio de Cuatro Postes

Mini-autocarro que faz a ligação entre o centro de Ávila e o sítio de Cuatro Postes

Monastério de la Encarnación

O Mosteiro da Encarnação ocupa desde 1510 o local de um antigo cemitério judeu e é hoje em dia um dos locais teresianos mais visitados em toda a cidade. Santa Maria de Teresa viveu inclusive aqui durante mais de trinta anos. No interior, existe um museu dedicado à sua figura e obra, de onde sobressai um desenho feito por Juan de la Cruz, que representa Cristo na Cruz. O interior da igreja do mosteiro, de estética barroca, também merece uma visita. Uma vez lá dentro, não deixe de reparar nos altares e retábulos de estilo barroco.

IMG_6317

Monastério de la Encarnación, fachada

IMG_6319

Monastério de la Encarnación, pátio

IMG_6326

Monastério de la Encarnación, interior

IMG_6335

Monastério de la Encarnación, museu Teresiano

Informações úteis:

  • Como chegar:

Da estação de Chamartín, em Madrid, basta apanhar o comboio MD e em quase 1h3o sairá na cidade de Ávila. O bilhete de ida e volta ronda os 10 euros. Mais informações aqui.

Estação de comboios de Ávila

Estação de comboios de Ávila

  • Horários e dias de funcionamento:
  1. Basílica de San Vicente – época de Verão (Abril a Outubro) das 10h às 18:30, preço 2,30€;
  2. Muralhas de Ávila – Verão (Julho e Agosto) das 10h às 21h, preço 5€;
  3. Catedral-fortaleza e museu – das 10h às 20h, preço 5€;
  4. Iglesia de San Juan – Sem informações;
  5. Torréon de los Guzmanes – das 10h às 14h e das 17h às 20h, entrada gratuita;
  6. Convento de Santa Teresa – Verão (Abril a Outubro) das 10h às 14h e das 16h às 19h;
  7. Palácio de Polentinos – das 10h às 15h e das 16.30 às 19h, entrada gratuita;
  8. Monastério de la Encarnación – das 09:30 às 13:30 e das 16h às 19h, preço 2€.

NOTA: A foto que consta no cabeçalho deste blogue não é minha e como tal os direitos são reservados.

Anúncios

A cidade alta de Cuenca

A cidade de Cuenca

A cidade de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

A consagração de Cuenca como cidade Património Mundial da Unesco

A consagração de Cuenca como cidade Património Mundial da Unesco

Situada quase no centro da Península Ibérica, Cuenca destaca-se pela excepcional fusão do seu espaço arquitectónico com a natureza que a envolve. Na verdade, a cidade de Cuenca encontra-se dividida em duas: a cidade baixa, de cariz mais moderno e sem muitos atractivos na minha opinião, e a cidade alta, de aspecto puramente medieval. É ali que o aglomerado urbano original de Cuenca brota do topo de um imenso desfiladeiro esculpido ao longo dos tempos pela ação dos rios Huécar e Júcar, revelando paisagens exuberantes e únicas. Esta harmonia perfeita valeu a Cuenca a declaração de cidade Património Mundial da Humanidade pela Unesco em Dezembro de 1996. É por isto que a viagem de ida e de volta desde Madrid, só possível em comboio de alta velocidade, vai valer e muito a pena. Se ainda não está convencido, veja bem as explicações e imagens de perder o fôlego que se seguem.

Plaza Mayor e Ayuntamiento

A Plaza Mayor fica bem no centro da cidade alta e é um bom ponto de partida para explorar a zona medieval de Cuenca. A praça está rodeada pela Catedral, pela Câmara Municipal (o Ayuntamiento) e pelo Convento de las Petras. Antes de observar o edifício da autarquia, repare bem nas cores coloridas das fachadas das casas dispostas ao redor da plaza, assim como nos múltiplos varandins em madeira de cariz medieval puro. O edifício actual do Ayuntamento destaca-se assim do conjunto restante não só devido à sua fachada barroca, projectada em 1733 e construída anos mais tarde, mas também por estar assente em três altos arcos, uma solução que permite hoje em dia ligar a baixa e a alta Cuenca, viabilizando a circulação viária e pedonal entre ambas. Num dos restaurantes ali existentes poderá ainda provar uma das iguarias da cidade, as chuletillas de cordero a la brasa.

IMG_5364

Entrada na Plaza Mayor

IMG_5374

Plaza Mayor

Fachada do Ayuntamiento

Fachada do Ayuntamiento

Chuletas de cordero

Chuletas de cordero

Catedral (Tesouro Catedralício, Palácio Episcopal e Museu Diocesano)

A catedral foi o primeiro edifício a ser construído após a conquista da cidade, no lugar onde antigamente estava uma alcáçova muçulmana, em finais do século XII. O edifício tem traços românicos e góticos reflectindo bem as tendências da época em que foi edificado. A planta da igreja obedece ao desenho de uma cruz latina, com três naves e uma série de capelas, todas elas construídas séculos mais tarde. De entre elas destacam-se a dos Apóstolos, Espírito Santo e Cavaleiros. Passe também no Tesouro Catedralício, de pequenas dimensões se comparado a outros, mas repleto de obras importantes, designadamente de Martín Gomez el Viejo, Pedro de Mena, entre outros. Num edifício anexo ao da catedral, ergue-se o Palácio Episcopal, cuja construção se iniciou no século XIII, prolongando-se pelos seguintes. Sobre a porta da fachada é possível ver o escudo do bispo que patrocinou a sua construção, Flores Osório. Se tiver tempo, passe ainda pelo Museu Diocesano. Situado no nº 3 da calle Obispo Valero, o museu tem obras religiosas de todo o tipo, desde pinturas várias a retábulos. É ali que se poderá ver a imagem de San Julián, patrono da cidade.

Catedral de Cuenca

Catedral de Cuenca

Casas Colgadas (Museu Espanhol de Arte Abstracta)

As Casas Colgadas são os edifícios mais emblemáticos e conhecidos de Cuenca. A sua notoriedade deve-se essencialmente a dois factores: o primeiro deriva da sua própria construção, bem em cima de um precipício gigantesco. Ali, as vistas sobre o rio Huécar são excepcionais. Para se ter uma percepção, os varandins medievais em madeira das Casas Colgadas estão literalmente suspensos no ar, a largas dezenas de metros de altura do rio que corre bem lá em baixo. Já o segundo factor deriva do facto de ser ali que está sedeado o Museu Espanhol de Arte Abstracta, onde se encontram obras dos mais representativos artistas espanhóis do movimento: Tapiès, Rueda, Torner, entre outros. Ainda se desconhece, passados tantos anos, se as Casas Colgadas são de origem medieval ou muçulmana. A visita é obrigatória.

IMG_5384

Casas Colgadas

IMG_5391

Vista de longe das Casas Colgadas, junto a um enorme precipício

Ponte e Convento de San Pablo (Espaço Torner)

A ponte de San Pablo, construída em ferro e madeira, liga o desfiladeiro onde estão as Casas Colgadas e toda a restante cidade alta de Cuenca a um outro, onde é possível ver o mais importante convento da cidade. Actualmente, o convento de San Pablo funciona como Parador Nacional de Turismo. A igreja localizada no seu interior é de estilo gótico, embora, mais uma vez, haja resquícios de Barroco e, até mesmo, de Rococó. É neste espaço que estão actualmente expostas as obras de diferentes épocas do escultor e pintor Gustavo Torner.

IMG_5402

Ponte de San Pablo com a alta Cuenca à frente

IMG_5403

Vista geral desde a ponte de San Pablo

IMG_5409

Fachada do Convento de San Pablo

IMG_5411

Parador turístico

IMG_5412

Convento de San Pablo

Passeio pela Senda del Hocino de Federico Muelas

A visita a Cuenca não ficaria completa se não aproveitasse as rotas turísticas que foram sendo criadas em torno do desfiladeiro onde se ergue a cidade alta. Uma das mais populares, pela natureza que a cerca, é a que parte da ponte de San Pablo e o deixa no bairro do Castelo, no topo da cidade alta. Caminhe devagarinho, pare quantas vezes quiser e fotografe sem se preocupar demasiado com as horas. De uma ponta à outra do passeio pela Senda del Hocino de Federico Muelas, assim é o nome da rota, estima-se que sejam necessários pelo menos 50 minutos. Depois de recuperar o fôlego, perca-se de novo no aglomerado urbano medieval. Veja as muralhas que ainda subsistem do antigo castelo, atravesse o arco del Bezudo e pare no Convento de las Carmelitas Descalzas. Se ainda aguentar mais, tire um tempo e visite a Fundación António Pérez, localizada no seu interior. Aqui poderá ver muitas obras coleccionadas pelo editor e artista ao longo de vários anos, desde pinturas, esculturas, livros, entre outros.

IMG_5389

Vistas deslumbrantes I

IMG_5390

Vistas deslumbrantes II

IMG_5418

Quase a chegar ao topo da cidade alta de Cuenca, bairro do Castelo

IMG_5425

Vista sobre o parador turístico

IMG_5426

Vistas deslumbrantes III

IMG_5352

Arco de Bezudo

IMG_5443

Muralhas que ainda permanecem

Igreja de San Pedro

A seguir à Catedral, a igreja de San Pedro é a mais importante de Cuenca. Construída sobre os restos de uma antiga mesquita, a igreja destaca-se pela originalidade da sua planta octogonal. A actual igreja é do século XVIII e está aberta a visitas turísticas.

IMG_5441

Iglesia de San Pedro

Bajada a las Angustias

O nome só por si já é sugestivo. Partindo da Igreja de San Pedro, siga as indicações da Ronda del Júcar e desça às Angústias. Não consegui compreender bem ainda de onde provém o nome, mas posso adiantar que a descida vale e bem a pena. Não me senti nada angustiado, nem mesmo tendo de encarar os degraus íngremes da subida até à plaza de San Nicolás. Nas Angústias é possível contemplar em quase toda a sua plenitude o rio Júcar, as praias artificiais da outra margem, o conjunto montanhoso local e a totalidade do desfiladeiro onde a cidade se ergue. Se tiver tempo, veja o Convento de Franciscanos Descalzos (fechado durante a minha visita à cidade) e a Ermida da Virgen de las Angustias.

IMG_5447

Bajada a las Angustias

IMG_5454

Sempre a descer

IMG_5450

Ermida de la Virgen de las Angustias

Convento de Franciscanos Descalzos

Convento de Franciscanos Descalzos

Casa Zavala (Fundación Antonio Saura)

Localizada na antiga Casa Zavala, em plena plaza de San Nicolás, a Fundación Antonio Saura difunde actualmente obras do artista aragonês falecido em 1998. No total, são mais de 500 metros quadrados de exposição distribuídos ao longo de várias salas, onde se podem apreciar obras como ‘Moi’, ‘La Muerte y Nada’, ‘Autos de Fé’, entre outras. Escrituras, arquivos documentais e fotografias tiradas pelo artista complementam a visita. Saindo da antiga casa Zavala, aprecie ainda a igreja de San Nicolás, situada na praça com o mesmo nome.

Torre de Mangana

Além das Casas Colgadas, também a Torre de Mangana é outro dos edifícios emblemáticos de Cuenca. A subida à torre, que está localizada numa praça com o seu nome, é imprescindível para ver na quase plenitude a cidade baixa e toda a sua modernidade. A torre é um edifício do século XVI, restaurado na sua plenitude no século passado. Na praça de Mangana é possível ainda admirar o ‘Monumento à Constituição’, criado pelo artista Gustavo Torner.

Torre de Mangana

Torre de Mangana

Informações úteis:

  • Como ir: Da estação de Puerta de Atocha, em Madrid, basta apanhar o comboio de alta velocidade (AVE) e sair na estação de Cuenca Fernando Zobel. A viagem feita em alta velocidade dura quase uma hora e o preço de ida e de volta são cerca de 30 euros. Chegado a Cuenca, há um mini-autocarro que o transporta até ao topo da cidade alta.
IMG_5483

Estação de alta velocidade em Cuenca

Comboio de alta velocidade

Comboio de alta velocidade

  • Horários e dias de funcionamento:
  1. Ayuntamiento: mais informações aqui;
  2. Catedral de Cuenca: sobre horários e preços de entrada, ver mais informações aqui;
  3. Casas Colgadas (Museu Espanhol de Arte Abstracta): informações aqui;
  4. Convento de San Pablo (Parador Turístico): site oficial aqui;
  5. Iglesia de San Pedro: para consultar horários, aqui;
  6. Fundación Antonio Saura: para mais informações, ver site oficial aqui.

O trio de luxo de Segóvia

Vista geral de Segóvia

Vista de Segóvia e da sua catedral

Segóvia

Vista de Segóvia e do seu grande aqueduto romano

IMG_5763

Vista de Segóvia e do seu alcázar

Segóvia é mais uma daquelas cidades espectacularmente bem situadas e classificadas como património mundial pela Unesco cuja visita é obrigatória se estiver a passar alguns dias em Madrid. Assente num alto promontório rochoso e ladeado por dois rios, o centro histórico de Segóvia reúne ingredientes mais do que suficientes para uma visita de pelo menos um dia. E há três monumentos cuja paragem para visita é obrigatória. Uma delas é na fortaleza real, o Alcázar, construída na ponta de uma falésia. A outra é na impressionante catedral da cidade cujos altos pináculos góticos parecem querer rasgam os céus de tão altos que são. Já a terceira é na Plaza del Azoguejo para admirar a zona mais conhecida e bem conservada de um imenso aqueduto romano que ajudou a definir para sempre a malha urbana da cidade. E é exactamente por aqui que a sua visita a Segóvia muito provavelmente irá começar. Tome nota, porém, do que ainda há para ver por aquelas bandas.

Aqueduto romano e plaza del Azouguejo

O aqueduto romano de Segóvia é uma das mais importantes obras de engenharia hidráulica existentes actualmente em Espanha. Construído no final do século I d.C., pedra de granito sobre pedra de granito, o aqueduto tem no total mais de 16 quilómetros de extensão e destinava-se a trazer água desde a serra de Guadarrama até ao Alcázar, atravessando a cidade de Este a Oeste. Declarado Património Mundial da Humanidade em 1985 e Monumento Nacional desde 1884, o trecho mais conhecido e bem conservado do aqueduto está em plena Plaza del Azouguejo, igualmente a principal porta de entrada para o centro histórico da cidade. A sua construção fez da cidade uma importante base militar durante o apogeu do Império Romano. Alvo de sucessivas reformas ao longo dos séculos, o aqueduto deixou de ser utilizado com o seu propósito inicial nos finais do século XIX.

Aqueduto romano, ao longe

Aqueduto romano, ao longe

IMG_5967

Aqueduto romano e Plaza del Azougejo, agora mais ao perto

Catedral gótica e plaza Mayor

Como quase todas as cidades espanholas, também Segóvia tem a sua plaza Mayor e uma catedral nas suas proximidades. A da cidade, de estilo gótico, finalizada em 1768, substituiu a anterior, destruída durante a guerra das Comunidades, em 1520, devido à proximidade do Alcázar. Para reduzir os custos com a construção da nova catedral, foram transferidos para o novo templo alguns elementos como o coro, o claustro, a pia baptismal, entre outros. Apesar de ser de estilo gótico, a concepção do espaço, a luminosidade, os volumes e o seu tratamento respeitam a estética renascentista. No seu interior, destacam-se mais de vinte pequenas capelas que ladeiam a nave e a abside, todas elas repletas de grandes obras artísticas, cuja qualidade se deve à mão de grandes mestres. Especial atenção para a sala capitular, onde há tapeçarias flamengas do século XVII, além de múltiplas moedas, livros, móveis, pratas, esculturas e pinturas. Depois da visita à catedral, descanse numa das muitas esplanadas e restaurantes da Plaza Mayor, para ali experimentar talvez o prato mais típico da cidade, o cochinillo.

A catedral de Segovia

A catedral de Segovia

IMG_5778

Interior da catedral gótica de Segóvia

IMG_5800

O claustro

IMG_5805

O coro

IMG_5807

Pequenas capelas laterais

IMG_5812

Parte do altar-mor

A Plaza Mayor

A Plaza Mayor

Cochinillo, o porco assado típico da cidade

Cochinillo, o porco assado típico da cidade

Alcázar

O Alcázar fecha o trio das visitas imperdíveis a Segóvia e é, provavelmente, o monumento mais característico da cidade. A sua construção, sobre os restos de uma antiga fortaleza romana, iniciou-se no séc. XI e prolongou-se pelos oito séculos seguintes. Durante a Idade Média, chegou a ser a residência oficial dos reis de Castela. A fortaleza actual, de aspecto puramente medieval, resulta sobretudo de uma reconstrução levada a cabo em 1862 após um grande incêndio ter destruído muito do castelo anterior. A visita ao Alcázar inicia-se actualmente no Pátio de Armas e continua pela Sala do Trono, a Câmara Régia, a Sala dos Reis, a Sala de Armas, entre outras. A visita à Capela vale a pena nem que seja para ver o local onde se celebrou a missa de casamento do rei Filipe II com Ana de Áustria. A não perder também é a visita ao museu da Real Escola de Artilharia, uma boa amostra do que esta e o Exército bem significaram para Espanha no passado. Imperdíveis são também as vistas dos arredores da cidade desde a varanda do Pátio do Poço e a subida à Torre de João II, um esplêndido exemplar da arquitectura gótica civil. Durante muito tempo, esta serviu de prisão do Estado. É da sua zona superior que se obtêm vistas da cidade de tirar o fôlego.

IMG_5851

Vista mais aproximada do Alcázar

IMG_5862

Traços medievais

IMG_5868

Inscrição na entrada

IMG_5870

O Pátio de Armas

IMG_5892

Pátio do Poço

IMG_5902

Parte do Museu da Real Escola de Artilharia I

IMG_5912

Parte do Museu da Real Escola de Artilharia II

IMG_5919

Subida à Torre de João II

IMG_5928

Espectacular vista desde o topo da torre I

IMG_5940

Espectacular vista desde o topo da torre II

Casa dos Picos

A Casa dos Picos deve o seu nome à decoração exterior da fachada com pedras em forma de diamante. Uma escolha puramente defensiva e ornamental. Situada dentro das muralhas da cidade, a casa dos Picos é actualmente uma escola de arte, funcionando do mesmo modo como galeria municipal de exposições. A sua construção data do século XV.

Fachada da Casa dos Picos

Fachada da Casa dos Picos

Alhondiga

Tal como a Casa dos Picos, também este grande armazém de grão datado do século XVI serve hoje propósitos culturais. Além dessa função, a alhondiga é igualmente o local do Arquivo Histórico Municipal.

A alhondiga

A alhondiga

Igreja de San Martin

A igreja de San Martin, do século XI, destaca-se pelas suas lindas arcadas, capitéis e retábulo dourado, de estilo Barroco. No interior, chamada de atenção para a zona da capela e para numerosas obras artísticas de pintura e de escultura.

IMG_5737

Fachada da Igreja de San Martin I

IMG_5718

Fachada da Igreja de San Martin II

Centro Didático da Judería (Casa de Andrés Laguna)

A casa onde anteriormente nasceu Andrés Laguna, uma personalidade nos campos da medicina e da investigação científica e médico de Carlos I e dos papas Pablo III e Julio III, acolhe agora o centro didático de ‘la Judería’, como lhe chamam os locais. A visita é obrigatória caso queira ter uma visão mais ampla da cultura judaica na cidade. Diferentes meios audiovisuais bem como uma extensa bibliografia especialidade hebraica também estão à sua disposição no local.

IMG_5743

Entrada para o Centro Didático da ‘Judería’

IMG_5747

Parte judaica da cidade

Museu de Segóvia (Casa do Sol)

O museu de Segóvia foi criado em 1844 e esteve sedeado em vários locais antes de chegar à morada actual, a antiga Casa do Sol. Este trata-se de um velho edifício que chegou a funcionar como matadouro desde a época de Enrique IV. O proprietário do museu é o Estado espanhol, embora a manutenção do espaço seja feita pela Comunidade Autónoma de Castilla y Léon. O museu contém mais de 1500 peças em exposição, de tipo arqueológico, etnológico, pintura e escultura. Os artefactos estão expostos ao longo de seis salas gigantes, dispostas em torno de um pátio central. De entre o espólio, destacam-se pinturas de Rembrandt. Daqui podem-se obter excelentes vistas da cidade e do seu Alcázar.

Parador, museu de Segóvia

Parador, museu de Segóvia

IMG_5760

Entrada para o museu

IMG_5767

Espólio I

IMG_5770

Espólio II

IMG_5771

Espólio III

Mosteiro de El Parral

El Parral é o maior mosteiro da cidade de Segovia e situa-se a norte da muralha da cidade, descendo uma extensa ladeira desde o Alcázar. Fundado por Enrique IV, no século XV, o mosteiro tem três andares, quatro claustros e um belo retábulo plateresco. Chamada especial de atenção para os túmulos platerescos do benfeitor do mosteiro, o Marqués de Villena, e sua esposa, María.

IMG_5946

Fachada do El Parral

IMG_5947

Vista do Alcázar desde o El Parral

Informações úteis:

  • Como ir: Da estação de comboios Madrid Chamartín é possível apanhar o comboio AVE até à estação de Segovia Guiomar. Basta apanhar o Avant (direcção Valladolid) ou o Alvia (rumo a Hendaya). São apenas 28 minutos de viagem. Dali, é só apanhar o autocarro 12 até ao centro histórico da cidade que pára exactamente na Plaza del Azouguejo, em frente ao aqueduto romano. Saberá logo quando ali chegar. O preço da viagem de comboio fica em 26€ a ida e a volta. Mais informações aqui.
Estação de Segóvia Guiomar

Estação de Segóvia Guiomar

  • Horários e dias de funcionamento:
  1. Aqueduto romano: visitas guiadas custam 6,50€;
  2. Catedral gótica: aberta das 9.30 às 17.30. Entrada paga, 2€. Com acesso à torre, são na totalidade 7 euros;
  3. Alcázar: entrada completa custa 7€. No verão abre das 10h às 19h;
  4. Casa dos Picos: entrada gratuita das 12h às 14h;
  5. Alhondiga: sem informações;
  6. Igreja de San Martin: sem informações;
  7. Centro Didático da Judería: aberta das 11h às 14h e das 16h às 19h. 2 euros;
  8. Museu de Segóvia: aberta das 10h às 13h. 1 euro;
  9. Mosteiro El Parral: sem informações.

NOTA: A foto que consta no cabeçalho do meu blogue não é minha e como tal os direitos são reservados.

%d bloggers like this: