A cidade alta de Cuenca

A cidade de Cuenca

A cidade de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

Vistas de Cuenca

A consagração de Cuenca como cidade Património Mundial da Unesco

A consagração de Cuenca como cidade Património Mundial da Unesco

Situada quase no centro da Península Ibérica, Cuenca destaca-se pela excepcional fusão do seu espaço arquitectónico com a natureza que a envolve. Na verdade, a cidade de Cuenca encontra-se dividida em duas: a cidade baixa, de cariz mais moderno e sem muitos atractivos na minha opinião, e a cidade alta, de aspecto puramente medieval. É ali que o aglomerado urbano original de Cuenca brota do topo de um imenso desfiladeiro esculpido ao longo dos tempos pela ação dos rios Huécar e Júcar, revelando paisagens exuberantes e únicas. Esta harmonia perfeita valeu a Cuenca a declaração de cidade Património Mundial da Humanidade pela Unesco em Dezembro de 1996. É por isto que a viagem de ida e de volta desde Madrid, só possível em comboio de alta velocidade, vai valer e muito a pena. Se ainda não está convencido, veja bem as explicações e imagens de perder o fôlego que se seguem.

Plaza Mayor e Ayuntamiento

A Plaza Mayor fica bem no centro da cidade alta e é um bom ponto de partida para explorar a zona medieval de Cuenca. A praça está rodeada pela Catedral, pela Câmara Municipal (o Ayuntamiento) e pelo Convento de las Petras. Antes de observar o edifício da autarquia, repare bem nas cores coloridas das fachadas das casas dispostas ao redor da plaza, assim como nos múltiplos varandins em madeira de cariz medieval puro. O edifício actual do Ayuntamento destaca-se assim do conjunto restante não só devido à sua fachada barroca, projectada em 1733 e construída anos mais tarde, mas também por estar assente em três altos arcos, uma solução que permite hoje em dia ligar a baixa e a alta Cuenca, viabilizando a circulação viária e pedonal entre ambas. Num dos restaurantes ali existentes poderá ainda provar uma das iguarias da cidade, as chuletillas de cordero a la brasa.

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Entrada na Plaza Mayor

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Plaza Mayor

Fachada do Ayuntamiento

Fachada do Ayuntamiento

Chuletas de cordero

Chuletas de cordero

Catedral (Tesouro Catedralício, Palácio Episcopal e Museu Diocesano)

A catedral foi o primeiro edifício a ser construído após a conquista da cidade, no lugar onde antigamente estava uma alcáçova muçulmana, em finais do século XII. O edifício tem traços românicos e góticos reflectindo bem as tendências da época em que foi edificado. A planta da igreja obedece ao desenho de uma cruz latina, com três naves e uma série de capelas, todas elas construídas séculos mais tarde. De entre elas destacam-se a dos Apóstolos, Espírito Santo e Cavaleiros. Passe também no Tesouro Catedralício, de pequenas dimensões se comparado a outros, mas repleto de obras importantes, designadamente de Martín Gomez el Viejo, Pedro de Mena, entre outros. Num edifício anexo ao da catedral, ergue-se o Palácio Episcopal, cuja construção se iniciou no século XIII, prolongando-se pelos seguintes. Sobre a porta da fachada é possível ver o escudo do bispo que patrocinou a sua construção, Flores Osório. Se tiver tempo, passe ainda pelo Museu Diocesano. Situado no nº 3 da calle Obispo Valero, o museu tem obras religiosas de todo o tipo, desde pinturas várias a retábulos. É ali que se poderá ver a imagem de San Julián, patrono da cidade.

Catedral de Cuenca

Catedral de Cuenca

Casas Colgadas (Museu Espanhol de Arte Abstracta)

As Casas Colgadas são os edifícios mais emblemáticos e conhecidos de Cuenca. A sua notoriedade deve-se essencialmente a dois factores: o primeiro deriva da sua própria construção, bem em cima de um precipício gigantesco. Ali, as vistas sobre o rio Huécar são excepcionais. Para se ter uma percepção, os varandins medievais em madeira das Casas Colgadas estão literalmente suspensos no ar, a largas dezenas de metros de altura do rio que corre bem lá em baixo. Já o segundo factor deriva do facto de ser ali que está sedeado o Museu Espanhol de Arte Abstracta, onde se encontram obras dos mais representativos artistas espanhóis do movimento: Tapiès, Rueda, Torner, entre outros. Ainda se desconhece, passados tantos anos, se as Casas Colgadas são de origem medieval ou muçulmana. A visita é obrigatória.

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Casas Colgadas

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Vista de longe das Casas Colgadas, junto a um enorme precipício

Ponte e Convento de San Pablo (Espaço Torner)

A ponte de San Pablo, construída em ferro e madeira, liga o desfiladeiro onde estão as Casas Colgadas e toda a restante cidade alta de Cuenca a um outro, onde é possível ver o mais importante convento da cidade. Actualmente, o convento de San Pablo funciona como Parador Nacional de Turismo. A igreja localizada no seu interior é de estilo gótico, embora, mais uma vez, haja resquícios de Barroco e, até mesmo, de Rococó. É neste espaço que estão actualmente expostas as obras de diferentes épocas do escultor e pintor Gustavo Torner.

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Ponte de San Pablo com a alta Cuenca à frente

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Vista geral desde a ponte de San Pablo

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Fachada do Convento de San Pablo

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Parador turístico

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Convento de San Pablo

Passeio pela Senda del Hocino de Federico Muelas

A visita a Cuenca não ficaria completa se não aproveitasse as rotas turísticas que foram sendo criadas em torno do desfiladeiro onde se ergue a cidade alta. Uma das mais populares, pela natureza que a cerca, é a que parte da ponte de San Pablo e o deixa no bairro do Castelo, no topo da cidade alta. Caminhe devagarinho, pare quantas vezes quiser e fotografe sem se preocupar demasiado com as horas. De uma ponta à outra do passeio pela Senda del Hocino de Federico Muelas, assim é o nome da rota, estima-se que sejam necessários pelo menos 50 minutos. Depois de recuperar o fôlego, perca-se de novo no aglomerado urbano medieval. Veja as muralhas que ainda subsistem do antigo castelo, atravesse o arco del Bezudo e pare no Convento de las Carmelitas Descalzas. Se ainda aguentar mais, tire um tempo e visite a Fundación António Pérez, localizada no seu interior. Aqui poderá ver muitas obras coleccionadas pelo editor e artista ao longo de vários anos, desde pinturas, esculturas, livros, entre outros.

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Vistas deslumbrantes I

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Vistas deslumbrantes II

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Quase a chegar ao topo da cidade alta de Cuenca, bairro do Castelo

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Vista sobre o parador turístico

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Vistas deslumbrantes III

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Arco de Bezudo

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Muralhas que ainda permanecem

Igreja de San Pedro

A seguir à Catedral, a igreja de San Pedro é a mais importante de Cuenca. Construída sobre os restos de uma antiga mesquita, a igreja destaca-se pela originalidade da sua planta octogonal. A actual igreja é do século XVIII e está aberta a visitas turísticas.

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Iglesia de San Pedro

Bajada a las Angustias

O nome só por si já é sugestivo. Partindo da Igreja de San Pedro, siga as indicações da Ronda del Júcar e desça às Angústias. Não consegui compreender bem ainda de onde provém o nome, mas posso adiantar que a descida vale e bem a pena. Não me senti nada angustiado, nem mesmo tendo de encarar os degraus íngremes da subida até à plaza de San Nicolás. Nas Angústias é possível contemplar em quase toda a sua plenitude o rio Júcar, as praias artificiais da outra margem, o conjunto montanhoso local e a totalidade do desfiladeiro onde a cidade se ergue. Se tiver tempo, veja o Convento de Franciscanos Descalzos (fechado durante a minha visita à cidade) e a Ermida da Virgen de las Angustias.

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Bajada a las Angustias

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Sempre a descer

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Ermida de la Virgen de las Angustias

Convento de Franciscanos Descalzos

Convento de Franciscanos Descalzos

Casa Zavala (Fundación Antonio Saura)

Localizada na antiga Casa Zavala, em plena plaza de San Nicolás, a Fundación Antonio Saura difunde actualmente obras do artista aragonês falecido em 1998. No total, são mais de 500 metros quadrados de exposição distribuídos ao longo de várias salas, onde se podem apreciar obras como ‘Moi’, ‘La Muerte y Nada’, ‘Autos de Fé’, entre outras. Escrituras, arquivos documentais e fotografias tiradas pelo artista complementam a visita. Saindo da antiga casa Zavala, aprecie ainda a igreja de San Nicolás, situada na praça com o mesmo nome.

Torre de Mangana

Além das Casas Colgadas, também a Torre de Mangana é outro dos edifícios emblemáticos de Cuenca. A subida à torre, que está localizada numa praça com o seu nome, é imprescindível para ver na quase plenitude a cidade baixa e toda a sua modernidade. A torre é um edifício do século XVI, restaurado na sua plenitude no século passado. Na praça de Mangana é possível ainda admirar o ‘Monumento à Constituição’, criado pelo artista Gustavo Torner.

Torre de Mangana

Torre de Mangana

Informações úteis:

  • Como ir: Da estação de Puerta de Atocha, em Madrid, basta apanhar o comboio de alta velocidade (AVE) e sair na estação de Cuenca Fernando Zobel. A viagem feita em alta velocidade dura quase uma hora e o preço de ida e de volta são cerca de 30 euros. Chegado a Cuenca, há um mini-autocarro que o transporta até ao topo da cidade alta.
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Estação de alta velocidade em Cuenca

Comboio de alta velocidade

Comboio de alta velocidade

  • Horários e dias de funcionamento:
  1. Ayuntamiento: mais informações aqui;
  2. Catedral de Cuenca: sobre horários e preços de entrada, ver mais informações aqui;
  3. Casas Colgadas (Museu Espanhol de Arte Abstracta): informações aqui;
  4. Convento de San Pablo (Parador Turístico): site oficial aqui;
  5. Iglesia de San Pedro: para consultar horários, aqui;
  6. Fundación Antonio Saura: para mais informações, ver site oficial aqui.
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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

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