Barcelona de Gaudí: a genialidade de La Pedrera

O conjunto de edifícios que compõe o chamado Quadrado de Ouro (Quadrat d’Or) de Barcelona faz parte de uma das mais importantes zonas para conhecer da cidade (Eixample), não fosse este tal quadrado um verdadeiro museu ao ar livre formado por vários edifícios modernistas, como por exemplo a Fundació Antoni Tàpies, a Fundació Francisco Godia, a Casa Batló ou a La Pedrera. Esta última, aliás, também conhecida como Casa Milà, é a mais importante de todo este conjunto, já que é a confirmação pura e dura da genialidade de Antoní Gaudí, que, a cada obra que executava, provava ser capaz de se superar a si próprio, concebendo edifícios com soluções magistrais e inovadoras que deixavam antever um estilo artístico bem difícil de imitar.

Quadrat d’Or, Barcelona | D.R.

Tal como disse acima, este Quadrado de Ouro, atravessado entre outras pelo belíssimo Passeig de Gràcia, faz parte do Eixample, um verdadeiro exemplo e caso único de sucesso do ordenamento urbanístico da Europa no século XIX. O Eixample é o resultado da expansão, a partir de 1860, da cidade de Barcelona para lá dos limites outrora impostos pelas suas muralhas medievais. Foi essa expansão da cidade, aliada ao florescimento do Modernismo na Europa da altura, que explica agora a criação de vários edifícios do género nesta zona da cidade. Com a La Pedrera não foi excepção.

Fachada de La Pedrera

Fachada de La Pedrera

A “pedreira” foi encomendada a Gaudí pelo industrial Pere Milà e sua esposa com a finalidade dupla de ser uma residência privada, mas também destinada ao aluguer. Perante o desafio, Gaudí decidiu construir dois blocos de vivendas, cada um com acesso independente, organizados em redor de dois grandes pátios interiores e intercomunicados. A fachada comum dos edifícios interligados, pensada para transmitir o ritmo do interior, impôs uma ruptura total com a linguagem arquitectónica da época porque era muito inovadora a nível funcional, construtivo e ornamental. Foi pelo aspecto rochoso, semelhante a uma pedreira, que o edifício ficou conhecido por “La Pedrera”.

Aspecto rochoso na fachada I

Aspecto rochoso na fachada I

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Aspecto rochoso na fachada II

A sua singularidade e valor patrimonial atingiram o auge em 1984 quando a Unesco colocou a Casa Milà, construída entre 1906 e 1912, na lista de bens do Património Mundial, reconhecendo assim o seu valor universal. Foi com tudo isto na mente que apanhei, depois da visita à Sagrada Família, a linha 5 do metro de Barcelona e saí na estação “Diagonal”. Daí até se avistar a fachada emblemática de La Pedrera são dois passos. Também é possível lá chegar saindo na estação Passeig de Gracía.

Esquema da linha 5 do metro de Barcelona | D.R.

A fachada consegue mesmo tirar-nos o fôlego porque não se assemelha a nada do que alguma vez já tenhamos visto. Muito menos se tivermos em conta que o edifício foi construído para servir o propósito comum de alojar pessoas no interior e não o de ali instalar meros serviços. Actualmente, o edifício pertence à Caixa Catalunya que o adquiriu em 1986, abrindo-o uma década depois ao público como centro cultural. A entrada para o seu interior é feita por uma porta lateral, na carrer de Provença. E, lá dentro, a visita desenrola-se ao longo de quatro etapas.

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Interior de La Pedrera I

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Interior de La Pedrera II

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Interior de La Pedrera III

A primeira diz respeito à sala de exposições. Este espaço tinha sido outrora o piso onde moravam os senhores Milà, mas deixou de servir esse propósito em 1992. Pouco resta da decoração original, embora ainda seja visível para o visitante algumas pinturas murais e colunas de pedra meramente ornamentais que denunciam o estilo marcante de Gaudí. É aqui que é possível ao visitante ver o sistema utilizado pelo artista para ligar os dois blocos de vivendas independentes.

Em seguida, o visitante tem de subir até ao quarto piso de La Pedrera para ver a recriação da vida de uma família burguesa tradicional de Barcelona da primeira metade do séc. XX. Aos elementos originais deixados por Gaudí, como as portas ou os pavimentos, foram posteriormente adicionados móveis, obras de arte, elementos decorativos, têxteis e equipamento doméstico da época. Aqui o visitante poderá apreciar a dupla faceta de La Pedrera: a sua arquitectura e habitabilidade.

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona I

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona II

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona III

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona IV

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona V

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Recriação da vida de uma família burguesa de Barcelona VI

Imediatamente acima está o “Espai Gaudí”. É neste espaço que o visitante vai conhecer os elementos mais distintivos de toda a produção gaudiniana, assim como a maneira de trabalhar do artista. Este centro de interpretação da vida e da obra de Gaudí presenteia o visitante com maquetas e planos, objectos pessoais e desenhos, bem como múltiplas fotografias e vídeos do artista. O espaço está formado por cerca de 270 arcos. Foi o local que mais gostei na visita à La Pedrera.

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Eu no “Espai Gaudí”

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Maquete de La Pedrera no “Espai Gaudí”

Por fim, a visita termina no Terraço, com as chaminés de Gaudí a roubarem muita da nossa atenção no local. É surpreendente o conjunto de elementos arquitectónico-escultóricos dispostos ao longo deste terraço, que fazem de todo o resto do edifício um dos edifícios mais notáveis e singulares de todo o século XX. Já a vista lá de cima é das melhores que se pode ter de toda a cidade de Barcelona, principalmente do tal Quadrado de Ouro e da sua avenida mais rica: o Passeig de Gracìa.

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As famosas chaminés de Gaudí bem pertinho

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Terraço de La Pedrera I

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Terraço de La Pedrera II

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No terraço de La Pedrera

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Com o Passei de Gracía por detrás

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Vista de Barcelona e do seu Passeig de Gracía

Informações úteis:

  • La Pedrera está localizada nos números 261 a 265 da carrer de Provença;
  • A melhor forma de lá chegar é saindo na estação de metro “Diagonal”, acessível pelas linhas 3, 5, 6 e 7. Os autocarros 7, 16, 17, 22, 24 e 28 também chegam ao local;
  • As visitas são feitas, entre Novembro e Fevereiro, das 9h às 18:30 e a última entrada é admitida até às 18h. Entre Março e Outubro, o horário de abertura é o mesmo, mas o encerramento é as 20h. A última admissão, nesse período de tempo, é às 19:30;
  • A entrada na La Pedrera custa 16,50€, ao qual acrescem mais 3€ se quiser ver a sala das exposições temporárias e mais 4€ se quiser adquirir um audioguia, disponível em 10 idiomas, entre os quais o português;
  • O edifício está adaptado para pessoas com mobilidade condicionada, invisuais e surdas.

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About Desporto: viajar

Jornalista de profissão, devorador de viagens por paixão. Sempre que me quiserem encontrar, vou estar por aí.

4 responses to “Barcelona de Gaudí: a genialidade de La Pedrera”

  1. Boia Paulista says :

    Oi. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia

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  2. renata cecilia benedito silva martins says :

    EXCELENTE MATÉRIA.

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